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14.10.19

Redondos vocábulos 1




O Nobel de Peter Hendke vem levantar a velha questão-Celine... pode um escritor ser tão bom que vale a pena que nos esqueçamos de que é má pessoa?

E se, en extremis, ele é um apoiante do genocídio e ao mesmo tempo nos deixou das melhores reflexões sobre a passagem do tempo e o ligar a que pertencemos em Der Himmel uber Berlin (ou as Asas do Desejo) de Win Wenders? 



“If a nation loses its storytellers, it loses its childhood.”




“Loneliness is a source of loathsome ice-cold suffering, the suffering of unreality. At such times we need people to teach us that we're not really so far gone.”
― The Left-Handed Woman



“In a sense, the mentally deranged and feebleminded were my guardian angels, and when I hadn’t seen any of them in a long time, the sight of an idiot gave me a sudden burst of health and strength.”


Para mim a Arte não se separa da pessoa (que pode ser do pior tipo) e do artista só se pode esperar defeitos, pois no fundo ela é Humano.
A ideia de que o artista maior deve ser supra-humano, um homem sem defeitos, serve apenas a quem gosta do sabor baunilha.



14.1.19

Uma curta por semana


Em plena award season a curta desta semana repesca um vencedor de Óscar de 1932 (melhor curta de animação). The Three Little Pigs inspira-se no conto infantil mas acabou por se tornar, tal o seu sucesso, nas primeiras imagens que recordamos ao pensar na história dos três Porquinhos (há aqui obviamente a mão de Walt Disney que iria fazer o mesmo a outros contos e fábulas).

No que diz respeito à história do cinema foi com esta curta que primeiro se criou um departamento para argumento separado dos desenhadores.
Foi um sucesso com o público (a curta de animação mais rentável de sempre) e com a crítica. Recentemente foi eleito o 11º dos 50 mais importantes desenhos animados de sempre.

*Em termos de cultura popular estamos arrumados mas ainda falta fazer menção a "Who´s afraid of the big bad wolf?", musica do filme, que para além de um êxito se metamorfoseou numa canção de protesto durante a Grande Depressão (foi mais tarde repescada durante a II Grande Guerra). E que dizer de trocadidos como "Who´s afraid of Virnia Wolf?". 

13.1.19

A morte em 3 actos por Julian Barnes


1. "So here´s another logical inevitability. Just as every writer will have a last reades, so every corpse will have a last visitor."

2. "In the hierarchy of the dead it is visitor numbers that count. Is there anything sadder than an unvisited grave?"

3. "Faulkner said that a writer´s  obituary should read: 'He wrotr books, and then he died'".

Julian Barnes in Death


Textinho mui precioso que me fez pensar numa série de mortes cinematográficas. 

A mais invejada, Dom Corleone merece o melhor...


A mais esperada. Três horas (e dois filmes depois) o perfeito anticlimax.


O que fica da nossa vida é a construção de quem deixamos.







21.4.18

Daqui a 2 dias!!



É assim como ir a uma missa!
Mas com muito mais amor!

25.3.18

The square



Li por aí que este é um filme apresentado como comédia. Eu considero que é mais uma farsa (crítica ao mundo oco e feito de soundbites da arte contemporânea) que termina como tragédia (no fundo a humanidade é um nojo).
E sim é bom. Melhor para quem não está habituado a confrontar as suas próprias opiniões. Embora o hype seja um pouco exagerado a cena do "macaco" é ouro puro.





17.2.18

Os nossos pais dançaram ao som de um campo de batalha





Trinta anos no passado e as viagens pelas estradas nacionais eram feitas ao som de ABBA, nessa época já um género de relíquia da juventude dos meus pais.
A adoração pela banda sueca passou para esta filha que não só se deu ao luxo de bambolear a anca ao som de Agneta e Anne-Fried no seu casamento como fez dos vídeos da banda um das suas brincadeiras favoritas.

São esses videos que em retrospectiva percebo serem a campanha visual de uma batalha e cheirinho a estragado no centro da banda. Tal como "pela boca morre o peixe", eu, que sou altamente crítica para com aqueles que acham break-up songs uma coisa muito romântica, linda de tal modo que as tornam nas "músicas oficiais" da relação... tenho que admitir que os meus pais andaram, de calça à boca de sino, patilhas e camisa de folhos e festejar sobre blood on the dancefloor.

Como prova aqui ficam três lindas musicas ABBA (o ambiente de cortar à faca é só um plus muito apreciado) e assim se prova que se nunca quiserem um comeback de uma banda de sucesso é só meter mulheres no ensemble. Mas fizeram um grande break-up album.



Quando acaba a festa e não queres ir para casa com o teu marido.


Lavar roupa suja em público.


É só um video de pessoas a mudar de casa depois de se separarem e em que ninguém olha para os  outros. Get it?

14.9.17

Ainda existem videoclips #1



Courtney meets Corgan


"Our love is quicksand 
So easy to drown
They steal the gravity, yeah
From moving ground
Remember, you promised me
I'm dying, I'm dying, please
I want to, I need to be
Under your skin"

Aquele momento em que uma música obscura junta o matrimónio de Love e Cobain sob a batuta de Builly Corga naquela que é a música mais smashing pumpkins fora dos pumpkins (fase Adore).


"He and I were the top two scribes, and everybody else was a distant third.”"

Billy Corgan on Kurt Cobain

E sim, Billy e Courtney eram, por esses dias, amantes. 

31.7.17




The Americans é só uma das melhores séries do momento. Com uma subtileza desarmante para conhecedores de "tv shows" mas difícil de absorver por quem gostar de "explosões e porrada" contam-se aqui os meandros da vida de dois espiões russos nos USA dos anos 80. Para além de todas as linhas de argumento o contexto histórico é esmiuçado com verdade. Para mim, que trabalho a história, isto é ouro. Mas depois há momentos em que estamos presos por fios de tensão e os fazedores da série decidem levarnos ao limite tocando o Slices of Life dos Bauhaus.

Isto, meus senhores, é luxo de categoria Hermés.

Outro luxo é toda a imagem promocional da série. Algo que existindo para outros Tv Shows é aqui superiormente depurado.










Como ouvir um concerto de Lianne LaHavas sem sair do sofá



25.3.17




O espaço que reservo no meu coração aos amores culturais é vasto e aconchegante. Muitos entram, alguns saem mas a maioria permanece ali constante dando um ar de sua graça alternadamente conforme as fases de vida.
Ultimamente ando a constatar que o cantautor português pelo qual caio redonda de paixão sempre que o ouço tocar/ cantar é o Samuel Úria. E a coisa tem-se vindo a agravar com o tempo.
Para além de músicas como a de cima descubro que em termos de gosto somos fac similes:

21.3.17

Legado





Não se trata de gostar ou não. Trata-se de conhecer a nossa genealogia musical. 

4.3.17

29 anos e uma depressão










Ren Hang
e 
a prova de que o tempo não é preciso para nada 
quando se é imensamente bom

Óscares...




Dos nomeados que vi


Moonligth
Manchester by the Sea
Hell or High Waster (este o meu preferido dos 5)
Fences
Arrival

cheira-me que quem devia ter ganho era o Silence do Scorcese.

Mas isto de Óscares já se sabe... ainda alguém se lembra dos filmes no ano passado?

Descobri hoje... uma pérola



"I found music to be the therapy of choice. I guess it is for a lot of people."

 David Byrne

15.2.17

Pim, pam, pum


Pim!

(João Aguardela chama a Sandra com o seu acordeão)



Pam!

(João Aguardela chama Mitó com sua voz cheia)



Pum! 

(Sandra e Mitó tecem mantas aguardelianas)




Ainda Bowie (e ainda bem)




"Mais de um ano depois da sua morte, descubro-me de vez em quando a ouvir Blackstar e a imaginar Bowie a escapar a um ecrã de televisão e a anunciar que quem morreu foi Lazarus, não ele.

Noutros imagino Iman com um sorriso matreiro, num qualquer terraço ao sol, a sussurrar «Já era tempo de te livrares do Bowie, querido Mr. Jones»."