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1.2.19

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Numa altura em que a direita e a esquerda são semelhantes e amorfas, e quanto a extremos se tocam, qual sardinha com rabo na boca ter uma opinião faz-nos logo ser rotulados.

Não há  debate, conversa ou discussão. De repente estamos a defender trincheiras que nem sabíamos existirem.

28.3.18




A questão é:
o Passos e o Socas têm alguma coisa a ensinar aos actuais alunos do ensino superior?

P.s. Na licenciatura tive aulas de história contemporânea com um salazarista ferrenho. E tinha vivido/estudado/trabalhado em ditadura por isso ainda mais auto-justificado. Nunca aprendi tanto sobre o Estado Novo. Aprendi sobretudo as coisas negativas que o professor se esforçava por não transmitir.

19.3.16




O que se passa no Brasil é de uma sem vergonha miserável. Isto de existirem pessoas sérias é mesmo uma questão de fé. Eu tenho fé que em dado momento do tempo, em certas circunstâncias benévolas, os indivíduos possam ser sérios. Depois passam 15 minutos e já está de volta à nossa própria distorcida natureza. Não perdi a fé nos Homens mas nas pessoas, individualmente, foi-se com o fim da inocência.

14.10.13

Mais uma vez Miguel Sousa TAvares, entre alguma treta, coloca o dedo na ferida



"Mais de 40% dos jovens estão desempregados. Os que podem, fogem para o estrangeiro - os mais qualificados, aqueles nos quais gastámos ao longo das últimas décadas uma fortuna a formar, porque nos disseram que a educação era a prioridade absoluta e o passaporte para o nosso desenvolvimento. Miúdos com um valor reconhecido em qualquer lado são recebidos como bênçãos em países ricos, que não gastaram um tostão na sua formação e onde irão criar raízes e família, e provavelmente para sempre. Não esperem que eles venham a enviar para aqui as suas poupanças para fazer uma casinha na aldeia, porque esta geração de emigrantes é diferente. Não contem com o dinheiro dos seus impostos para sustentar as reformas dos outros nem sustentar todo o sistema da Segurança Social. Não esperem que eles fiquem reconhecidos a um país, o seu, que não lhes deu nenhuma oportunidade que não a de emigrar. A emigração deste jovens reduz a cinzas todo o esforço financeiro feito por Portugal em décadas e é o anúncio fatal da nossa definitiva condenação ao subdesenvolvimento. Dói como uma ferida todos os dias a sangrar ver partir esses miúdos. expulsos do próprio país que amam, ver os pais lavados em lágrimas no aeroporto, divididos entre o alívio de verem um futuro para os filhos e a tristeza infinita de pagar por isso o preço de uma separação."
 
in Expresso, 12  Outubro de 2013

19.8.13

Uma quantas postas de pescada




1. Não sei quem é o Lorenzo (mas ao que parece é da família) e gostava muito de não saber quem é a Judite. Para me redimir já à uns meses que o único telejornal que vejo é o da SIC, pelas reportagens e coerência.
 
2. Vivo em Odivelas, conhecida cidade suburbana, por vezes comparada com a Amadora e afins. Ora de há uns anos para cá a Câmara está bem entregue (e logo a uma mulher, o que me dá um gozo extra) e a cidade tem crescido melhor, com maior planeamento (sem pressas), com locais verdes maiores que um azulejo e com maior segurança do que a maior parte das cidades vizinhas. Assim, e só por isto, pelo trabalho feito, é que vou votar nos socialistas este ano. Acho que toda a cambada circense que aí anda a tentar ficar no poleiro por mais tempo devia ser corrida com zero votos, já que parece que os munícipes são uns parvos que basta estar lá o nome do Isaltino (por exemplo) vão logo a correr votar no Sr.
 
3. Não posso com a Assunção Esteves! Podia ir com a Judite para uma casa na Comporta brincar aos pobrezinhos e lerem Simone de Beauvoir em voz alta e com atenção a ver se aprendem algumas coisa.

"One's life has value so long as one attributes value to the life of others, by means of love, friendship, indignation and compassion."
Simone de Beauvoir
 
4. Estava na esplanada do Pingo Doce (sou uma pingólica anónima que acha que não há híper nem super melhores que o Pingo e que até vai lá tomar café e ler os seus livrinhos) quando um senhor, ucraniano, sentado ao meu lado e a beber um copo de água, mete conversa comigo (na realidade cravou-me um cigarro - infelizmente para ele não fumo) em francês (se calhar também tocava piano). Diz que vai ali para estar com companhia, que é um sem abrigo, desempregado, que diz, não sabe porque ainda está à espera.
 
5. Mesmo dia, duas horas mais tarde. Decido ir dar uma vista de olhos às plantas do Pingo. Cactos a 49 cêntimos (bom) e uma planta com o que parecem malaguetas nas pontas a menos de 3 euros (muito bom). Descobri recentemente que uma casa cheia de livros e de plantas (não posso ter gatos por passar temporadas a trabalhar longe) é para mim sinónimo de felicidade. As senhoras encarregues da parte das plantas não estão no sítio e aguardo por uns minutos. Um septuagenário aproxima-se de mim e investe com afinco na tentativa de me convencer a ir embora com as plantas sem pagar. Eu digo-lhe que isso dá mau karma e ele, embora não percebendo bem (talvez pensando que estava a falar de uma doença) vai-me buscar a empregada. Enquanto a senhora me embrulha as plantas o velhote aproxima-se e conta-me que está casado fazia naquele dia 50 anos. Dou-lhe os parabéns ao que ele responde: "Menina estou casado à 50 anos e estou no Pingo Doce. Há dias de me levantar e deitar na cama sem trocar uma palavra com a minha mulher. Assim venho aqui, falo convosco, o Pingo Doce é o meu jardim.".... Ao que parece, para além das plantas e dos livros há que saber escolher a companhia que melhor nos faz sentir.
 
6. Afinal não vão à Composta, vão ao Pingo Doce. Um bocadinho de realidade não faz mal a ninguém!

24.5.13

Problemas com o calor nº1




Ou bem que fico com rugas nos olhos ou bem que pareço um texugo com duas bolas brancas no sítio dos óculos de sol.

10.4.13



Loja do Cidadão
Cena 1 - Lili a ler um calhamaço de 400 pgs (já a antever a demora). Senhor (cinquentas, barba rala, ténis brancos e unha do tamanho de um pau de incenso) na sala de espera para uma velhota:
- Mas a senhora paga a conta da água com um mês de atraso? Eu é sempre dois dias antes do corte. Olhe no outro mês deu para ir passear a Abrantes com o que ganhei no atraso.

Cena 2 - Lili a ler encostada à parede no sítio da Seg. Social onde chegou às 8 da manhã. São 13h. Senhoras a falar sentadas na sala de espera.
Senhora 1 - Olha lá vem outra. Prioritária!
Senhora 2 - Puff. Como se estar grávida fosse doença.
Senhora 1 - No meu tempo só se dava passagem quando se queria. Isto da prioridade nem deve ser legal.
Senhora 2- Era vir de manhã e ficar aí em pé como os outros todos. Para ganhar há que penar.

Cheguei a casa, literalmente, com azia desta gente. Ainda existe quem não perceba como se chegou onde se está!

1.4.13



É que nem vale a pena pensar. Eu que tenho sempre que deixar as ideias amadurecer antes de as aceitar fico completamente piurça quando me trocam as voltas depois de encaixar qualquer situação ou realidade.
Desta vez, e como aqui referi, era suposto que na quinta feira tivesse sido o meu ultimo dia no trabalho. Arrumei as ideias e as traquitanas (e são muitas já que não trabalho e vivo na mesma cidade), programei a minha primeira semana livre em dois anos (fianças, segurança social, médico, dentista, banco) e mentalizei-me para esta nova etapa. Eis quando, às 17h de quinta, me dizem que afinal ainda precisam de mim pelo menos mais uma semana... Fiquei como diz o outro "não sei se ria, não sei se chore"... Pois bem tive que adiar (pelo menos) uma semana os planos que já tinha feito e assumo que vou trabalhar esta semana um pouco dividida, trabalho é muito bom, fundamental e quatro dias de salário sempre é qualquer coisinha , mas que vão saber a tempo roubado ai isso vão.

Estamos assim, no tempo em que os "patrões" põem e dispõem dos trabalhadores. Qualquer dia trabalhados a soldo.

29.3.13

Fica aqui a explicação - Word Killer



Graffiti é o plural de graffito, com origem no latim. Por isso quando se diz "os graffiti" a frase está absolutamente correcta.
Isto vem a propósito de muita gente, jornalistas inclusivamente, terem a mania de dizer outras coisas como  grafitos (sic). 
Desculpem lá mas a coisa afecta-me os nervos.

26.3.13

Obrigado programadores do Sudoeste...


Conseguiram passar de Blur, dEUS (1997), PJ Harvey, Portishead, Placebo, Sonic Youth, The Cure (1998), Massive Attack, The Chemical Brothers (1999), Bush, Beck, Moloko, Oasis (2000), Goldfrapp, Zero 7, Flaming Lips, The Divine Comedy (2001), Belle & Sebastian, Sigur Ròs, Air, Black Rebel Motorcycle Club, Peter Murphy, Muse (2002), Jamiroquai, Primal Scream, Badly Drawn Boy (2003), Manu Chao, Camara Obscura, Ojos de Brujo, The Streets, Patrick Wolf, James, The Naqtional (2007),  Bjork, Fraz Ferdinand, Cut  Copy (2008) para isto em 2013.

...por nos ensinarem como matar um festival em 5 anos.

A brasa à minha sardinha: CCB - 20 anos depois



No tempo das vacas gordas cavaquistas muito se fez pelos chamados mamarachos, projectos arquitectónicos sem jeito nenhum em termos utilitários e muitas vezes arquitectónicos. 
O CCB - Centro Cultural de Belém faz este ano 20 de idade e um programa de que sou fã - o Encontros com o Património na TSF - fez um especial sobre a efeméride. Para isso convidou Vasco Graça Moura, hoje à frente do CCB, Manuel Salgado arquitecto responsável pelo projecto e Teresa Patrício Gouveia, secretária de Estado da Cultura na altura inicial do empreendimento.
Algumas considerações pessoais sobre o CCB. Eu nunca gostei daquele projecto arquitectónico que considero feio e confuso. Não acho que se integre bem no local onde está, foi claramente projectado para brilhar, ser o rei da companhia, num local onde se pedia algo mais integrado. De facto é tão mamarracho e foi tão caro que nem construíram os dois módulos que estavam previstos depois do existente.
 Em relação à função acho que de facto foi uma boa maneira de aproveitar um acontecimento europeu para dotar Lisboa de um equipamento que não existia a nível do Estado, por exemplo não havia local para orquestras tocarem, para determinados tipos de exposições, etc, mas ficou muito aquém do que poderia ter sido. Por exemplo a, agora falada por razões tristes, Casa da Música no Porto, tem muito mais projectos ao nível da comunidade, como o coro com os sem abrigo da cidade, e pedagógico, com um calendário muito completo, do que alguma vez ouvi dizer que o CCB possuía.
Ao nível do usufruto do espaço este é horrível. Não gosto das múltiplas entradas - portas, portas, portas - com sinalização deficiente, da pouca  simpatia dos espaços comerciais, livrarias onde não apetece ficar e cafés demasiado descaracterizados - ou é cantina ou é café ou é restaurante para pessoas de classe média alta (não se come em tabuleiro pagando 15 euros por um prato). Acho que a única coisa mais ou menos agradável é a esplanada (e mesmo assim o jardim é pobre e a vista - maravilhosa - para o rio é apenas apreciada pela metade.
Para rematar toda  a questão ofende-me ouvir uma ex secretária da Cultura gozar - literalmente - com Marcelo Rebelo de Sousa, que na altura se insurgiu contra o empreendimento porque ele se localizava sobre um antigo cais da época dos descobrimentos que foi totalmente arrasado (há época ainda não existia a sensibilização para a arqueologia dos dias de hoje). Sublinho, a ex secretária de estado da Cultura. Sabemos que no local existia também um palácio do século XVI que os intervenientes nesta conversa acham ter sido homenageado com a construção da fachada de entrada do edifício exactamente sobre a fachada do palácio. Algo como "gosto muito da Torre dos Clérigos, vou fazer um prédio exactamente sobre a planta que ela ocupa"....
É bonito que este seja um programa sobre património e com suposto conhecedores e intervenientes do património que enchem a boca para defender um mamarracho, supostamente equipamento cultural de suprema importância, com salas às moscas (e com isto quero dizer sem programação) mas que rangem os dentes quando se trata de atacar o património histórico português! Se isto não é soberba não sei que seja.

20.3.13



Em 2011 o vencedor do prémio Leya - João Ricardo Pedro - era  um engenheiro no desemprego quando se propôs a escrever a obra "O teu rosto será o último" que lhe rendeu o galardão. Recentemente ouvi a notícia de Daniel Rodrigues, vendedor na categoria de foto  quotidiana do World Press Photo, o mais prestigiado prémio fotográfico do mundo. Está desempregado, juntou-se a uma missão voluntária para conseguir as suas fotos e teve que vender a máquina para sobreviver. Imaginem que um escritor tem que vender as suas canetas ou um pintor os seus pincéis...

Na semana passada fui assistir a defesas de teses de mestrado de amigos e colegas. Foram boas teses de 17, 18 e 19 valores. O que é que estas pessoas vão fazer a partir daqui? Vendo o caso de colegas que já defenderam há uns anos existem várias soluções de futuro: 
1) voltar para casa dos pais, que já pagaram a licenciatura e o mestrado (sim porque os mestrados funcionam em horários que impedem, em muitos casos, de arranjar qualquer outro trabalho) e continuar a depender deles enquanto utopicamente enviam currículos dos quais nem resposta recebem numa rotina apática, defesa para que não se descaia nem para o lado da esperança que dá para o torto nem para o lado depressivo que resulta ainda pior 
2) tentar anos e anos  seguidos ter uma bolsa para avançar com a tese de doutoramento. Bolsas essas que para além de escassearem são atribuídas segundo critérios muito estranhos que ninguém entende, nem aqueles que milagrosamente as recebem. Estes estão uns quantos anos a fazer o doutoramento, sem direito a nada como ferias, subsídios, faltas ou descontos para a reforma, defendem a tese e ficam geralmente com as restantes hipóteses que aqui menciono. 
3) podem sempre emigrar, e aqui reside a maior taxa de sucesso, levando consigo os conhecimentos que o Estado (e todos os contribuintes) ajudou a adquirir. Os pais tem que escolher lidar com um filho perto sem futuro ou lá longe mas independente e bem sucedido, a produzir investigação reconhecida e que podem rever sempre que, com pompa, seja convidado a vir falar numa universidade ou conferência portuguesa. 
4)por último podem chatear-se e ir trabalhar para o supermercado ou outro emprego que tal, esquecendo tudo o que estudaram ou sabem, porque se não provavelmente dão em loucos (atenção nada contra estes empregos que nem ponho de parte num futuro meu mas se tivesse a certeza de que era ali que ia parar tinha-me poupado (e aos meus pais) muito dinheiro, as noites em branco e avida pessoal hipotecada). 
Porque depois há isso. Nesta história toda só tem filhos quem se descuida ou então tem um parceiro com um óptimo emprego porque não há como ter projectos num mundo tão precário em que teses de investigação sobre a cura do cancro são escritas num quarto duplo de 100 euros a comer massa com atum.
O nosso trabalho de investigação é extraordinário, ganha prémios e bolsas internacionais, mas o Estado desliga-se dele desde a licenciatura destes investigadores e profissionais, não os sabe orientar, manter e fazer crescer no seu país. São trabalhos sobretudo feitos à custa de muito suor, quando se pode, conciliados com trabalhos reais de 500 euros ou então usando o dinheiro dos pais, de muito empenho, gosto e carolice.
Voltando ao início deste texto. Nós não gostamos de ficar parados, somos engenhosos e dedicados e isso pode resultar num livro escrito no desemprego ou de fotos tiradas numa missão voluntária por uma máquina que entretanto teve que se vender. A vontade de fazer existe. Tal como existe o engenho. O pior é quando ambos (vontade e engenho) nos abrem largas portas mas do outro lado da fronteira.

P.s. Este texto não é sobre mim. Felizmente sempre tive trabalho para ir pagando o meu mestrado. Mestrado que ainda não concluí porque não podia fazer ambos ao mesmo tempo. É sobre uma enormidade de bons investigadores que conheço sobreviventes de bolsa em bolsa, de estágio em estágio, sem um carro, uma casa ou família própria porque escolheram ser cientistas, produzir investigação. São a "nossa tecnologia de ponta" e parecem ter que possuir espírito missionário para  continuar. Um bem-haja a todos.

11.3.13


 
Tenho ansiedade e emotividade para dar  e vender. Até recentemente estas características, embora despontassem de tempos a tempos, estavam mais ou menos controladas mas nas últimas semanas ando com cada vez mais ansiedade, ligada a coisas boas e más, extrapolo a dimensão de tudo e torno-me uma velha rezingona, uma grávida emocional ou uma criança mimada num piscar de olhos. Na minha recente visita ao Porto acabei o Domingo no hospital por ter tido um ataque de ansiedade de tanta coisa que tinha para ver e por estar com contente. Enfim...
Sei que isto não é nada de problemático se considerar todas as coisas más que fisicamente nos podem afectar mas ter a nossa psique a influenciar de modo tão pouco controlável as minhas emoções também não é nada bom...vou da apatia à excitação como um carro de F1 dos 0 aos 100.

Posto isto tenho as pessoas mais próximas a dizerem-me para ir ao psicólogo...eu torço muito o nariz... e acho que uma boa solução será trocar a ida ao psicólogo por um ginásio ou actividade desportiva, as hormonas da boa disposição despertam e sempre liberto a ansiedade entre exercícios...com o bónus de me cansar ao ponto de adormecer sem querer (o que para mim que tenho insónias é um bónus). 
Que vos parece?

19.2.13

Sentada no café




Ouvir na mesa ao lado dois estudantes de economia a falar que apenas as estatísticas são válidas e que as ciências sociais são quase nula para prever o futuro está a dar-me vontade de sentar na mesa dos meninos e dar duas berduadas na cabeça de cada um (com este livro).

5.2.13




O PS e a sua ânsia pelo poder (onde mostra a sua incapacidade e falta de objectivos em tudo o mais) mete-me nojo. Os outros partidos também. A democracia obriga-me (a mim que tenho sentido de cidadania) a votar num destes partidos pré-estabelecidos. Fábricas que agarram em miúdos acéfalos e com gosto pela vida fácil e os transformam em adultos acéfalos, com gosto pela vida fácil e sem o rasgo ou a criatividade da juventude. Onde está a minha liberdade quando a escolha é sempre entre o mau e o menos mau?

24.1.13



Por já ter trabalhado em atendimento sei ser compreensiva com certos comportamentos de quem nos atende ou com algumas situações concretas em lojas ou serviços. Também tento ser mais sorridente e paciente com quem me atende porque sei bem como isso pode fazer a diferença. Por outro lado sou extremamente exigente com a qualidade do atendimento e do serviço e quando não estou satisfeita faço-o notar ou peço mesmo o livro de reclamações.

Ora então esta semana fui a um cinema ZON - Lusomundo. E toda a gente sabe ou imagina como  estão caros os bilhetes para o cinema (cerca de 6 euros). Se me predispus a pagar esse valor mereço o tratamento convencional de qualquer espectador. 
Na sala, que era das maiores, do género cine-teatro, estavam apenas 8 pessoas. O filme começou quando devia e tudo parecia normal, tirando o facto de apenas um funcionário estar a trabalho naquele momento (6 da tarde), o das bilheteiras. Ninguém confirmou se eu tinha o bilhete ou ajudou a indicar os lugares na sala.

Agora os filmes voltaram a ter intervalo. Este dura 7 minutos. Como o filme era grande e eu sou uma sorvedoura de água tinha necessidades fisológicas urgentes. Quando chego junto ao WC estão uns pinos com uma fita entre eles a impedir a entrada das pessoas e um letreiro a pedir que nos dirija-mos aos WC do centro comercial.  Vou até fora do complexo de cinemas à procura de um WC próximo..nada. Pergunto a alguém onde fica o mais próximo e dizem-me que tenho que atravessar meio centro comercial. E os 7 minutos de intervalo a contar. Decido não estragar o filme e aguentar. Depois no final ia pedir o livro de reclamações. De repente vem-me à ideia passar a fitinha que me impedia de chegar aos WC e rodar a maçaneta da porta...eis quando ela se abre e o lugar está iluminado. Experimento para ver se existe agua. Ela está ligada. Ora pois que faço o que vim fazer e vou para a sala de cinema acabar de ver o filme.

Resumindo, uma pessoa paga um bilhete que lhe dá direito a uma série de condições que lhe são negadas (atenção que também os WC de pessoas deficientes e de bebés estavam fechados, o que causa ainda mais transtorno do que a nós comuns mortais). Se não me tivesse armado em bandida e arrombado a porta do WC tinha perdido parte do filme (razão de comprar o  bilhete). A crise é a desculpa para muitos cortes, mas tal como no governo, há cortes nas gorduras e cortes no que é essencial. Aqui há uns anos todos os estabelecimentos comerciais foram obrigados a fazer obras para disponibilizarem aos seus clientes WCs diferenciados por género e são, mais uma vez, os gigantes endinheirados que se comportam pior e com mais impunidade (e note-se que aqui nem na electricidade estavam a poupar com o encerramento dos Water Closets).

16.1.13




É sempre bom ver como os privados premiam quem o Estado ignora (aqui na pessoa da FCT).