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11.2.17




Nunca alimentei sonhos. Sempre vi alguns caminhos que poderia escolher seguir e fui andando mais por intuição do que seguindo a razão. Ainda assim aqui estou nem perto de insatisfeita. Com o tempo notei que fiquei mais ambiciosa (coisa que não era mesmo nada sendo a ausência da ambição até um defeito) e embora tenha ganho com isso também me tem saído mais das tripas. O make it happen por vezes impõe-se quando apenas queremos esperar na fila. Enfim chegamos aos sonhos. Há dias estava com o R. e comecei a pensar se os teria. E tenho. Dois ou três. O que está acima na lista é tão simples e difícil que serve bem para farol dos outros.

Quero uma casa no campo. No meu campo onde tenho raízes. Para os lados de Almeida. Uma casa de fim-de-semana mas também de semana, quando estou em época de relatórios ou de escrita de artigos. Uma casa para receber amigos que se irão deslumbrar com a vista  quase virgem da paisagem (a linha de comboio lá ao fundo é hoje mais um património abandonado que se funde com o natural). Uma casa onde vou ter pão, vinho, queijo e fumados sobre a mesa e será o suficiente para longas conversas. Uma casa onde vou ler na varanda ao por do sol. Uma casa com quintal onde o R. vai criar tomates, papoilas e uvas. Uma casa para ser feliz.

O preço suporta-se, as obras também, o que é mais difícil é o tempo. Comprar tempo é o sonho real de toda a minha geração. Faltam-nos horas. Alguns escolhem não ter filhos, outros escolhem como passatempo viajar (que na verdadeira acepção da palavra deveriam querer dizer "sair do tempo" até porque se cria um fluxo novo de dia a dia por uma semana). Já não se come em casa. Não há tempo para ir às compras e preparar refeições. Enfim. A mim o que falta é tempo para me por na A1, A23 e A25, com portagens para pagar, semanalmente, sem que isso me faça mossa na carteira.

Estamos a tratar disso.
Mas lá está. Por agora falamos de um sonho.

9.4.16

Ainda Janeiro não tinha acabado e já 2016 tinha deixado a sua marca


A minha viagem ao Norte foi muito mais que formativa.  Sozinha e com uma rota  a seguir foram poucas as fotografias tiradas. Ando a aborrecer-me com todas as imagens. Prefiro usufruir. Isso é uma coisa que tem chegando de pantufas com os anos. 


A chegada à capital do país escocês é das bonitas que tive o prazer de experimentar. Mais de 15 minutos sobre o rio, as pontes e as ilhas. Tempo suficiente para reviver os livros e os filmes chave. Já estava rendida e ainda não tinha colocado os pés em terra. 




Edimburgo é uma cidade lindíssima. Começo a ter inveja das pessoas que vivem nestes locais com muito terreno plano e boas ruas para andar de bicicleta. O céu não costuma estar azul (segundo relato de amigos residentes) e o frio é mais que muito. Gosto muitíssimo. Visitei a Biblioteca Nacional da Escócia que não envergonha o país. E... corri em Princess Street.


Saí da Escócia num comboio inglês no meio de uma tempestade de neve (ah as almas românticas encontraram aqui abrigo seguro). O campo e costa que visitei com o olhar (Northumbria) durante a viagem até Durham eram deslumbrantes. Voltarei, um dia. Equipada com vontade, dinheiro e um amigo que queira conduzir do lado errado da estrada.
Durham é uma cidade de conto de fadas. Reparei que o meu deslumbramento imediato à vista de cada nova localidade é inversamente proporcional às gruas que se elevam nos céus. Aqui não há gruas. A cidade é mágica. As pessoas são simpáticas. Aceitam dinheiro escoçês sem fazer má cara e levam-nos a provas de vinhos. Voltarei.

O prazer de viajar sozinha está a crescer. Talvez com um irmão seja igualmente recompensador, não há grandes fretes que se faça com irmãos. Com um amante é capaz de tornar a coisa mais como uma paisagem do que uma vivência. Amigos só muito selecionados... aqueles que amamos como a irmãos.

23.8.15


Foi há 8 anos mas na realidade numa outra vida.
As datas são difusas mas deve ter durado mais ou menos um mês e meio. 
Foi quando vivi no paraíso. Para além das paisagens puras e do ar cristalino que nos entrava pelos pulmões havia toda uma disponibilidade para apreciar sem pressas.
Trabalhava-se durante umas 10 horas. De manhã acordava-nos com a neblina - o lugar é quase cercado por água - e à tarde, sem qualquer peso no corpo, íamos mergulhar na água calma do Azibo.
Durante semanas percorríamos as aldeias mais interiores de um dos mais esquecidos concelhos de Portugal. Para conhecer mais sobre o patrimonio local tínhamos que falar com aqueles velhos e velhas, redutos do século XIX, quase, que nos colocavam na mesa vinho, pão e enchidos. Íamos sempre de barriga vazia para não fazer desfeita.
Nos dias quentes, depois de almoço, cada um seguia com a sua cerveja (menos o condutor claro), vento quente a entrar pela janela, rodas a percorrer estradas desertas.
Como estarão agora esses caminhos e essas gentes? Aquele era o tempo das vacas gordas (ou assim parecia).
Viviamos nestas casas bonitas e confortáveis com direito a refeições. Hoje o projecto mudou de direcção. As casas estão lá, tal como o Azibo, as estradas e, espero eu, as gentes. A gastronomia é do melhor e ali ao lado, depois da fronteira, estão os Picos da Europa. A paisagem mais linda que me foi possibilitado ver.
Agora as casas podem ser vossas pelo tempo que desejarem. Este é um segredo nosso. Vejam aqui e sejam felizes. 

(Não existem fotos. Tirámos muitas e todas se perderam. Há coisas que são mais bonitas lembradas apenas pela memória.)

11.1.14

Como ouvir um concerto de Tame Impala sem sair do sofá!



Esqueçam o ar dos moços... isto é descendência directa dos Beatles! Que bom.

23.10.13

Teatro Rápido - Monólogo sem Título



 
[Desde que chegou à capital para começar uma nova vida, Mateus, um jovem proveniente de uma aldeia escreve a seu pai. Através de palavras e silêncios surgem feridas profundas quase invisíveis. A vida nunca é o que esperamos dela…

A partir de 3 a 31 de Outubro, de 5ª a 2ª feira
Duração: 15min
Preço: 3€...

Ficha técnica:
Texto de: Daniel Keene | Tradução: Pietro Romani
Encenação: Mickael Gaspar | Interpretação: Marc Xavier
Cenografia: Angela dos Santos Rocha 

"Eu gosto de estar sozinho só não gosto quando estou em casa é de facto engraçado eu gosto de estar rodeado por pessoas mesmo que eu não as conheça eu gosto de estar na minha desde que não esteja sozinho é engraçado" Mateus, Monólogo sem título]

Há uns anos (e quando se vai a ver é há mais de 10) eu - tentei - fiz um curso de teatro com a minha amiga Cat. Foi das coisas mais difíceis que fiz na vida. Percebi que não tinha feitio (sim é necessária uma personalidade particular para servir de vaso a outras pessoas e exibir isso à frente de outros) para a coisa e desisti antes da apresentação final. Ainda que esta passagem pelo teatro tenha sido breve e infrutífera eu nunca mais fui capaz de olhar para uma peça com a ingenuidade de quem nunca experimentou representar. É por esta razão que sei bem o que representa exibir um monólogo e o que este - mesmo que de 15 minutos - exige de um actor. Em vários momentos da representação a contracena é fundamental para nos orientar e situar. No monólogo o actor conta apenas consigo.
O Monólogo sem Título tem interpretacção de Marc Xavier e encenação de Mickael Gaspar e aos dois se deve o sentimento de satisfação que senti quando abandonei  a sala no final dos espectáculo.
Não achei o texto especialmente atraente, sobretudo por me dar a sensação de se querer o Rossio na rua da Betesga. Foram abordados muitos assuntos e, como por critério as peças tem 15 minutos, estes não são muito aprofundados. Há uma sensação de ritmo enorme no desenrolar do monólogo, várias coisas se sucedem não sendo este de todo monótono, conseguindo o actor captar muito bem a atenção do público do início ao fim (a que não é alheio o engenhoso uso que faz do cenário, já por si, muito conseguido).
Sobre o que á peça? Sobre um indivíduo engolido pela cidade, pela solidão e pela falta de sentido ou propósito para a sua vida. E aqui voltamos à primeira peça de que vos falei, O Arquivo!
 
Vale a pena ver este Monólogo sem Título e vale muito a pena ir ao Teatro Rápido! Eu vou tornar a ida ao  Chiado (e a este teatro) um ritual mensal.


 

22.10.13

Teatro Rápido - Morrer na Praia



"Micro-peça no Teatro Rápido
Outubro de 2013
Texto de Filipa Leal
Com Inês Veiga de Macedo e Ana Lopes Gomes
Cenografia Miguel Bonneville
Vídeo Tomás Baltazar
Cartaz Teresa Types

 
Descrição
Leonor perdeu o marido. Perdeu-o na praia. Não se lembra de mais nada. Marca uma consulta de Psiquiatria porque quer recuperar a memória, quer descobrir o que aconteceu. Como um detective, a médica tenta perceber quem é aquela mulher, e o que há de verdadeiro na história que ela conta."
 
O absurdo do dia a dia´é por vezes de tal modo extremo que eu me confronto  se devo ou não escrever sobre certas coisas que me acontecem ou de que sei aqui no blog. Há uma tendência estrondosa para que, como diz o clichê, a ficção seja ultrapassada pela realidade.
Se penso duas vezes em contar certos episódios, é, exactamente, por achar que quem me lê os julgue falsos de tão improváveis.
É este o ponto de partida para a conversa que nos é dado assistir nesta peça (de que gostei muito). A linha que divide a realidade e a ficção, em situações não presenciadas é tão ténue, que a psicóloga tem dificuldade em a encontrar. Mais, a própria paciente julga que está a experimentar devaneios dignos de um louco.
O texto é interessante mas o trabalho das actrizes é exímio. Adorei.
O final é apoteótico. E demonstra que uma peça sob o tema "excluídos" não tem que pesar uma tonelada.
 
Recomendo!

21.10.13

Teatro Rápido - Burrocracia



Encenação e interpretação de Isabel Mões e João Ferrador. Estreia dia 3 de Outubro na Sala 1 do Teatro Rápido.
 
"Descrição
Centrado na questão da burocracia a peça revela, pela ficção e pelas histórias verídicas que lhe confluem, a exclusão do cidadão dos seus direitos pela ineficiência das instituições públicas.
Uma idosa falha o prazo para fazer a prova de vida e é declarada oficialmente morta nos dados da função pública. Empreende, então, uma luta titânica contra a arbitrariedade dos burocratas para provar que está viva. Pelo caminho reflecte nas opções de vida do seu passado e angustia-se por o filho não aceitar tomar conta dela. Um espectáculo sobre a insensibilidade esmagadora da burocracia e construído a partir de reclamações reais de cidadãos sobre o atendimento nas repartições públicas.
"
 
Este é um trabalho interessante sobre os obstáculos que a burocracia e a "papelada" representam na vida de um cidadão. No entanto, julgo que a peça podia ser desdobrada em duas. Uma focando-se mais no problema burocrático, muito bem abordado pelos actores e complementado por imagens gravadas com pessoas comuns junto das entidades burocráticas. Outra poderia optar por refletir sobre as escolhas que se fazem durante a vida e como é que elas podem influenciar o nosso futuro. No caso concreto da peça a relação entre a mulher e o filho.
Gostei do trabalho dos actores, gostei dos dois níveis de crítica, mas para uma peça de 15 minutos pareceu-me querer tocar em dois instrumentos ao mesmo tempo.

20.10.13

Teatro Rápido - O Arquivo


 
A peça de que mais gostei. A peça que mais me incomodou.
Há um género de acordo entre os actores e o público que, se nunca se verbalizou, pelo menos se sente num teatro regular. A penumbra que envolve a plateia serve tanto para esconder as reacções de quem assiste como para dar mais conforto ao actor, que assim não se confronta com as centenas de olhos postos em todos os pontos do seu corpo.
Em O Arquivo, a sala é mínima, terei contando dois bancos corridos com uns 8 lugares (dos quais 6 estavam preenchidos), dispostos em ângulo recto em torno do palco (sendo que os outros dois ângulos rectos eram constituídos por paredes). O efeito é um pouco claustrofóbico, o que se pronuncia mais quando os actores fazem o que lhes compete - actuar - e nos usam para fixar o olhar.
Quando se ultrapassa esta situação (se se ultrapassar, eu acho que a estranheza da posição onde me encontrava, tão perto da acção teatral nunca desapareceu) e a peça se desenrola percebemos que a proximidade serve bem o propósito do que viemos presenciar.
Num arquivo de livros (estranhamente livros que parecem ter saído das estantes cá de casa) uma mulher arruma-os em estantes, como é esperado da sua função, e um homem lê, recusando-se a coloca-los nos seus lugares. Toda a cena se torna muito kafkaniana ( e, de facto, Kafka e a sua metamorfose são parte essencial à compreensão do que algo se passa) e a questão que emerge é só uma: quando é que estamos mortos para o mundo (a sociedade?). Arriscando continuar: quando é que somos excluídos? Como podemos deixar de o ser?
Também há Oscar Wilde. Uma pequena cereja em cima de um generoso bolo.
 
Recomendo. 


De 3 A 28 DE Outubro
Sessões: 18:05, 18:35, 19:05; 19:35, 20:05
Texto e encenação de Hugo Biscaia Barreiros
Interpretação: Gonçalo Brandão e Soraia Tavares
Fotografia : Sérgio Dinis
Co-produção:
Mecanismo Criativo

Is it a plane?


 
Não é um videoclip nem um concerto, não é um documentário, mas acontece que também não é uma ficção!... Tem um realizador de cinema (e com dinastia) - Roman Coppola - por trás das câmaras e uns quantos actores na frente - Bem Stiller e Michael Cera são apenas dois nomes -, pelo meio aparecem anúncios, trailers, cabeçudos, músicas novas dos Arcade Fire e Bono. É assistir (eu gostei)!
 
Falando do Creators Project:
 
"Founded by a revolutionary partnership between Intel and VICE, The Creators Project celebrates visionary artists across multiple disciplines who are using technology in innovative ways to push the boundaries of creative expression.

With The Creators Project, Intel and VICE have built a premier worldwide arts and culture channel.

Launched in 2010, The Creators Project includes daily video and editorial content, an official YouTube Channel, original artwork commissions, and global events. To date, there are more than 500 Creators from around the world. Participating artists include Karen O, M83, Benh Zeitlin, Animal Collective, The xx, Chris Milk, Florence and the Machine, Spike Jonze, Amon Tobin, Matt Pyke, Anthony Wong, Supermarche, United Visual Artists, Sticky Monster Lab, Takeshi Murata, Andrew Huang, Vega Zaishi Wang, Mick Rock, David Bowie and Barney Clay."

16.10.13

O Teatro Rápido



Desde algumas semanas que queria ir ao teatro Rápido. Como este fica mesmo na rua ao lado da Brazileira, bem no Chiado, esperei até ter um programa para o dia e uma companhia que sabe bem apreciar. Foi a Lilas que respondeu ao meu repto e lá pusemos os pés (e o metro) ao caminho.

O Teatro Rápido consiste num projecto fora do comum. Peças de apenas 15 minutos, de várias companhias, num total de quatro, que mudam mensalmente e se constroem em torno de um tema comum. Este mês o tema é o da Exclusão.

As apresentações começam às 18h e seguem (três por dia de cada peça) até depois da hora de jantar. Há várias modalidades de visionamento (e pagamento): ver uma peça em cada visita (3 euros por peça) ou então comprar bilhete para as quatro peças (10 euros) e estar preparado para entre espectáculos e pausas dispensar cerca de uma hora e meia do seu tempo (bem dispensado aviso já :) ).

A cada peça está entregue uma sala de apresentação e o tempo entre estas é de cerca de 5 a 10 minutos. Tempo que pode (e deve) ser passado no bar do teatro, um sítio cheio de pormenores e onde sabe bem estar. Ainda para mais há o bónus da exposição que lá se instalou.

Nos próximos dias vou contar como foi a experiência vivida em cada peça.
 
Mais sobre o Teatro Rápido.
 
Em baixo ficam os registos de algumas visões do Teatro, especialmente do bar.
 






 

1.6.13

Sou uma máquina


 
 
quarta-feira sou convidada para o casório deste ano (só vou a um por ano, regras da casa) e sábado já tenho farpela! E gira!

Também f&%$ o meu pára-brisas quando estacionei o carro por baixo daquelas àrvores com floreszinhas que deitam uma seiva. A seiva colou-me o pára-brisas ao carro eu ponho aquilo a funcionar porque tenho o vidro do carro em modo suíno e aquilo parte-se ao meio...

29.5.13

Comprei uma bicicleta!!


 
B.B., aquela mulher... o Gainsbourg é que a sabia...
 
Não importa  os anos que se passarem, a alegria de comprar uma bicicleta é praticamente igual à que senti quando me deram a minha primeira - a amarelinha - com rodinhas e cestinho. Ando para aqui cheia de borboletas no estômago de pensar que  a vou buscar hoje! (e olhar para o menino da loja que também era bastante agradável)
 
Ora como se sabe nestas coisas das grandes alegrias não se consegue falar de mais nada por isso aqui vai um pim, pam, pum dedicado a esse notável meio de locumução, dona bike! 
 
Pim!
 
Blanchet
 
Pam!
 
 
 
 
 
Pum!
 
 
 
 
 


1.4.13



Dediquei-me finalmente a explorar o Coursera. Fiquei, à primeira vista, muito agradada e até já me inscrevi num curso - de tema tão rebuscado que não tem lugar aqui - a começar em Junho. Como ainda não tive aulas não posso opinar mais do que sobre a oferta e a facilidade de inscrição.
Ora entre vários cursos de todas as áreas possíveis e imaginárias pisquei o olho a um sobre a história do rock (dos inícios aos anos 60), um sobre poesia moderna e contemporânea nos EUA, outro sobre o Egipto e até um sobre os mitos da arqueologia que poderia usar para reciclar conhecimentos.
Depois de escolher um mais simples e que sei poder seguir com facilidade foi mais que simples o acto de inscrição e agora aguardo pacientemente (NOT) que me enviem mais informações e que o curso inicie. Como parte das aulas passa por dissecar alguns filmes vou dedicar-me a rever alguns e conhecer outros.

E sim...parece que ando cheia de tempo!...

8.11.12



A necessidade aguça o engenho já se diz há muito tempo.
É normal que quando todos os dias nos tiram mais algum do que ganhamos se corte no excesso e embora julgue a cultura essencial, parte daquilo que somos e do que nos forma, não almoço Lynchs, lancho Joyces ou janto The Smiths com batatas. Assim, e como gosto de ter acesso aos meus bens culturais (que me previnem depressões, me fazem prescindir de viagens para fora ou encarar gente dispensável), há que caçar com gato.
Aqui me assumo então, sou uma papa passatempos, daqueles que dão bilhetes, livros, dvd´s... e partilho hoje um segredo para quem é da região de Coimbra. Há na RUC (Rádio Universidade de Coimbra - emissão online aqui) um programa nas tardes de segunda chamado Culturama. Este simpático programa para além de nos brindar com boa música (o que é comum na RUC) oferece entradas (e recomendações) para  praticamente tudo o que é espectáculo interessante em Coimbra.
Esta semana, estava eu a andar de carro pelo trabalho, decido ligar para ganhar bilhetes para o cinema. E foi assim, ganhei.

O filme foi uma batalha, uma hipnose de duas horas e meia e uma rendição. Do melhor que vi até hoje. E felizmente vi-o numa sala de cinema. Obrigada RUC.








Uma boa desculpa para correr




Digamos que a minha ideia de exercício é uma hora de pilates. Gosto muito de me imaginar a correr quilómetros ou a fazer enormes caminhadas mas depois na hora H a vontade desaparece-me por entre os dedos. Assim gosto muito destas corridas que carregam um conceito e neste caso é ficarmos todos pintalgados.

A Color Run é uma corrida inspirada nos festivais hindus e apenas pede que os participantes se apresentem com uma camisola branca para depois serem polvilhados por um pó colorido, uma cor para cada quilómetro, sendo claro que no final aqueles que correram mais são os que mais coloridos se apresentam. No final há um banho de cor para todos.

As regras são apresentadas no site oficial:
Regra nº 1 : Todos os participantes são bem-vindos… sejam rápidos, lentos, caminhantes, idosos e jovens.
Regra nº 2 : Uso obrigatório de uma t-shirt branca no início da prova
Regra nº 3: No fim, ficar como se tivessem caído num pote colorido do arco-íris!


A corrida vem pela primeira vez à Europa no próximo ano, logo por porta de entrada portuguesa, onde ocorre em cinco cidades: Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Aveiro.
As inscrições abrem já em Dezembro no site oficial da corrida.

Vemo-nos lá?

30.10.12



Hey! Hey! Já repararam que ir ao teatro é agora mais barato do que ir ao cinema? E evitam o centro comercial... Passeiam na rua e ainda comem umas castanhas assadas! ora vejam lá num teatro perto de casa.

Lisboa - Anos 60



Estação do Saldanha, Metropolitano de Lisboa, 1959


"O chefe de Estado, o cardeal-patriarca e 500 convidados atestam a solenidade do momento, mas a verdadeira festa está guardada para o dia seguinte. Às seis da manhã, mal se abrem as cancelas, uma multidão espantada e ruidosa invade as estações. Há correrias e encontrões. Muitos dos que embarcam ao fim de uma noite de farra nos Restauradores são artistas de variedades. Canta-se e dança-se nas carruagens. Um grupo de espanholas que se exibem num dos dancings da capital actuam com os seus músicos para os aplausos dos passageiros."

Joana Stichini Vilela e Nick Mrozowski in LX60 
(um novo livro, editado pela D. Quixote, que mais que uma viagem histórica a esta década é um objecto a reverenciar, que apetece manusear. Vou extrair excertos de um exemplar que comprei para oferecer no Natal ao meu Pai - o homem vai delirar)

Sou uma nova velha, é o que diz quem me conhece, não por me pôr em casa de manta aos ombros (na realidade é um xaile)  a fazer crochet mas por pequenas particularidades, sobretudo hábitos, que gosto de manter (ou outros que custo a mudar) como não conseguir ler e-books (nem artigos online sequer), a resistência em arranjar uma máquina fotográfica digital foi homérica e apenas este ano cedi aos telemóveis tácteis, na minha colecção de selos antigos ou na vontade que se apodera de mim nesta altura do ano de escrever postais de Natal. Isto tem-se tornado cada vez mais complicado, já que apenas envio a pessoas que estão mesmo fisicamente longe, e por isso escrevo cada vez menos. Eis quando fico a saber que a Ursa Polar promove no seu blog uma grande rambóia de troca de postais natalícios. Aderi no mesmo instante. Agora fico à espera que me seja enviada a morada e o nome a quem enviar. Gostei tanto da ideia que até fico com ansiedade.

É com orgulho que coloco aqui este selo.



Mais info sobre esta iniciativa Polar, aqui.