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8.3.17



O mais difícil em ser é definir um limite para nós. Como órbitas de planetas que lhes permitem estar aparentemente livres no espaço sideral e que afinal estão tão confinados a um caminho como um eléctrico nos seus carris.
Qual a nossa elasticidade em ser? Se não esticamos os limites até aos 22 anos e o decidimos fazer depois somos doidinhos. Insanos remetidos à psicanálise. Só nos safamos de fazermos o que quisermos se formos para o chapitô ou assim enquanto é tempo.
Mas voltando aos limites. 
Há coisas que quero. Mas até que ponto? A minha órbita vai esticar até ao limite da minha paciência, da minha resilência, da minha vontade e quando não der mais vou dizer "escolhi outro caminho". Mas não. Foi mesmo o meu limite.
A questão das escolhas também é bonita e dá para todo um novo e longo post. Gosto particularmente de ouvir lições de vida de quem não fez uma única escolha. Ficou com aquilo que lhe caiu ao colo. Hoje são felizes. Não sabem sequer o que são limites. Planetas em órbitas circulares. 
Eu cá sou mais elipses. 

12.2.17



Um dia o melhor das 24 horas começou a ser o momento em que nos deitávamos na cama. Antes de dormir. 
Pés e braços dados num reencontro após a separação laboral e social.

Um dia olhámos um para o outro e descobri-mo-nos casados. 

Se nos perguntarem como nós fizemos vamos sempre dizer que foi por artes mágicas.

2.4.16




Mandar lixar os dias que parecem escurecer tudo vendo como há coisas tão bonitas a ser feitas pelos homens.
Saved by art.

5.8.15

Que força é esta?



(e dias são ganhos quando se descobrem coisas assim)

1.8.15




Um  Sábado de Agosto em casa.
O calor expande-se lá fora.
Aqui ouve-se música que me ajuda a atingir o que mais preciso por estes dias... serenidade.

25.7.15


Férias já  se foram e começa agora uma nova etapa.
Um mês e meio mais em Beja. Terminar o trabalho iniciado e rumar ao Centro do país lá para meados de Setembro.
Depois é voltar onde já fui  - por quatro vezes - feliz. E iniciar a investigação que sempre quis fazer.
Quando é por gosto não cansa não é mesmo?
Entretanto arranjar mais 20 000 projectos para ter  income (na carteira e na vida).
E descansar? 
Mudar para mim já é descansar. 
A vida não têm modo de pausa.

15.7.15

Set my Mood



Eu acho mesmo que é a música que nos vai salvar.
Se não a humanidade
pelo menos cada um dos dias que passam.

30.8.14




O Jardim

Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.

Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.

António Ramos Rosa, in "Volante Verde"

26.6.14

Coisas que me aquecem




- Leva-me uma travessa de fruta cortada (que eu raramente como) à beira da piscina. Sem a pedir.

- Vê-me triste e permite que faça a distancia Vidigueira - Pedrogão ( 17 km) em quatro horas, porque nos entretantos vou fazendo caches para me alegrar.

- Todos os dias, depois de me beijar, cheira-me. Nariz na pele do pescoço e toca a inalar. Sabe bem.

- Leva-me a sítios que servem omeletes. Uma mania grande.

- Se está quente à noite o grande drama é como é vamos dormir sem tocar um no outro (nunca aconteceu, ficamos com as pontinhas dos dedos dos pés em contacto).

3.11.13

Fui a Vila Chã e chorei




Há uma terra, para os lados do Barreiro, que se chama Vila Chã. Depois de morta, a Rosa, minha avó, foi para lá.
Vila Chã nunca tinha existido para  mim. Hoje é um sítio que visito de tempos a tempos. Na sexta-feira, por saber que a avó Rosa gostaria, fui lá. Sentei-me na borda da campa e conversei com a avó Rosa como sempre o fiz, voz alta, olhos expressivos e sorriso na cara. Contei-lhe dos amores, da minha vida nova em Beja, da minha mana caçula e de como está a viver bem a vida, dos meus pais no seu amor de décadas e da minha prima, caloira este ano. Falei-lhe do que gostava que ela tivesse presenciado (a defesa da minha tese, que lhe dediquei; a minha casa, onde há tanto dela) e disse do que tinha saudades (os abraços com amor, as conversas ao telefone, os beijinhos intermináveis, a canja, a cerelac, o arroz doce e os biscoitos).
Levantei-me e ao fundo da campa, chorei! Há amor, há saudade!
 
A minha avó nunca morou em Vila Chã. Foi um dos acasos da vida (ou da morte) que ditaram que era ali que ela iria ficar. A minha avó mora debaixo das videira, onde em criança se deitava a comer uvas directamente da árvore. Mora em todas as ruas de Campo de Ourique onde viveu a felicidade que envolve os recém-casados. Mora nas lezírias do Ribatejo, onde os frutos são silvestres, os touros seguem com o olhar os que passam nos caminhos e a sopa é da Pedra. Mora no braço da minha mana caçula onde está tatuada a frase que tanto dizia e mais nos marcou, não uma frase poética mas sim uma frase feita - a vida é maravilhosa. Mora em nós, nos nossos gestos, palavras e hábitos.
 
Fui chorar a Vila Chã mas, diariamente, sorrio onde estiver. É um sorriso de avó Rosa.

30.10.13

Especial Halloween: Le Magasin des Suicides!



Primeiro li o pequeno livro - muito negro - de Jean Touré. A família Touvache gere um negócio peculiar, uma loja que vende apetrechos para suicídios que seriam comuns numa realidade temporal longínqua (?). Tudo muda quando nasce o terceiro filho, um bebé que, ao contrário da restante família, sorri como a Primavera e apenas busca a felicidade, pondo em risco o sustento familiar. 
O filme de animação, realizado por Patrice Leconte, é um objecto interessante em termos visuais e de público, desaconselhando-se a crianças (tripas, nudez e venenos) mas sendo ternurento para os adultos.
No final ainda ficamos a pensar na vida diária de muita gente que gostaria de ter à mão uma loja com este propósito.

20.8.13



Amanha vou sair o dia todo...com ele!
(o pequeno coração de Lili bate violentamente contra um peito ofegante de expectiva, ansiedade e excitação!)


18.8.13

Set my Mood



E ainda voltaremos a este assunto
(quando digerir o concertão de ontem)


13.8.13

O que fazer com estas férias?



Eis chegada a altura em que finalmente tenho 15 dias destinados ao dolce fare niente. Pensei nestes dias mais vezes por dia do que o mentalmente saudável, mas os dois últimos meses foram muito exigentes e esta era meta que às tantas me motivava.
No dia 1 de Agosto lá estava a fazer as malas e, parte mais importante de todo o processo, quais os livros que ia trazer. A selecção caiu nos da foto em cima. Só li um (o mais fino) e um quarto de outro... O que fiz com o resto do tempo? Não sei muito bem! O que sei é que pela boca morre o peixe e em vez de ficar a ler os meus livrinhos me vi num concerto do Anselmo Ralph descobrindo com enorme surpresa que o senhor não só canta bem como tem uma banda muito jeitosa a acompanhá-lo, é pena que as músicas sejam assim um bocado para o cocó. No final do concerto achei que o sr. Ralph é assim umas mistura de Bonga  e Robert Johnson.
Depois do infame concerto vi Orelha Negra + Orquestra + Valete e fiquei de queixo caído. Já gostava muito e fiquei a apreciar ainda mais. Tudo ali é bom. E eu já vi Xutos+ Orquestra e GNR+ Orquestra, que não tem, assim nem de longe, nada que ver com Orelha Negra. Para quem não viu aqui ficam uns mimos.
 
 
 
Este último vídeo, em que a música age em combinação com a arte de Vhils, vale bem a pena.
 
Ora entre leituras incompletas, visitas inesperadas a festivais, praias lotadas e dias de cacimba, noites que principiam tímidas e acabam às 6 da manhã (e como eu odeio voltar para casa de dia), passeios pela costa alentejana regados a vinho verde e alimentados pelo (pouco) marisco que se consegue pagar não sobra tempo para nada daquilo a que me propus... Resta chegar a Lisboa e tirar férias das férias.
Assim como assim esta Lili já merecia uns dias em que lavar a loiça é o ponto máximo de actividade.  

Verão



Zambujeira do Mar

9.8.13

É tramado



quando o alvo da nossa paixão desregrada nos beija exactamente,  não como queremos, mas como sempre soubemos que íamos gostar.

"Lust's passion will be served; it demands, it militates, it tyrannizes."

Marquis de Sade

Vistas de casa



Graças ao Pedro B lembrei-me de como gosto de olhar para cima nas ruas de Coimbra. As varandas, os estendais, as flores à janela, os gatos e o céu. É quando olho para lá que me sinto em casa.