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27.3.18

Teaser Tuesday




- Pegar no livro que se está a ler;
- Abrir numa página aleatória;
- Partilhar duas frases dessa página;
- CUIDADO PARA NÃO INCLUIR SPOILERS!;
- Partilhar também o título e o autor do livro.

Teaser:
"That spectacular leap from the middle to the top had enormous consequences.Other animals at the top of the pyramid, such as lions and sharks,, evolved into that position very gradually, over milions of years."

Sapiens, A brief history of humankind , Yuval Noah Harari

8.3.17



O mais difícil em ser é definir um limite para nós. Como órbitas de planetas que lhes permitem estar aparentemente livres no espaço sideral e que afinal estão tão confinados a um caminho como um eléctrico nos seus carris.
Qual a nossa elasticidade em ser? Se não esticamos os limites até aos 22 anos e o decidimos fazer depois somos doidinhos. Insanos remetidos à psicanálise. Só nos safamos de fazermos o que quisermos se formos para o chapitô ou assim enquanto é tempo.
Mas voltando aos limites. 
Há coisas que quero. Mas até que ponto? A minha órbita vai esticar até ao limite da minha paciência, da minha resilência, da minha vontade e quando não der mais vou dizer "escolhi outro caminho". Mas não. Foi mesmo o meu limite.
A questão das escolhas também é bonita e dá para todo um novo e longo post. Gosto particularmente de ouvir lições de vida de quem não fez uma única escolha. Ficou com aquilo que lhe caiu ao colo. Hoje são felizes. Não sabem sequer o que são limites. Planetas em órbitas circulares. 
Eu cá sou mais elipses. 

12.2.17



Um dia o melhor das 24 horas começou a ser o momento em que nos deitávamos na cama. Antes de dormir. 
Pés e braços dados num reencontro após a separação laboral e social.

Um dia olhámos um para o outro e descobri-mo-nos casados. 

Se nos perguntarem como nós fizemos vamos sempre dizer que foi por artes mágicas.

2.4.16




Mandar lixar os dias que parecem escurecer tudo vendo como há coisas tão bonitas a ser feitas pelos homens.
Saved by art.

1.8.15




Um  Sábado de Agosto em casa.
O calor expande-se lá fora.
Aqui ouve-se música que me ajuda a atingir o que mais preciso por estes dias... serenidade.

14.2.15


Quando te conheci ninguém me fazia falta. Estava completa sozinha.
Desde a adolescência há sempre alguém, claro. Há sempre quem nos ocupe o pensamento. Uma vestigial marca do passado, uma presença presente que apenas vale para nos fazer rejeitar ou ser rejeitados, ou uma lembrança de um hipotético futuro que nunca será. São os espectros que vamos coleccionando enquanto passagens vivas.
Dizia que me sentia completa. Vivia sem pensamentos esfuziantes mas habitava espaços e usufruía de pessoas. A ansiedade estava ausente, os caminhos planos, os passos seguros. Havia liberdade em ser só uma.
Depois vieste tu. Conheci-te por fotografia. Onde é que já se viu nos dias de hoje? Nesse dia olhei-te e senti-me no topo de uma montanha russa prestes a descer. As entranhas deram sinal. Na tua presença o meu corpo respondia de forma ainda mais visceral. Foi-se a serenidade matinal. Suores, pressas, coração descompassado, lábios secos, tiques nervosos de dedos que não largam os fios do cabelo. À tua frente, uma falsa serenidade. Por dentro, a ebulição.
Lá se foi o caminho em linha recta, o usufruto dos amigos, os lugares, as músicas, os filmes, os livros, as horas egoístas que só a mim diziam respeito. A caixa de mudanças não mexia, todos os dias passei a meter a quinta para tomar uma única direcção, tu.
Aos poucos a paixão complementa-se e ajusta-se. Há lugar para concessões, partilhas e novos hábitos. São dois que se emparelham. Há que manter uma distância constante. Respeitar a individualidade num caminho comum. Os passos são agora mais seguros. A paixão e o amor persistem. A amizade e a admiração crescem. Cinco minutos sem ti e já tenho saudades. Falta-me uma parte.
Quanto te conheci sabia estar completa. Hoje sei que assim foi porque só dois seres completos, serenos e conscientes de si se podem dar tão totalmente um ao outro.


30.8.14




O Jardim

Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.

Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.

António Ramos Rosa, in "Volante Verde"

26.6.14

Coisas que me aquecem




- Leva-me uma travessa de fruta cortada (que eu raramente como) à beira da piscina. Sem a pedir.

- Vê-me triste e permite que faça a distancia Vidigueira - Pedrogão ( 17 km) em quatro horas, porque nos entretantos vou fazendo caches para me alegrar.

- Todos os dias, depois de me beijar, cheira-me. Nariz na pele do pescoço e toca a inalar. Sabe bem.

- Leva-me a sítios que servem omeletes. Uma mania grande.

- Se está quente à noite o grande drama é como é vamos dormir sem tocar um no outro (nunca aconteceu, ficamos com as pontinhas dos dedos dos pés em contacto).

3.11.13

Fui a Vila Chã e chorei




Há uma terra, para os lados do Barreiro, que se chama Vila Chã. Depois de morta, a Rosa, minha avó, foi para lá.
Vila Chã nunca tinha existido para  mim. Hoje é um sítio que visito de tempos a tempos. Na sexta-feira, por saber que a avó Rosa gostaria, fui lá. Sentei-me na borda da campa e conversei com a avó Rosa como sempre o fiz, voz alta, olhos expressivos e sorriso na cara. Contei-lhe dos amores, da minha vida nova em Beja, da minha mana caçula e de como está a viver bem a vida, dos meus pais no seu amor de décadas e da minha prima, caloira este ano. Falei-lhe do que gostava que ela tivesse presenciado (a defesa da minha tese, que lhe dediquei; a minha casa, onde há tanto dela) e disse do que tinha saudades (os abraços com amor, as conversas ao telefone, os beijinhos intermináveis, a canja, a cerelac, o arroz doce e os biscoitos).
Levantei-me e ao fundo da campa, chorei! Há amor, há saudade!
 
A minha avó nunca morou em Vila Chã. Foi um dos acasos da vida (ou da morte) que ditaram que era ali que ela iria ficar. A minha avó mora debaixo das videira, onde em criança se deitava a comer uvas directamente da árvore. Mora em todas as ruas de Campo de Ourique onde viveu a felicidade que envolve os recém-casados. Mora nas lezírias do Ribatejo, onde os frutos são silvestres, os touros seguem com o olhar os que passam nos caminhos e a sopa é da Pedra. Mora no braço da minha mana caçula onde está tatuada a frase que tanto dizia e mais nos marcou, não uma frase poética mas sim uma frase feita - a vida é maravilhosa. Mora em nós, nos nossos gestos, palavras e hábitos.
 
Fui chorar a Vila Chã mas, diariamente, sorrio onde estiver. É um sorriso de avó Rosa.

13.8.13

O que fazer com estas férias?



Eis chegada a altura em que finalmente tenho 15 dias destinados ao dolce fare niente. Pensei nestes dias mais vezes por dia do que o mentalmente saudável, mas os dois últimos meses foram muito exigentes e esta era meta que às tantas me motivava.
No dia 1 de Agosto lá estava a fazer as malas e, parte mais importante de todo o processo, quais os livros que ia trazer. A selecção caiu nos da foto em cima. Só li um (o mais fino) e um quarto de outro... O que fiz com o resto do tempo? Não sei muito bem! O que sei é que pela boca morre o peixe e em vez de ficar a ler os meus livrinhos me vi num concerto do Anselmo Ralph descobrindo com enorme surpresa que o senhor não só canta bem como tem uma banda muito jeitosa a acompanhá-lo, é pena que as músicas sejam assim um bocado para o cocó. No final do concerto achei que o sr. Ralph é assim umas mistura de Bonga  e Robert Johnson.
Depois do infame concerto vi Orelha Negra + Orquestra + Valete e fiquei de queixo caído. Já gostava muito e fiquei a apreciar ainda mais. Tudo ali é bom. E eu já vi Xutos+ Orquestra e GNR+ Orquestra, que não tem, assim nem de longe, nada que ver com Orelha Negra. Para quem não viu aqui ficam uns mimos.
 
 
 
Este último vídeo, em que a música age em combinação com a arte de Vhils, vale bem a pena.
 
Ora entre leituras incompletas, visitas inesperadas a festivais, praias lotadas e dias de cacimba, noites que principiam tímidas e acabam às 6 da manhã (e como eu odeio voltar para casa de dia), passeios pela costa alentejana regados a vinho verde e alimentados pelo (pouco) marisco que se consegue pagar não sobra tempo para nada daquilo a que me propus... Resta chegar a Lisboa e tirar férias das férias.
Assim como assim esta Lili já merecia uns dias em que lavar a loiça é o ponto máximo de actividade.  

9.8.13

É tramado



quando o alvo da nossa paixão desregrada nos beija exactamente,  não como queremos, mas como sempre soubemos que íamos gostar.

"Lust's passion will be served; it demands, it militates, it tyrannizes."

Marquis de Sade