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14.10.19

Redondos vocábulos 1




O Nobel de Peter Hendke vem levantar a velha questão-Celine... pode um escritor ser tão bom que vale a pena que nos esqueçamos de que é má pessoa?

E se, en extremis, ele é um apoiante do genocídio e ao mesmo tempo nos deixou das melhores reflexões sobre a passagem do tempo e o ligar a que pertencemos em Der Himmel uber Berlin (ou as Asas do Desejo) de Win Wenders? 



“If a nation loses its storytellers, it loses its childhood.”




“Loneliness is a source of loathsome ice-cold suffering, the suffering of unreality. At such times we need people to teach us that we're not really so far gone.”
― The Left-Handed Woman



“In a sense, the mentally deranged and feebleminded were my guardian angels, and when I hadn’t seen any of them in a long time, the sight of an idiot gave me a sudden burst of health and strength.”


Para mim a Arte não se separa da pessoa (que pode ser do pior tipo) e do artista só se pode esperar defeitos, pois no fundo ela é Humano.
A ideia de que o artista maior deve ser supra-humano, um homem sem defeitos, serve apenas a quem gosta do sabor baunilha.



13.1.19

A morte em 3 actos por Julian Barnes


1. "So here´s another logical inevitability. Just as every writer will have a last reades, so every corpse will have a last visitor."

2. "In the hierarchy of the dead it is visitor numbers that count. Is there anything sadder than an unvisited grave?"

3. "Faulkner said that a writer´s  obituary should read: 'He wrotr books, and then he died'".

Julian Barnes in Death


Textinho mui precioso que me fez pensar numa série de mortes cinematográficas. 

A mais invejada, Dom Corleone merece o melhor...


A mais esperada. Três horas (e dois filmes depois) o perfeito anticlimax.


O que fica da nossa vida é a construção de quem deixamos.







3.4.18


- Pegar no livro que se está a ler;
- Abrir numa página aleatória;
- Partilhar duas frases dessa página;
- CUIDADO PARA NÃO INCLUIR SPOILERS!;
- Partilhar também o título e o autor do livro.


Teaser:
"Writing was born as the maidservant of human conciousness, but  is increasungly becoming its master. Our computers have trouble understanding how Homo Sapiens talks, feels and dreams. So we are teaching  Homo sapiens to talk, feel and dream in the language of numbers, which can be understood by computers."

Sapiens, A brief history of Humankind - Yuval Noah Harari 

27.3.18

Teaser Tuesday




- Pegar no livro que se está a ler;
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- CUIDADO PARA NÃO INCLUIR SPOILERS!;
- Partilhar também o título e o autor do livro.

Teaser:
"That spectacular leap from the middle to the top had enormous consequences.Other animals at the top of the pyramid, such as lions and sharks,, evolved into that position very gradually, over milions of years."

Sapiens, A brief history of humankind , Yuval Noah Harari

24.3.18

TAP


E que fazes Lili com 12 horas de tempo livre num aeroporto?



27.2.18

Teaser Tuesday


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- CUIDADO PARA NÃO INCLUIR SPOILERS!;
- Partilhar também o título e o autor do livro.

Teaser:


"A fraude de Piltdown - uma fabricação de dados - mostra que a ciência é uma actividade humana que depende crucialmente da disponibilidade de meios técnicos. O caso afectou seriamente a ciência paleontológica, que não avançou da maneira que teria podido seguir sem a pretensa descoberta.""


A Ciência e os Seus Inimigos, Carlos Fiolhais e David Marçal

1.8.17

Teaser Tuesday





- Pegar no livro que se está a ler;
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- Partilhar duas frases dessa página;
- CUIDADO PARA NÃO INCLUIR SPOILERS!;
- Partilhar também o título e o autor do livro.

Teaser:


"Anos mais tarde soube que era tudo invenção, contou-me ele ou talvez o que ele me contou seja a verdadeira invenção, ou talvez seja tudo mentira ou tudo verdade, talvez ele tenha estado sempre aqui, ao nosso lado, longe, e isto, mas não lho posso dizer, é comédia, uma vida a correr como um filme mudo, se me demorasse mais em cada fotograma talvez pudesse ver a tragédia, se a vida dela me passasse em frente em câmara lenta talvez eu pudesse dizer que triste é a tua vida, Fion, mas foi tudo rápido de mais, ele uma marioneta desarticulada, a abanar os braços, as pernas, a cabeça a pender-lhe para o ombro, uma figura lamentável, um boneco de feira, a gritar:
Fazes ideia do que são trinta anos na merda? Não fazes?"


As Primeiras Coisas, Bruno Vieira do Amaral

4.2.17

Marquises



A minha casa tem uma marquise, azulejos com flores cor-de-rosa na casa de banho e tacos envernizados no chão. Tem também o primeiro volume do Em Busca do Tempo Perdido e o Ulisses. Ambos à espera de serem lidos quando, me mudar para um apartamento nas Avenidas Novas ou um pequeno casebre de pedra numa aldeia abandonada. Escolha auto-exclui um dos volumes. E a autora do texto cuja curiosidade intelectual anda desencontrada das suas qualidades de gestora.

Antes assim. 


28.3.16




BALADA PARA UMA AMIGA VESTIDA DE TERNURA

(...)

...
Amiga, doce amiga,
a tua voz cria as cidades para mim.
As palavras do poema, comovidas,
Percorrem-te os cabelos,
alimentam
o tecer amoroso dos teus gestos.

Amiga, terna amiga,
as tuas mãos abrem em mim os oceanos.
A sombra os antigos sofrimentos
derrotada se esvai
na incrível luz
do teu sorriso de água e liberdade.

Amiga, meiga amiga,
no verde abrigo dos teus olhos eu descanso.
Quantas árvores se erguem, quantos muros
se abatem, quantos rios
desaguam
na confluência dos nossos olhares!

Amiga, querida amiga,
A ternura que me dás viaja-me no sangue.
Sinto que em ti despertam os jardins
onde acontece a vida
e cresce o ritmo
do grato coração com que te canto.


MÁRIO DOMINGOS, in O DESPERTAR DOS VERBOS (Edium Editores, 2011)

25.3.16




O desafio veio na revista Estante (edição da FNAC). Consta em ler (pelo menos) um livro em cada uma das seguintes categorias:

- Um livro de um autor português - Alentejo Prometido (Henrique Raposo)
- Um livro de uma autora portuguesa
- Um livro publicado há mais de 50 anos - A condição humana (Hannah Arendt)
- Um livro escolhido apenas pela capa (dificílimo)
- Um livro escrito sob pseudónimo (nada fácil)
- O primeiro livro de um autor
- Um livro de não ficção - Polio, an american story
- Uma biografia/ autobiografia
- Uma utopia/ distopia
- Uma novela gráfica
- Um livro infanto-juvenil
- Um livro de contos - Granta Portugal nº1 (EU)
- Um livro adaptado ao cinema
- Um livro adaptado à televisão
- Um livro escrito por um sul-americano - Crónica de uma morte anunciada (Garcia Marquez)
- Um livro escrito por um asiático
- Um livro escrito por um africano
- Mais um livro que em 2015 (ou seja...42 livros!)

Até hoje e consultando o meu Goodreads o panorama é o que se vê em cima. Há alguns livros que repetem categorias e outros que se podem inserir em várias mas assim não tem tanta piada. Vou tentar actualizar a lista de três em três meses.

19.3.16




De todas as vezes em que bati no fundo da existência, para além dos braços amigos que me ampararam as quedas com actos e palavras, sempre foram os livros que me salvaram. Não faço colecções mas recolho as minhas memórias de vida por entre as páginas dos livros que li. É um género de palimpsesto em que as ruas de Madame Bovary se mesclam com o cheiro característico a verão de um olival em Baleizão. As histórias de Philip Roth misturam a crise da poliomielite (Nemésis) e as areias salgadas da Páscoa algarvia. Ler na praia é ler na esplanada! Quando em casa (demasiado andarilha não me encontro lá sempre) passo os dedos pelas lombadas dobradas e remeto-me automaticamente para uma específica amendoeira em flor cita em Trás-os-Montes sob a qual conheci Jorge Luís Borges. Por vezes quero acreditar que há melhor que isto (um sorriso, um cheiro, um olhar) mas nada fica de modo tão permanente gravado em páginas de histórias do que os contos memorizados da nossa própria vida.

Amanhã há feira de antiguidades em Coimbra. Dia de abastecer pois então!

18.7.15

o melhor livro que li este ano em três frases






“Anything can happen to anyone, but it usually doesn't. Except when it does.” 

“It's so heartbreaking, violence, when it's in a house-like seeing the clothes in a tree after an explosion. You may be prepared to see death but not the clothes in the tree.” 

“There were two types of strong men: those like Uncle Monty and Abe Steinheim, remorseless about their making money, and those like my father, ruthlessly obedient to their idea of fair play.” 

6.1.15

A descoberta literária de 2014 | Afonso Cruz





“Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele. Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos. Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo. Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade.” 

(foram cinco livros... ainda bem que o autor é um jovem e pode continuar a editar - para meu deleite - por muitos e muitos anos | o contrário designa-se por "síndrome Saramago")

12.1.14


Faz-me ouvir o teu canto, o eco
dos passos sob a negrura das abóbadas, e
o perfume de uma rosa de pele no fundo
dos tapumes. Envolve, ó deusa da tarde,...
com a seda do teu corpo os corpos
que a noite deixou exaustos, e abraça
com um rumor de ausência os solitários
inquietos, como se tivessem perdido
o rumo do inverno nas linhas interrompidas
das suas mãos.


NUNO JÚDICE, in NAVEGAÇÃO AO ACASO (Dom Quixote, 2013)

24.8.13

É um guilty pleasure


mas de tempos a tempos espreito o blog do Cláudio Ramos. E desta vez adorei tanto um post que até deixo o link (aqui)!

19.8.13

Lisboa, amada cidade, surpreende a cada esquina




Balada de Lisboa

Em cada esquina te vais
Em cada esquina te vejo
Esta é a cidade que tem
Teu nome escrito no cais
A cidade onde desenho
Teu rosto com sol e Tejo

Caravelas te levaram
Caravelas te perderam
Esta é a cidade onde chegas
Nas manhãs de tua ausência
Tão perto de mim tão longe
Tão fora de seres presente

Esta e a cidade onde estás
Como quem não volta mais
Tão dentro de mim tão que
Nunca ninguém por ninguém
Em cada dia regressas
Em cada dia te vais

Em cada rua me foges
Em cada rua te vejo
Tão doente da viagem
Teu rosto de sol e Tejo
Esta é a cidade onde moras
Como quem está de passagem

Às vezes pergunto se
Às vezes pergunto quem
Esta é a cidade onde estás
Com quem nunca mais vem
Tão longe de mim tão perto
Ninguém assim por ninguém

Manuel Alegre, in "Babilónia"




18.8.13



"Nos meus períodos de quebra, punha-me a pensar para que servia criar arte, a quem se destinava? Estaremos a animar Deus? Estaremos a falar para nós mesmos? E qual era o derradeiro objectivo? Termos a nossa obra enjaulada nos grandes jardins zoológicos do mundo das artes- O Modern, o Met, o Louvre?
O que eu queria era honestidade, mas encontrava desonestidade em mim própria. Porquê cometer arte? Pela auto-realização, ou pela arte em si mesma? Confrontada com a ambição, parecia demasiado fácil contribuir-se para o excesso, a menos que se oferecesse iluminação. (...)
Robert tinha pouca paciência para estes meus ataques de introspecção. Ele nunca parecia pôr em causa os seus impulsos artísticos, e através do exemplo dele compreendi que o que interessa é o trabalho: o fio de palavras impelidas por Deus que se transformam num poema, a camada de cor e de grafite riscada sobre a folha de papel que amplifica o movimento d´Ele. Conseguir na obra um equilíbrio perfeito entre a fé e a execução. Desse estado de espírito surge uma luz, carregada de vida."
 
Patti Smith em Just Kids (autobiografia sobre a sua relação com Robert Mapplethorpe, a arte, a música, a poesia e Nova Iorque)