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24.3.18
9.4.16
Ainda Janeiro não tinha acabado e já 2016 tinha deixado a sua marca
A minha viagem ao Norte foi muito mais que formativa. Sozinha e com uma rota a seguir foram poucas as fotografias tiradas. Ando a aborrecer-me com todas as imagens. Prefiro usufruir. Isso é uma coisa que tem chegando de pantufas com os anos.
A chegada à capital do país escocês é das bonitas que tive o prazer de experimentar. Mais de 15 minutos sobre o rio, as pontes e as ilhas. Tempo suficiente para reviver os livros e os filmes chave. Já estava rendida e ainda não tinha colocado os pés em terra.
Edimburgo é uma cidade lindíssima. Começo a ter inveja das pessoas que vivem nestes locais com muito terreno plano e boas ruas para andar de bicicleta. O céu não costuma estar azul (segundo relato de amigos residentes) e o frio é mais que muito. Gosto muitíssimo. Visitei a Biblioteca Nacional da Escócia que não envergonha o país. E... corri em Princess Street.
Saí da Escócia num comboio inglês no meio de uma tempestade de neve (ah as almas românticas encontraram aqui abrigo seguro). O campo e costa que visitei com o olhar (Northumbria) durante a viagem até Durham eram deslumbrantes. Voltarei, um dia. Equipada com vontade, dinheiro e um amigo que queira conduzir do lado errado da estrada.
Durham é uma cidade de conto de fadas. Reparei que o meu deslumbramento imediato à vista de cada nova localidade é inversamente proporcional às gruas que se elevam nos céus. Aqui não há gruas. A cidade é mágica. As pessoas são simpáticas. Aceitam dinheiro escoçês sem fazer má cara e levam-nos a provas de vinhos. Voltarei.
O prazer de viajar sozinha está a crescer. Talvez com um irmão seja igualmente recompensador, não há grandes fretes que se faça com irmãos. Com um amante é capaz de tornar a coisa mais como uma paisagem do que uma vivência. Amigos só muito selecionados... aqueles que amamos como a irmãos.
4.4.16
Uma Páscoa portuguesa com certeza
Os meus pais gostam muito de juntar a família em torno dos feriados. Tanto vale para a Páscoa como para o 25 e Abril. Desta vez o ajuntamento levou-nos ali para o lado de Mafra e o meu pai, meio investido pela nostalgia meio pela falta de noção de que a filha mais nova (que não sou eu) já tem 22 anos quis ir buscar farturas ao Sobreiro. Para quem não sabe o Sobreiro é uma pequena aldeia à beira da estrada conhecido por ter um parque de diversões rural. Tem direito a todas as profissões de artesãos em cada casinha e ainda a alguns extras como a escola primária dos tempos do estado novo, uma nora (que muitas crianças não conhecem se não dali), um moinho, etc. Foi tudo ideia de um senhor (O Sr. Franco), autodidacta, muito empenhado.
Comentário de visitante nº1 enquanto as crianças felizes corriam por todo o lado: - Isto é muito engraçado realmente mas o homem não devia ter mais nada para fazer.
Comentário de visitante nº2 para a cria de uns 7 anos - Põe aí junto à "azenhe". Isso servia para os burros fazerem exercício...
Comentário de visitante nº3, Pessoa com 35 anos, com ar de morar numa boa vivenda da Linha, na fila para comprar pão com chouriço - Vês o que eu te digo Miguel... na altura davam pão com chouriço às crianças pobres da escola....
Pois é Sr. Franco not enough, not enough.
A vossa escriba, na dita aldeia, em torno do ano 2000, quando era uma jove, tinha pele lisa e suave e acreditava ser boa ideia ir namorar para os locais onde tinha sido feliz na infância. Obviamente esse namoro não pegou.
23.8.15
Foi há 8 anos mas na realidade numa outra vida.
As datas são difusas mas deve ter durado mais ou menos um mês e meio.
Foi quando vivi no paraíso. Para além das paisagens puras e do ar cristalino que nos entrava pelos pulmões havia toda uma disponibilidade para apreciar sem pressas.
Trabalhava-se durante umas 10 horas. De manhã acordava-nos com a neblina - o lugar é quase cercado por água - e à tarde, sem qualquer peso no corpo, íamos mergulhar na água calma do Azibo.
Durante semanas percorríamos as aldeias mais interiores de um dos mais esquecidos concelhos de Portugal. Para conhecer mais sobre o patrimonio local tínhamos que falar com aqueles velhos e velhas, redutos do século XIX, quase, que nos colocavam na mesa vinho, pão e enchidos. Íamos sempre de barriga vazia para não fazer desfeita.
Nos dias quentes, depois de almoço, cada um seguia com a sua cerveja (menos o condutor claro), vento quente a entrar pela janela, rodas a percorrer estradas desertas.
Como estarão agora esses caminhos e essas gentes? Aquele era o tempo das vacas gordas (ou assim parecia).
Viviamos nestas casas bonitas e confortáveis com direito a refeições. Hoje o projecto mudou de direcção. As casas estão lá, tal como o Azibo, as estradas e, espero eu, as gentes. A gastronomia é do melhor e ali ao lado, depois da fronteira, estão os Picos da Europa. A paisagem mais linda que me foi possibilitado ver.
Agora as casas podem ser vossas pelo tempo que desejarem. Este é um segredo nosso. Vejam aqui e sejam felizes.
(Não existem fotos. Tirámos muitas e todas se perderam. Há coisas que são mais bonitas lembradas apenas pela memória.)
(Não existem fotos. Tirámos muitas e todas se perderam. Há coisas que são mais bonitas lembradas apenas pela memória.)
11.8.15
27.7.15
Em Beja
Posso estar longe de uma cama que reconheço e de um espelho que me conhece.
Posso não ter espaço para animais de estimação.Posso ter que escolher apenas plantas de folha carnuda ou cactos.
Posso lutar por manter rotinas.
Mas tenho sobreiros e abetardas.
Tenho todos os livros de bibliotecas.
Tenho a novidade.
E os lugares... não há substituto para os lugares que nunca se chega a conhecer.
25.7.15
Férias já se foram e começa agora uma nova etapa.
Um mês e meio mais em Beja. Terminar o trabalho iniciado e rumar ao Centro do país lá para meados de Setembro.
Depois é voltar onde já fui - por quatro vezes - feliz. E iniciar a investigação que sempre quis fazer.
Quando é por gosto não cansa não é mesmo?
Entretanto arranjar mais 20 000 projectos para ter income (na carteira e na vida).
E descansar?
Mudar para mim já é descansar.
A vida não têm modo de pausa.
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6.1.15
6.11.14
18.10.14
Adeus Baleizão
Heraclitus
Terminou há uma semana o pior ano da minha vida.
Havia uma sombra que cobria os meus dias e retirava alegria ao que antes me fazia feliz.
Embora tenha lutado sempre para que não me domina-se dias havia em que era quase insuportável. Mudei em mim muita coisa para terminar este ano. Valorizei cada pequena alegria e relativizei tudo o que me tornaria negativa e zangada. Ainda assim comia pior, diminui a minha participação social (o blog foi uma das vítimas), e escudei-me em poucos amigos (que conheciam a situação) e na família.
A razão da minha infelicidade era o meu trabalho. Uma parvoíce para quem está bem e uma realidade próxima para quem sente o mesmo.
Este foi o ano sob o domínio da expressão "aguenta". E aguentei, não fiquei deprimida, tive ajuda de muita gente e tive muita força interior para duas coisas:
1. Não deixar de sorrir, sempre.
2. Não descarregar as frustracções em ninguém.
Fui forte e capaz de mudar.
A semana que passou foi a mais feliz de toda a minha vida. Tinha todas as razões menos uma. Agora já acabou.
Viva a mudança e a serenidade.
30.8.14
From London (especialmente para a minha querida C. da Felicidade)
Último vestígio do que seria a casa da rainha Anne. Neste caso o local dos seus banhos.
Foi descoberto depois de trabalhos de arqueologia no que é hoje um jardim.
Todo o sistema nervoso humano.
Welcome Collection (o melhor sítio em Londres para comprar souveniers e livros baratos)
Das primeiras fotografias encenadas. Ainda hoje não se conseguiu perceber como é que o autor se removeu da imagem.
Colecção do Victoria & Albert Museum.
Influência das descobertas egípcias na moda dos anos 20.
Colecção do Victoria & Albert Museum.
A entrada do Museu Marítimo.
Um esquilo fofinho que me fez saltar de terror quando se largou a atacar-me os pés.
Também há gatos em Londres. Este fazia-me companhia todos os dias quando saía de casa.
Bancos na London Library.
Aquiles a ser mergulhado nas águas pela sua mãe.
Colecção do Victoria & Albert Museum.
A linha de Greenwitch.
De e para casa percorria este caminha à beira do Regents Canal. Muitas pessoas vivem aqui, no interior dos barquinhos que se vêem lá ao fundo.
Batido de Oreo para retemperar as forças.
E depois há coisas assim... estamos a andar na rua, apenas a observar as pessoas e os lugares, e damos com uma casa onde o Darwin viveu.
Na estação de St. Pancas.
A meter o bedelho onde não sou chamada.
Brinquedos articulados de origem grega.
British Museum.
A estação de St. Pancas.
Lindissíma.
As montras nas lojas turisticas em frente ao British Museum.
Isto é importante. Decorem este nome porque esta é a livraria mais incrível de Londres.
Primeiro tem uma organização por temas muito fluida e original. Depois tem uma secção enorme de saldos. Por último podemos gastar uma tarde a ler o que comprámos na cafetaria porque é dos locais mais acolhedores de Londres. (sim eu fiquei com vontade de trabalhar ali)
Verdadeiros braços de Tiranossauro.
The Natural History Museum.
Desenhos paleontológicos. Muito semelhantes a desenhos arqueológicos.
The Natural History Museum.
Arquitectura biológica.
The Natural History Museum.
Uma praia londina.
Num mercado.
(fiquei fã destes mercados)
Um dos sítios mais curiosos que visitei. Um cemitério - St. Pancras Old Graveyard - dos séx. XVIII e XVX.
Aqui as lápides que foram recolhidas depois de se destruir parte do cemitério para construir uma linha de caminho de ferro. Foram colocadas em torno desta árvore que com os anos foi crescendo e engolindo as lápides. agora fazem parte da própria árvore.
Mais uma imagem do mesmo cemitério.
A lápide do professor de Charles Dickens!!

Ainda no mesmo local.
O mausoléu que inspirou o autor que criou as famosas cabines telefónicas vermelhas.
O banco onde os Beatles sentaram os seus populares traseiros, um dia em 1968.
(sim... ainda no mesmo cemitério)
Um berço medieval.
Victoria & Albert Museum.
A moda através dos séculos.
Uma mina de ouro para qualquer visitante feminina.
Victoria & Albert Museum.
Pelo aspecto podem não acreditar mas isto foi das melhores coisitas que eu comi na vida.
Comprado na rua ao Pie Minister (ai o humor inglês) é composto por uma tarte de carne e bacon, molho de carne, puré de batata (delicioso), puré de ervilhas, cebola caramelizada e queijo ralado.
Para finalizar: comida vietnamita (deliciosa) acompanhada por dois amigos que me souberam receber tão bem que o gosto e admiração que desenvolvi pela cidade é só culpa deles.
10.2.14
From abroad
Lili on the bridge
"Não há decepções possíveis para um viajante, que apenas vê de passagem o lado belo da natureza humana e não ganha tempo de conhecer-lhe o lado feio."
Machado de Assis
26.11.13
Alentejo
Terra parida,
Num parto repousado,
Por não sei que matrona natureza
De ventre desmedido,
Olho, pasmado,
A tua imensidade.
Um corpo nu, em lume ou regelado,
Que tem o rosto da serenidade.
Miguel Torga
6.10.13
Walking on my Shoes - As botas do trabalho
Na senda de inúmeras bloggers que postam os seus sapatos inicio aqui uma rubrica onde não só vou postar as fotos dos meus sapatos como, para tornar a coisa mais gira e sumarenta, contar um pouco do que percorremos juntos. Se existem objectos que contam histórias é o calçado.
Comecemos então pelo fim. Hoje faleceram as minhas botas de trabalho.
Já andavam a prometer umas boas entradas de água ou terra se continuasse a insistir em as calçar, vai daí reformei-as após 10! anos de uso.
Se algo me acompanhou desde que comecei a trabalhar foram estas botas. Devem ter sido a minha primeira compra na Decatlon (eu já não sou dada ao desporto desde tenra idade), por obrigação de ir escavar para os lados do Redondo, tendo sido estreadas na minha primeira escavação!
O primeiro dia em que calcei as minhas botinhas. Como se pode ver eu era uma jove (assim com jeitos de velhote alentejano a falar)! Os meus amigos da foto, continuam frescos e fofos, sem facebook ou contacto com redes sociais por isso as suas carinhas larocas vão tapadas com as estrelas que eles representam na minha vida. Outro pormenor interessante é a constante presença de oliveiras (às quais eu faço alergia...) durante todo este tempo.
Depois, acompanharam o meu crescimento e passaram por Fronteira, Macedo de Cavaleiros, Mora, Tomar, Abrantes, Torre de Moncorvo, Coimbra, Setúbal, Ferreira do Alentejo e Leiria. Viajadas não são? E olhem que isto de encontrar uns sapatos com que se trabalhe bem é muito difícil.
Com elas a emoldurar-me os pés fiz muitos amigos e senti dissabores. Escavei villae romanas e sítio com mais de 8000 anos, desenterrei muita gente antiga e caminhei dentro de grutas (abrigos) que serviram pastores e comerciantes em viagem.
Passei muito tempo a olhar para giratórias e outro tanto para paisagens tão diferentes, como pinhais, searas, campos de milho e olivais, rios selvagens e domesticados, para o mar e para as cidades.
Botas em acção (que é como quem diz calçadas)
Agora vão caber apenas na minha memória, junto com os locais onde me guiaram.
A banda sonora recomendada.
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