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1.2.19

Influencers ou de como matar o único neurónio antes dos 16 anos


Então Lili porque é que ainda não tens filhos?

Por coisas como isto e isto...






14.1.19

Uma curta por semana


Em plena award season a curta desta semana repesca um vencedor de Óscar de 1932 (melhor curta de animação). The Three Little Pigs inspira-se no conto infantil mas acabou por se tornar, tal o seu sucesso, nas primeiras imagens que recordamos ao pensar na história dos três Porquinhos (há aqui obviamente a mão de Walt Disney que iria fazer o mesmo a outros contos e fábulas).

No que diz respeito à história do cinema foi com esta curta que primeiro se criou um departamento para argumento separado dos desenhadores.
Foi um sucesso com o público (a curta de animação mais rentável de sempre) e com a crítica. Recentemente foi eleito o 11º dos 50 mais importantes desenhos animados de sempre.

*Em termos de cultura popular estamos arrumados mas ainda falta fazer menção a "Who´s afraid of the big bad wolf?", musica do filme, que para além de um êxito se metamorfoseou numa canção de protesto durante a Grande Depressão (foi mais tarde repescada durante a II Grande Guerra). E que dizer de trocadidos como "Who´s afraid of Virnia Wolf?". 

7.5.17

O que dizer dos 32 anos


via GIPHY


São 32 Primaveras.
Desde os 23 que não faço particular esforço em as comemorar.
Estes são dias estranhos. Um dia, lá no passado, nós e a nossa mãe, em esforço mímico, lutámos por esse meu privilégio, respirar. 
Agora, para além do beijinho de amor partilhado com a família, o dia trás-me sempre uma sensação de tarefas incompletas. Tarefas futuras, algumas conhecidas e outras não, que me angustiam na sua possibilidade. 
Isto é a metade em que olho para  a frente hipotética. A outra parte do dia é a olhar para o passado real.nostalgia foi mais forte
Não sendo saudosista sinto-me sempre nostálgica. 

Hoje a  nostalgia foi mais forte. 

No dia em que fiz 32 anos soube que a minha escola preparatória foi demolida.
Era provisória há 26 anos. Era velha e estava abandonada há uma meia dúzia mas era a minha (e a nossa) escola.

Lembrei-me de coisas avulsas.

Primeiro as sensações.
O vento do fim da tarde a soprar por entre as árvores (que árvores?) junto ao pombal.
A angústia de ter que jogar em equipa nas aulas de educação física (eu sou mais livros).
O nervoso miúdinho ao entrar na escola com uma mini saia nova (todas as raparigas combinavam um dia para ir de mini saia).
Jogar à sirumba no pátio entre risos e gargalhadas.
Campeonatos de diablo e o orgulho de ser a melhor (foi a única coisa na vida em que fui a melhor). 
O banco em que ouvi a primeira K7 de Smashing Pumpkins gravada pelo João.

Depois os locais.
A parede de tijolo onde decorria o jogo do mata. Todos alinhávamos sem vontade.
As casas de banho com o interior pintado de verde.
As traseiras da escola em que fumávamos aparas de lápis enroladas em papel vegetal.
As outras traseiras da escola para onde ia  ler o jornal Blitz nas tardes de terça.
A sala de música onde ensaiámos o "Estou na lua".
As paredes escritas com corrector branco "Joana + Djaló ASF".
A rádio-escola com músicas pedidas: Metallica, Entre Aspas, Backstreey Boys e Mamonas Assassinas. 

Finalmente as pessoas.
O Ganzas. Bochechas rosadas. Sem pai. Só mãe. O mesmo fato de treino todos os dias.
O Marco Paulo. Loiro. Vindo da África do Sul. Sem maldade.
A Zhara. Mais velha. Chumbava sempre. Gozada pela maioria fugíamos da escola quando se sabia que o "pai está a chegar com uma caçadeira".
A Mercedes de Vil. A glamourosa e malvada professora de EVT. Essa disciplina essencial.
A Limoneto. Professora de Françês sempre com um toque de aguardente. Uma jóia.
O Alex. Cabelo loiro cortado à tigela. Queria ser jogador de futebol à la Ronaldo. Hoje é vendedor da Meo.
Os amigos com filhos quase na idade em que nos conhecemos. 
Os amigos que já desapareceram.
Os que foram embora.

32 anos e a tua escola é demolida.
Bem-vindo à idade adulta.

21.3.17

Legado





Não se trata de gostar ou não. Trata-se de conhecer a nossa genealogia musical. 

20.3.17

Hoje


Aprendi que felicidade é ver a minha avó a soltar gargalhadas!

15.2.17

Ainda Bowie (e ainda bem)




"Mais de um ano depois da sua morte, descubro-me de vez em quando a ouvir Blackstar e a imaginar Bowie a escapar a um ecrã de televisão e a anunciar que quem morreu foi Lazarus, não ele.

Noutros imagino Iman com um sorriso matreiro, num qualquer terraço ao sol, a sussurrar «Já era tempo de te livrares do Bowie, querido Mr. Jones»."

12.2.17



Um dia o melhor das 24 horas começou a ser o momento em que nos deitávamos na cama. Antes de dormir. 
Pés e braços dados num reencontro após a separação laboral e social.

Um dia olhámos um para o outro e descobri-mo-nos casados. 

Se nos perguntarem como nós fizemos vamos sempre dizer que foi por artes mágicas.

6.2.17

resenha documental


Ando a viver dias de deriva. Uma pessoa pode andar sem norte por falta de possibilidades ou desnorteada por escolhas a mais.
No meu caso passa-se a segunda hipótese.
A isto junta-se o estado do mundo (apoteótico a meu ver) e tudo se verte nas minhas escolhas de espectadora de documentário.



Brigth Ligths

Motivada pela história triste em que Debbie Reynolds morre alguns dias após a sua filha Carrie Fisher descubro que o que mais temo é a morte dos que amo e que a Debbie era um unicórnio digno de admiração.



Demain

Quando me perguntam quando quero ter filhos.
Respostas sobre o que fazer se ainda há esperança no mundo.


Heart of  Dog

Sou mãe do Óscar há move meses (o Óscar é o meu gato) e tenho-lhe amor infinito.
Há vários tipos de luto. Diversas expectativas perante a morte.
Mas aquele ser que sempre ali estava, de repente, desaparece. E nós ficamos mais sós...
Não é um filme, é uma experiência, é arte.


Life, Animated

O desconhecido é a mente de uma criança autista. Suponho que o tio Walt tenha ficadao muito feliz com o que aqui nos contam. No fim, chorei.
Está nomeado para Óscar.


George Harrison: living in the material world

Tantas vezes adiado finalmente me dediquei a este filme fundamental.
Fundamental por ser Scorcese (dos melhores a filmar música), fundamental por ser sobre o Harrison (o melhor dos Beatles), fundamental por ser sobre a vida que ele não quis viver.



The Beatles: eigth days a week

Ou de como só são grandes aqueles que levados aos píncaros da fama escolhem antes a arte.



Oasis: supersonic

Nunca gostei de Oasis. 
Fiquei a gostar depois de ver este documentário.
Sobretudo do Noel e da sua versão do Wonderwall. Um autor vê-se na interpretação.



Lo and behold

Não há nada de Herzog de que não goste. Não é falta de critério é mesmo porque o senhor Werner transforma qualquer assunto em algo bonito.
Aqui, sobre o asfixiante mundo da internet e seus efeitos (e feitos) nos humanos.



13th

Europa. Exercício. Ver documentário mencionado em cima. Após visionamento pensar nos USA. Finalmente pensar em Trump.
Deveria ser exibido um pouco por todo o lado. Não será.
Nomeado para Óscar. Devia ganhar..


Into the Inferno

Vulcões e Homens.
Fluidamente unm pouco por todo o lado.
Um deslumbre entregue por Herzog.


Before the Flood

Quando me perguntam quando terei filhos.
Respostas para negação e sensibilização de convertidos.
Em bom!


6.8.16



E ainda assim sobrevivemos e ainda por aqui andamos.

25.7.16


"Não entendo... Agora parece que os tipos com problemas psicológicos podem logo agarrar numa arma e desatar a matar. Já se perdeu a fina arte de preparar um homicídio com pelo menos uma semana de antecedência. A psicopatia está em decadência... e nem quero falar do canibalismo. O Jeffrey deve estar às voltas no túmulo. "



16.4.16

Lili de onde vem o teu requintado gosto musical?


Pois parece que não existe. 
Quando os Pop Dell Arte andavam nos palcos a Lili tinha uns 6 anos e ouvia Onda Choc.
Tivesse eu um irmão mais velho e teria descoberto os Velvet Underground e a Janis bem mais cedo que vim a descobrir.

11.4.16

DNA




Durante 4 anos fiz 10 vezes por semana o eixo Odivelas - Cidade Universitária. Primeiro de autocarro e depois de metro.
Durante 4 anos fui acompanhada por muitos livros e revistas mas a minha constante semanal era sempre a DNA. Foi lá que fiquei a conhecer Llhasa de Sela e os primores da imprensa regional, por exemplo.
Disso mo lembraram recentemente, aqui e aqui, dois dos seus conspirativos autores. 
Deixou um espaço, ainda, vazio.

4.4.16

Uma Páscoa portuguesa com certeza




Os meus pais gostam muito de juntar a família em torno dos feriados. Tanto vale para a Páscoa como para o 25 e Abril. Desta vez o ajuntamento levou-nos ali para o lado de Mafra e o meu pai, meio investido pela nostalgia meio pela falta de noção de que a filha mais nova (que não sou eu) já tem 22 anos quis ir buscar farturas ao Sobreiro. Para quem não sabe o Sobreiro é uma pequena aldeia à beira da estrada conhecido por ter um parque de diversões rural. Tem direito a todas as profissões de artesãos em cada casinha e ainda a alguns extras como a escola primária dos tempos do estado novo, uma nora (que muitas crianças não conhecem se não dali), um moinho, etc. Foi tudo ideia de um senhor (O Sr. Franco), autodidacta, muito empenhado.

Comentário de visitante nº1 enquanto as crianças felizes corriam por todo o lado: - Isto é muito engraçado realmente mas o homem não devia ter mais nada para fazer.
Comentário de visitante nº2 para a cria de uns 7 anos - Põe aí junto à "azenhe". Isso servia para os burros fazerem exercício...
Comentário de visitante nº3, Pessoa com 35 anos, com ar de morar numa boa vivenda da Linha, na fila para comprar pão com chouriço - Vês o que eu te digo Miguel... na altura davam pão com chouriço às crianças pobres da escola....

Pois é Sr. Franco not enough, not enough.



A vossa escriba, na dita aldeia, em torno do ano 2000, quando era uma jove, tinha pele lisa e suave e acreditava ser boa ideia ir namorar para os locais onde tinha sido feliz na infância. Obviamente esse namoro não pegou.

2.4.16

Diz que passa no IndieLisboa




"On stage I make love to twenty five thousand people; and then I go home alone." 



Trump desiste da corrida presidencial e torna-se júri no So do you think you can dance?. Os atentados dos DAESH terminam para todo o sempre porque se descobre que o petróleo é muito poluente investindo-se em combustíveis  renováveis e quase gratuitos. Lulilma vai em peregrinação a Lhasa onde descobre os ensinamentos de Sidharta. Larga o poder  e altera as suas práticas de modo a fazer meditação pelo menos três vezes por dia e iniciando o nobre caminho octuplo de modo a terminar com o sofrimento e beneficiar de um melhor samsara. Angela vai a Cannes mas escolhe ficar na praia a apanhar Sol. Goucha bane Tininha e apresenta agora um programa literário na Antena 1. Tininha muda-se para os states e é a nova boss do The Apprendice. Emigrantes começam a usar o avião após formação intensiva. O novo Marcelo de Belém arranja um cão.

Terminou a March Madness. Regressaremos à vida real em breve. 

20.3.16




Ter trinta é um bocadinho assim:

ONTEM: "Sexta à noite. Tenho que ir para casa ler os 5000 artigos pendentes. Bolas como eu gostava de ficar numa esplanada a beber umas imperiais e comer tremoços com os amigos"
HOJE (artigos em cima da mesa do café quando começam a chegar remessas de miúdos - estudantes de biologia - que rumaram a Coimbra para um encontro universitário):" Que horror! Assim não dá. Falam aos gritos estéticos e nem sabem estar. Vou para casa que não tenho vida para aturar crianças. Preciso de paz e sossego."
Não sei bem se isto é uma crise da idade, de identidade ou de vontade.

26.2.16

Suicídio assistido



Estamos todos cheios de pinças mas o  cerne da questão é este... estivéssemos nós, em casa, a morrer e alguma coisa se arranjava para acabar com o sofrimento. Estando no hospital, como já é costume, perdemos o controlo da nossa situação corporal e nem um ultimo suspiro se pode dar quando se quer.


No meu corpo mando eu! Já tinha dito?