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14.4.15

aos magos de palavras que não param de partir (ainda que um bom artífice deixe para sempre a sua obra)


"A inocência é um estado clandestino na ditadura do mundo; tem se dar astuta, tem de recorrer a todas as torpezas para lutar e escapar."


Jornal Público, 4 Dezembro 1990


Herberto Hélder

9.8.13

É tramado



quando o alvo da nossa paixão desregrada nos beija exactamente,  não como queremos, mas como sempre soubemos que íamos gostar.

"Lust's passion will be served; it demands, it militates, it tyrannizes."

Marquis de Sade

12.1.13

Equilíbrio




 



à volta
e tu
no meio
à volta
e tu
em cima
tu
por debaixo
de mim
à volta
e tu
no meio
das minhas mãos
de mim
no centro
por dentro
de mim
à volta
assim
tu
sempre
assim
dentro e fora
de mim
à volta
por dentro
no centro
de ti


ANTÓNIO CARDOSO PINTO,
 in antoniocp.multiply.com

8.12.12

há dias em que somos mais poesia



Então queres ser um escritor?
(Charles Bukowski - encontrado pela net, tradutor desconhecido)

se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.

a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.

e nunca houve.

23.11.12



"Bebemos mais um bocadinho e fomos para a cama, mas já não era a mesma coisa; nunca é - havia espaço entre nós, tinham acontecido coisas. Olhei para ela quando foi à casa de banho, vi as pregas e as dobras por baixo das suas nádegas. Pobre criatura. Pobre, pobre criatura. (...) Quando a Betty regressou, não cantámos, nem rimos, nem sequer discutimos. Sentá-mo-nos às escuras, a fumar; e, quando fomos dormir, eu não pus os pés no corpo dela, nem ela no meu, como costumávamos fazer. Dormimos sem nos tocarmos.
Ambos tínhamos sido roubados."

Charles Bukowski in Correios, o livro onde o homem se estripa para deixar surgir o escritor

11.11.12




Estou um pouco farta da visita da Sr. Merkel e ela ainda não aconteceu. Não me venham com protestos que já cá tivemos o Khadafi (e esse até falou na Universidade de Lisboa) e a Cimeira das Lajes e para além disso a senhora não nos colocou onde estamos, foram os nossos governante, (em parte eleitos por nós) e uma história de 900 anos em que não se soube criar e aplicar, dinheiro, conhecimento, tecnologia, etc, etc.

17.10.12







Uma passagem muita rápida, que o dia foi atarefado até mais não, para deixar poesia. Em complemento a isto.

14.9.12

Post maroto ou pedagógico?




Sabes que atingiste o patamar do "sem vergonha na cara" quando estás a ver, na tua hora de almoço, este blog, no café da terrinha onde só entram homens. E apenas reparas porque estão todos com os olhos no teu portátil.

6.9.12





Sex.  In America an obsession.  In other parts of the world a fact.  

Marlene Dietrich




Venho avisar que este blog se vai tornar sexualmente activo.
 E sensual, sensual!

P.s. No entanto não tenciono torná-lo para maiores de 18. Primeiro porque toda a gente antes do 18 já sabe alguma coisa de sexo e depois porque se os papás não querem que os filhos vejam certas coisas é deles o dever de os moderar e não o meu de me censurar e inserir numa faixa etária limitada.

30.8.12





Depois de uma tarde infernal em que até tive que sair do trabalho (isto de trabalhar no meio dos campos não se coaduna com determinados estados de saúde) fiquei a conhecer o Emodium Rapid. E a minha vida mudou!

P.s. Mas o pior de andar desaranjada (como a minha saudosa avó Rosa dizia) é mesmo ter que prescindir da junk food. E é nestas alturas de proibição que o desejo aperta mais.

31.7.12

 

Anda por aí um zumzum causado por um livro que parece ter resmas de sexo e descrições sensuais que anda a ser consumido em grande escala pelas mulheres (no metro/autocarro olhe à sua volta e identifique os livros com a encadernação da Nora Roberts, atente nos que parecem ter sido forrados). Ainda não percebi muito bem o porquê da indignação, é por o livro estar mal escrito, é por ter muito sexo ou é por ser um best seller do mulherio?

Por pior que o livro seja, em termos de literatura, qualquer ser que dedique horas do seu dia à leitura já ganha alguma coisa. 
Se o livro tem muito sexo ora temos pena de quem não gosta. A literatura erótica existe (desde os romanos senhores!) e vende (estranho o sexo vender não é?) e há belas obras de referência dos mais seríssimos autores (Henry Miller, Anais Nin, Nabokov).

As mulheres não só devem ler este livro (e comentar entre si) como deviam ler mais literatura erótica. Além de estimular a mente estimula os sentidos e muitos homens vão sentir os efeitos destas leituras de metro. As mulheres são as primeiras a se imporem um tabu sobre o sexo. É censurado que uma mulher veja um filme pornográfico (se pelos homens ainda mais entre pares) e por isso este mercado é quase sempre voltado para espectadores masculinos. Fica mal uma mulher entrar sozinha numa sex-shop e até comprar preservativos sozinha num hipermercado (i´ve been there). Há uma tal prisão mental socialmente mas também auto imposta que livros deste género chegarem ao topo de vendas não é motivo de críticas mas de atirar foguetes. Algumas águas turvas se movimentam.

Se sempre quiserem ler coisas de jeito não há como enganar, é passar os olhos por A Casa dos Budas Ditosos.