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27.3.18

Siglas




O Putin mandou matar gente no UK. A Commonwealth e a NATO responderam expulsando diplomatas russos. Nos USA a NRA continua a fazer valer os seus direitos em colocar uma arma na mão de todos os simpáticos cidadãos americanos. A ONU avisa para os refugiados. A UNICEF para as crianças indefesas no meio da guerra Síria. Tudo muito grave. Muito tempo de antena para estes (importantes) assuntos.

Não há H2O na África do Sul.
Silêncio constrangedor.
Silêncio perturbador.

H2O

10.4.16




O Soares Filho decidiu que não estava para ser ministro. Ou então achava que podia mais do que realmente podia. Entre o suicídio voluntário e o involuntário vai ficar sempre um ponto de interrogação mas o que me anda a incomodar mesmo é saber quem poderá ser um bom ministro da cultura. Não os houve, independentemente da cor partidária, desde que me lembro. De há 13 anos para cá, por a minha profissão prestar contas ao ministério da cultura, estou mais atenta e continuo sem discernir um único que se aproveitasse. E já se tentou de tudo: agentes culturais, humanistas (Carrilho? sic), músicos, escritores, antigos presidentes da câmara, produtores... Acho que se tem assistido a uma visão muito compartimentada da cultura de que é culpada, em parte, a divisão exagerada em institutos e centros dentro do ministério. Para fazer orçamentos é uma dor de cabeça porque é mais simples se estes forem estanques mas sendo estanques não há articulação. O que falta é uma visão de conjunto. 

A cultura é antes de mais um conceito e um meio. O conceito é essencialmente pessoal (o que eu assumo como cultura) mas também quantitativo (a quantidade de cultura de uma pessoa, comunidade e, neste caso, País). Ora neste ultimo ponto estamos - felizmente - bem colocados. Portugal tem vasta história cultural que cobre todas as artes e patrimónios e praticamente todo o globo. Ao nível individual, e basta falar com alguém de classe baixa em Londres e alguém de classe baixa em Lisboa, há uma falha de enorme envergadura. É aqui que este ministério tem que actuar. Na articulação com a educação. Tem que se explicar qual a vantagem de conceder subsídio ao filme X, porque é que a peça Y é pertinente ou a exposição X, financiada com os nossos impostos, deve ser visitada por todos. Num Estado democrático a cultura não pode ser da elite tem que ser de todos. Trabalho frequentemente com pessoas sem a 4ª classe que (e viva a democratização dos meios de informação) devoram documentários sobre animais e história. Ainda assim, a título de exemplo, acham que os Jogos Olímpicos foram inventados por Hitler (a sério aconteceu). Na cultura, tal como mais especificamente no património, acarinha-se e preserva-se o que se entende e para entender é preciso conhecer. Não é só distribuir apoios aqui e ali de uma maneira autofágica.

Do outro lado da moeda está a cultura como meio. Meio de atracção para gerar receitas ,isso mesmo! Porque se estamos de acordo que esta é uma economia capitalista estamos de acordo que é preciso gerar dinheiro. E as coisas não se podem manter apenas com os nossos impostos. Esta linha de pensamento foi seguida de dois modos muito diferentes em países como França e Inglaterra. No primeiro caso iniciou-se há muitos anos o licenciamento das obras nos museus para fins comerciais (qualquer obra que apareça num filme, por exemplo, foi licenciada). Em Inglaterra, com a política de acesso gratuito às exposições permanentes dos museus nacionais criou-se um mercado: as pessoas voltam regularmente para as exposições temporárias, sempre muito bem montadas e de grande interesse e acabam por investir muito nos souveniers. Em Portugal caiu o Carmo e Trindade com a gratuitidade dos domingos. Que os museus não iam ter lucro, que se ia  ter que cortar no pessoal, etc... Ora os museus não devem ter lucro com os seus acervos permanentes, que estão em exposições montadas há mais de 20 anos e que pertencem a todos nós, os cidadãos. Devem isso sim investir na formação e rotatividade de exposições (temporárias e pagas) e na divulgação da sua imagem e espólio (souveniers). Estes últimos para além de dois catálogos sempre disponíveis (da exposição permanente e da temporária, uma utopia... não existem em lado nenhum) deveria incorporar vários suportes das peças expostas que se enquadrassem numa política de preços (dos muito baratos aos muito caros) e de tipo de público (desde as crianças até aos idosos passando por várias profissões).

Este texto não tem grande unidade mas saiu a quente por isso aqui fica para memória futura. A cultura é dos ministérios com mais potencialidades, deve ser gerido por alguém que não é uma estrela rock mas sim pessoa de reflexão. A cultura, antes de mais, deve ser pensada.

28.12.15

Chocalhos, património mundial, esquecidos de Portugal


Há uns anos a  classificação do Fado, e mais tarde do Cante, como património da humanidade foi um dos acontecimentos do ano. Hoje, ao chegar ao fim de 2015, pouco se nota na imprensa escrita ou digital, sobre a importância para o património português da distinção da Arte Chocalheira. Salve-se o Jornal Público e a reportagem sobre o autor da candidatura (aliás presente também nos dossiers do Fado e do Cante).
Este é um silêncio triste mas esperado. O Alentejo não está acostumado a grandes cerimónias ou condecorações. Há alguns eventos, um fim de semana no máximo (Ovibeja, Flores de Campo Maior, Festival Islâmico de Mértola) que vão colocando alguns pontos no mapa mas a cultura, o saber alentejano, que é até fácil de ver, basta andar - passeando pelas suas estradas e aldeias - é um quase desconhecido dos portugueses (até a tão afamada gastronomia é assassinada com artes maléficas em restaurantes citadinos quando os conhecedores sabem que é na tasca da aldeia que melhor se come). Escolhão uma localidade, agarrem numa bicicleta ou apenas caminhem. Vão! Pode ser que oiçam os chocalhos ao lá fundo.



"Esta paisagem foi sacrificada “à agro-indústria e às lógicas que prevalecem sob o argumento da produção alimentar”, critica Paulo Lima, visando a extensão do olival e vinha no Alentejo. “Deixámos de dar atenção a esta coisa tão simples que é cuidar e manter raças autóctones”, prossegue o antropólogo frisando que uma das vertentes que os move nesta candidatura “é o património cultural-genético”. E lembra como a opinião pública se tornou mais sensível à salvaguarda de espécies selvagens, como o lince, o abutre negro, a águia-real, entre outras, mas desconhece que existem raças de ovinos e bovinos quase extintas com apenas poucas centenas de exemplares, como é o caso das ovelhas churra e campaniça ou a raça garvonesa de bovinos.

“Não podemos deixar acabar o património genético, a paisagem sonora baseada na pastorícia”, o universo pecuário que sustentava o fabrico de chocalho que tinha uma função idêntica à que representa nos dias de hoje o GPS, reafirma Paulo Lima, frisando que esta preocupação “calou muito fundo na UNESCO.”"   

Mais, aqui.

23.8.15

Afinal para que serve a história?


(Imagem retirada do artigo do Público e parte integrante do Arquivo Leisner; ler o ponto quatro)


Por achar que se desvaloriza em profundidade o estudo do passado e as ciências que o encabeçam vou procurar trazer de tempos a tempos um digest - com fundamento científico - sobre o que veio a lume por esta internet fora sobre algo que deveria interessar a cada um de nós - O Nosso Passado - já que ao estado nem vala a pena falar.

Esta semana:
- Portugueses de hoje seguiram os passos dos de ontem. Depois de uma profunda crise - a crise do século XIV - dominada por fome, guerras e doenças iniciou-se um tipo de migração (aqui leia-se busca de sustento noutras latitudes), a fuga em frente que sempre caracterizou os portugueses. Com um pouco de engenho, sorte e planeamento (as três coisas são possíveis) chegou-se, há 600 anos, a Ceuta. Para ler aqui. 

- Colegas (e amigos) quase a fazer omeletes sem ovos ou de como uma única falange da mão pode ser fundamental para entendermos quem nos precedeu. Como sempre, no que  à evolução humana diz respeito, são boas notícias da mãe África. Aqui.

- Há um cuidado especial em deixar enterrados certos temas que nos envergonho enquanto povo. A inquisição em Portugal é um deles. Um colega (e mais uma vez, um amigo) agarrou o touro de frente e estudou vários esqueletos de indivíduos vítimas da Inquisição oriundos de Évora. A investigação foi publicada em jornais da especialidade, na Forbes e imagine-se no nosso A Bola que muito me alegrou ver a divulgar a investigação feita em Portugal por jovens cientistas.

- E agora de fora para dentro. Uma reportagem sobre a disponibilização do arquivo dos Leisner. Para muitos um nome desconhecido mas para todos os arqueólogos portugueses uma referência. O casal que se mudou para Portugal e inicou o estudo científico dos monumentos megalíticos funerários portugueses, de uma importância fulcral devido à sua unicidade, pode ser conhecido aqui.  

- Finalmente um artigo de opinião, um pouco mais dentro das questões cientificas, mas que vale a pena ler nem que seja para perceber que em ciência tudo se discute constantemente e são as incertezas e mutações que são saudáveis. Arqueologia e antropologia devem andar ligadas? Aqui.

26.9.13


 
 
Pela morte de Ramos Rosa (poeta que nunca tinha lido) ocorre-me que a Morte é o momento de maior atenção dado a um poeta. Constatação triste mas para a qual contribuo. Não são raras as vezes em que é depois de anunciado o desaparecimento que me levo a pegar em poesia.
A poesia que leio é avulsa. Um poema hoje e outro daqui a dias, normalmente pesquisada na internet, a  não ser nos autores que me são muito queridos. Se fosse por mim, é verdade, nenhum poeta tinha pão para colocar na boca.
 
Mas é isso que distingue a poesia. Nem sempre0 quem tem alma de poeta, quem gostaria de  apreciar os poemas, tem a eles acesso. Há muita gente com quem me cruzo, por caminhos e aldeias, que me esmaga com cinco palavras certeiras. Outros, pela TV ou jornais, embrulham-me o cérebro até quase o apagarem.
 
E se leio poemas é numa luta constante contra a ideia inculcada por anos de português mal ensinado de que o que interessa é a métrica, a rima e a as figuras de estilo...
 
 
A Poesia Vai Acabar

 

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?»    E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —

Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"

4.4.13

Postcards from London



Desta vez, directamente do subsolo de Londres, uma fossa pós-medieval construída com cornos de vários animais. Podia ser local de um qualquer ritual (e os arqueólogos adoram locais rituais), com interpretações à canal História, mas é apenas um buraco onde colocavam os detritos. Os cornos foram usados porque os outros materiais de construção eram escassos sendo estes, em particular, rejeitados da manufactura de peças requintadas por apresentarem defeito.

'The pit consists of a cylindrical void with a perimeter structure built with animal horns as a cheaper alternative to bricks. The horn cores were inter-woven to offer a degree stability to the structure, and the pit was then used for the disposal of domestic waste. The horn cores were derived from long horn cattle and represent the residual waste from t...he local ‘horning’ industry. ‘Horners’ were skilled craftsmen who worked horn from cattle to create a range of artifacts from drinking vessels to buttons, and from panels in lanterns (when sliced very thinly) to tool handles'. Information and image via http://hearingshofar.blogspot.ie/2011/07/horn-core-pits-in-ancient-london.html)

13.3.13

Já diz o Primeiro (de quem nele votou) o desemprego é uma oportunidade



Estive aqui a fazer contas e por ser uma involuntária trabalhadora independente já tive desde que comecei na minha área 15 projectos diferentes (aka trabalhos) para umas cinco ou seis entidades. Parece mau mas é bom.
Foi na minha área de formação. Aprendi imenso, sempre evoluindo e como sou independente muitas coisas tiveram que ser aprendidas por intuição (não há aqui espaço para o erro) o que me fez estar bem mais atenta a tudo o que diz respeito ao meu trabalho. 
Nunca me imaginei a trabalhar em obras. A minha área é a história meus senhores...como é que acabei a lidar com giratórias, passagens hidráulicas e engenheiros? O que acontece é que não sendo toda a minha vida laboral (felizmente) este lado construtivo é também muito giro. Atravesso Portugal a apontar: olha ali estava uma necrópole medieval, ali escavámos sob o aqueduto dos águas livres, acolá encontrámos umas fossas com enterramentos de duas crianças e a sua bola de brincar...com 5000 anos, aqui era uma cabana com chão de cacos. Ou então numa variante menos aventureira: trabalhei naquele túnel, este jardim foi feito por nós, andei nesta auto-estrada, e naquela e naquela outra, ah...aquela barragem, quem viu isto antes e depois, isto ficou muito mais giro depois dos carris colocados e por aí fora.
Mas há alturas em que devemos parar. Quando o gosto pelo que fazemos já não é o mesmo do início e sentimos o cérebro cansado sem haver razão para tal. É hábito, acomodação e falta de desafios. E é assim que chega ao fim um ciclo. No final do mês acaba este meu trabalho e vou tirar dois meses inteiros para me dedicar à investigação que quero fazer há mais de cinco anos. Dois meses inteirinhos só para estudar e trabalhar sobre gente que viveu há mais de 500 anos e descobrir o que comeram, como eram os seus hábitos de higiene e, essencialmente, como viveram.
E ando  em pulgas por isso. E depois, se a crise deixar, voltar ao labor nas obras. Ou então não e seguir o rumo agora reiniciado.
Vamos ver o que a vida trás!

12.3.13

Patins: O início



Encontrei este vídeo no facebook de um amigo e lembrei-me de uma foto que tinha armazenada no computador. 
Da evolução fazem  parte tentativas e erros. E o que chamamos de antigo já foi a novidade algures nos tempos passados.


1905

11.3.13

Museu de Etnografia - 5






Estamos tão embutidos num mundo de palavras escritas que nos esquecemos frequentemente que até há 40 anos atrás estas escasseavam. Toda a educação e comunicação assentavam na palavra falada e em imagens. Obviamente que hoje ainda existem locais onde a escrita é bem mais que rara e as imagens ainda desempenham o seu papel pedagógico. 
No caso da tampas de panela de Cabinda, feitas em madeira, as representações tendem a ilustrar ditados comuns, usados na oralidade tendo assim um papel utilitário, pedagógico, de lembrete e perpetuação da cultura popular local e também artístico.

Mais sobre estas tampas de panela aqui.

26.2.13

Museu de Etnlogia 4





A visita ao murseu de Etnografia dá para um número quase infinito de posts mas se o museu é tão rico não seria justo simplificar.
As imagens de hoje são da exposição dedicada a Franklin Vilas Boas com peças adquiridas por Ernesto de Sousa.
Franklin, filho de canteiros, trabalhadores da pedra era totalmente contrário a tal ofício. A escultura estava-lhe no sangue, mas procurava por madeira.
 Autodidacta, assume peças de características entre a natureza, duplamente representada, já que usa os troncos para esculpir formas faunísticas e humanas, e o divino.

“Em geral, à árvore e aos troncos correspondem tipos mais ou menos estáveis, onde é possível surpreender uma tradição, desde que desloquemos este conceito de toda a ideia genética consciente: é uma tradição sem modelos, uma tradição estrutural, se se pode dizer. Não que se tenham de pôr inteiramente de parte certas influências, mais ou menos directas. O importante é que há convergências tipológicas que o entalhador não podia ter apreendido por nenhuma via directa ou indirecta plausível – e cujo estudo terá de ser objecto de disciplinas não históricas. Noutros casos há um tipo comum a certas regiões históricas e geográficas: é o caso dos “Senhores”, que pertencem à tradição dos canteiros populares, a ceramistas, etc., e que remonta à antiguidade pré-românica.
Por agora limitemo-nos a sublinhar esta recorrência:
- árvore, troncos = temas, tipos, formas estáveis
- madeira do mar, raízes = temas instáveis, de mais evidente invenção.
 

22.2.13

Falando de carne picada



Na imagem a "Boucherie de l'Ambigu", que é como quem diz o talho, onde se podem observar as carnes penduradas mesmo junto à janela (devia ser óptimo para a conservação, uns dias ali e estavam secas do sol, qual polvo). 
Para a fotografia, tirada em Paris no ano de 1907, pousou toda a gente, o dono, os empregados (quatro!! devia ter imensa saída) sendo um deles tão jovem que ou era filho do dono ou estava a aprender o ofício, as clientes -duas madames e uma mademoiselle - e até o polícia de giro que ali estava na altura.
Nesta época este tipo de fotografia não era o mais comum, sendo reservadas aos momentos chave da vida ou então a representações, como paisagens, ruas vazias, monumentos. A vida quotidiana não era ainda muito bafejada com o registo fotográfico, mas, como a imagem demonstra, as coisas começavam a mudar. Aqui o papel coube a alguns fotógrafos auto didactas, à publicidade e à imprensa.

A foto foi retirada daqui, um sítio com imagens e histórias muito curiosas, sobretudo para quem já esteve em Paris (que não é o meu caso).

21.2.13

Museu de Etnologia - 3





Adorei esta parte da exposição definitiva. 
São as bonecas das meninas do sudoeste angolano estudadas por Inês Ponte.
Como se pode ver nas duas primeiras imagens, as bonecas, feitas de maçarocas, reflectem as características valorizadas pelas jovens, o cabelos, os seios e os ornamentos. A última das imagens mostra uma boneca de uma outra povoação. 
Embora brincassem com elas em crianças não era incomum que depois dos ritos de passagem e já mulheres adultas as levassem com elas para a casa dos maridos.

18.2.13

É Veneza?



Embora pareça é mesmo uma foto da baixa de Coimbra antes de o rio Mondego ser, novamente, domado.
Fui buscá-la a um site muito curioso com imagens postais que cobrem as mais diversas épocas e as localidades de que nos lembrarmos.
Podem vê-los aqui.

13.2.13

Museu Nacional de Etnologia - 2





 As peças aqui em cima são duas lanternas, usadas para criar as sombras de que vive o teatro do Bali (ver post anterior sobre o MNE).

A fotografia do meio representa uma escultura (não sei o nome) da exposição "Franklin Vilas Boas, com o olhar de Ernesto de Sousa" com trabalhos extraordinários de manipulação de madeira. Quando explorava a exposição uma frase do escultor fez-me lembrar uma outra de Miguel Angelo, algo como isto, "Eu não crio as esculturas. Elas estão presas dentro da madeira e eu apenas tenho que tirar o excesso e as libertar".
Great minds think alike!

Para quem ficou com curiosidade pode procurar mais informações aqui e aqui.


Por aqui chama-se Entrudo


Podence (Brangança)

Lazarim (Lamego)

Museu Nacional de Etnologia - 1






Com mais tempo e calma falarei da descoberta deste museu. Fiquei tão contente por o ter visitado que é tema recorrente nos meus pensamentos desde então.
Se procuram novos ângulos de visão, aqui, vão encontrar.

Estas imagens são alusivas à exposição "Teatro Wayang Kulit de Bali", um teatro de sombras, com temas da mitologia de Bali. Cada pequena comunidade tem no entanto diferenças substanciais nos assuntos retratados.

1.1.13


Não sejamos ingénuos, desde sempre que o património deste país foi relegado para um plano muito secundário. Hoje, com o Estado completamente cego em relação ao património, cultura e história nacional, há casos como este, em que a história mineira (um sector que economicamente hoje parece tão importante) é vendida por atacado.

27.11.12

Da morte


Tenho uma maneira muito própria de lidar com a morte, tal como qualquer um suponho, mas talvez a minha seja mais peculiar porque é a morte e os mortos o âmago da minha área de investigação (a área de trabalho embora intersecte em alguns momentos a de estudo é neste momento distinta). 
De um modo geral investigo  a evolução do Homem mas a partir de material ósseo antigo o que me faz conhecer e investigar também a forma como esses ossos chegaram até mim, o modo como foram enterrados e tratados de maneira a aprender com os mortos como eram os vivos. Na verdade é um estudo biológico e cultural interessantíssimo e que nos dá uma perspectiva sobre os vários aspectos da humanidade. Confere também a quem investiga um certo cinismo em relação à actualidade, é um problema de quem estuda a história do Homem.
Obviamente que para muita gente isto é mórbido e eu tento sempre abordar este assunto com algum tacto aqui no blog mas, sendo este uma extensão de mim, também não poderia passar ao lado dessa parte da minha vida.

Há, também, óbvias consequências para mim quando sou confrontada com a morte de conhecidos, queridos ou a própria (futura) morte. Claro que a falta física das pessoas, a saudade, é sentida de modo igual mas tudo o resto é altamente processado psicologicamente, desde formas de enterramento até ao processo de decomposição, tendo aos 27 anos disposição muito concretas em relação ao meu funeral por exemplo. E acreditem que não sou uma gótica com a mania que só lê Baudelaire.

Dito isto, em jeito de apresentação, é normal que de tempos a tempos, de uma forma ou outra aborde aqui algumas das descobertas (sobretudo a nível da cultura) que faço sobre este funesto tema. Até porque acho que a partir do momento em que entendemos que a morte é o destino final, que é inevitável, conseguimos uma maior leveza no modo como lidamos com a vida.

Hoje trago um link para um livro que achei uma verdadeira pérola. É uma obra de finais do século XIX sobre a História do Luto, deste o Egipto até à época. É importante referir que em plena época vitoriana, época do livro, a morte era tratada de perto e como algo comum, não sendo infrequente que se tirassem fotografias de entre queridos falecidos como única memória destes.


 Foto original da 1915, com uma descendente também chamada Nancy a posar junto à uma campa de uma familiar. Note-se que a pessoa morreu cerca de 100 anos antes da foto ser tirada sendo quase encarada como uma antiguidade.