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14.10.19

Set my mood


"And every time, the leaves that have fallen
Bring back to you my memory
Day after day the lovers who’ve passed on
Are blown away like autumn leaves"


O fim não é o fim não é o fim não é o fim.

11.1.19


"Colocamos demasiado o acento na compreensão racional, e a razão é clamorosamente insuficiente para interpretar a vida. A razão precisa de ser complementada amiúde com a ordem do coração."

José Tolentino Mendonça, in Expresso 

30.7.17




Lembro-me bem de quando ouvi pela primeira algumas bandas mas há músicas que sempre fizeram parte do meu mundo (vida, portanto) porque habitavam nas k´7s que o meu pai tinha no carro (Beatles, por exemplo).
É muito estranho ouvir estes miúdos falarem de Nirvana como uma banda que os pais deles (logo adultos com a minha idade geracional) tocam no carro.

De repente os Nirvana podem ter uma aura ainda mais mítica. Um dia os míudos chegam aos amigos com um "Heart shapped box" no telemovel e os amigos (claramente fans de Jay-Z, David Guetta e Queen B) fazem um ar pânico e confusão como os meus amigos amantes de Hélder o Rei do Kuduro* e Paradox** me fizeram quando lhes dei a ouvir isto


"After their August 29th, 1966, concert in San Francisco, the Beatles left live performing for good. Rumors of tension within the group spread as the Beatles released no new music for months. "People in the media sensed that there was too much of a lull," Paul McCartney said later, "which created a vacuum, so they could bitch about us now. They'd say, 'Oh, they've dried up,' but we knew we hadn't."
With Sgt. Pepper, the Beatles created an album of psychedelic visions; coming at the end, "A Day in the Life" sounds like the whole world falling apart. Lennon sings about death and dread in his most spectral vocal, treated with what he called his "Elvis echo" — a voice, as producer George Martin said in 1992, "which sends shivers down the spine."
Lennon took his lyrical inspiration from the newspapers and his own life: The "lucky man who made the grade" was supposedly Tara Browne, a 21-year-old London aristocrat killed in a December 1966 car wreck, and the film in which "the English army had just won the war" probably referred to Lennon's own recent acting role in How I Won the War. Lennon really did find a Daily Mail story about 4,000 potholes in the roads of Blackburn, Lancashire.
Lennon wrote the basic song, but he felt it needed something different for the middle section. McCartney had a brief song fragment handy, the part that begins "Woke up, fell out of bed." "He was a bit shy about it because I think he thought, 'It's already a good song,'" Lennon said. But McCartney also came up with the idea to have classical musicians deliver what Martin called an "orchestral orgasm." The February 10th session became a festive occasion, with guests like Mick Jagger, Keith Richards, Marianne Faithfull and Donovan. The studio was full of balloons; the formally attired orchestra members were given party hats, rubber noses and gorilla paws to wear. Martin and McCartney both conducted the musicians, having them play from the lowest note on their instruments to the highest.
Two weeks later, the Beatles added the last touch: the piano crash that hangs in the air for 53 seconds. Martin had every spare piano in the building hauled down to the Beatles' studio, where Lennon, McCartney, Ringo Starr, Martin and roadie Mal Evans played the same E-major chord, as engineer Geoff Emerick turned up the faders to catch every last trace. By the end, the levels were up so high that you can hear Starr's shoe squeak.
In April, two months before Sgt. Pepper came out, McCartney visited San Francisco, carrying a tape with an unfinished version of "A Day in the Life." He gave it to members of the Jefferson Airplane, and the tape ended up at a local free-form rock station, KMPX, which put it into rotation, blowing minds all over the Haight-Ashbury community. The BBC banned the song for the druggy line "I'd love to turn you on." They weren't so far off base: "When [Martin] was doing his TV program on Pepper," McCartney recalled later, "he asked me, 'Do you know what caused Pepper?' I said, 'In one word, George, drugs. Pot.' And George said, 'No, no. But you weren't on it all the time.' 'Yes, we were.' Sgt. Pepper was a drug album."
In truth, the song was far too intense musically and emotionally for regular radio play. It wasn't really until the Eighties, after Lennon's murder, that "A Day in the Life" became recognized as the band's masterwork. In this song, as in so many other ways, the Beatles were way ahead of everyone else."

The world keeps spinning.

8.3.17



O mais difícil em ser é definir um limite para nós. Como órbitas de planetas que lhes permitem estar aparentemente livres no espaço sideral e que afinal estão tão confinados a um caminho como um eléctrico nos seus carris.
Qual a nossa elasticidade em ser? Se não esticamos os limites até aos 22 anos e o decidimos fazer depois somos doidinhos. Insanos remetidos à psicanálise. Só nos safamos de fazermos o que quisermos se formos para o chapitô ou assim enquanto é tempo.
Mas voltando aos limites. 
Há coisas que quero. Mas até que ponto? A minha órbita vai esticar até ao limite da minha paciência, da minha resilência, da minha vontade e quando não der mais vou dizer "escolhi outro caminho". Mas não. Foi mesmo o meu limite.
A questão das escolhas também é bonita e dá para todo um novo e longo post. Gosto particularmente de ouvir lições de vida de quem não fez uma única escolha. Ficou com aquilo que lhe caiu ao colo. Hoje são felizes. Não sabem sequer o que são limites. Planetas em órbitas circulares. 
Eu cá sou mais elipses. 

1.8.16



Hemingway em Valencia, Espanha 1937. Por Robert Capa


"Estávamos sentados nas profundas poltronas de couro, com o champanhe no balde e as nossas taças na mesa entre nós os dois.
- Se chegar à minha idade, acabará por achar muitas coisas estranhas.
- O senhor nunca dá a impressão de ser velho.
- É o corpo que é velho. Às vezes assalta-me o receio de partir um dedo como se ele fosse um pau de giz. Mas o espirito não envelheceu e não se tornou muito mais sensato.
- O senhor é um homem cheio de bom senso.
- Não, aí é que está o erro; a sabedoria dos velhos. Os velhos não s tornam sensatos, o que se tornam é prudentes.
- Talvez isso seja sabedoria.
- É uma sabedoria muito pouco atraente."

Ernest Hemingway in O adeus às armas

23.4.16




Por vezes as águias voam sobre cidades.
Depois voltam lá ao alto... às suas montanhas.

16.4.16

Acasalamentos



“Maybe it's just hiding somewhere. Or gone on a trip to come home. But falling in love is always a pretty crazy thing. It might appear out of the blue and just grab you. Who knows — maybe even tomorrow.”

Haruki Murakami, Sputnik Meu Amor

6.1.15





O toque das coisas leves,
o anoitecer na tua pele...

És tu, sempre tu,...
que me revolves o corpo,
que me usas, delicadamente,
que me vestes o corpo com o teu suor.

Somos o toque das coisas leves,
a tua voz no meu ombro,
o meu riso na tua mão.


CRISTINA PÓLVORA (a publicar)

5.5.14

O (o post com bolinha, especialmente dedicado às senhoras das Sombras de Grey)





"Agarrei-me a Lydia e perde-mo-nos no mais longo beijo de sempre. Segurei-a de encontro ao rebordo do lava-loiças e comecei a roçar o meu caralho nela. (...)
A mão de Lydia alcançou a minha e levou-a para dentro das suas cuecas. A ponta de um dos dedos sentiu o alto da sua rata. Estava molhada. Enquanto continuava a beijá-la, enfiava-lhe o dedo dentro da rata. Depois tirei a mão, afastei-me, agarrei na garrafa e servi-me doutra bebida."


"Cheguei lá abaixo e comecei a lamber. O seu desenho era fiel à realidade. Tudo estava no seu devido lugar. Ouvi a sua respiração acelerar, e depois gemidos. aquilo excitava-me. Entesei-me. O clítoris saiu mas não era exactamente cor-de-rosa, era rosa-púrpura. Brinquei com o clitóris. Os líquidos apareceram e misturaram-se com os pêlos da cona. Lydia gemia cada vez mais."

"Se eu tivesse nascido mulher, serie certamente prostituta. Mas como nasci homem, desejava constantemente mulheres, e quanto mais decadentes, melhor. E contudo as mulheres - as mulheres respeitáveis - assustavam-me  porque elas queriam apossar-se da alma e eu queria manter o que restava da minha. Eu desejava essencialmente prostitutas, mulheres decadentes, porque elas eram mortais, insensíveis  e não pediam nada. Quando se iam embora, não perdíamos nada. ao mesmo tempo desejava uma mulher doce e gentil, apesar do preço a pagar. De qualquer dos modos, eu estava perdido. Um homem forte conseguiria as duas coisas. Eu não era forte. Por isso continuei a lutar com mulheres, com a ideia de mulheres."

Charles Bukowsky in  Women




22.4.14

Dia da Terra




Se Eu Pudesse Trincar a Terra TodaSe eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar, 
Seria mais feliz um momento ... 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural... 
Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva ... 
O que é preciso é ser-se natural e calmo 
Na felicidade ou na infelicidade, 
Sentir como quem olha, 
Pensar como quem anda, 
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
E que o poente é belo e é bela a noite que fica... 
Assim é e assim seja ... 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI" 

9.2.14



"It seems positively unnatural to travel for pleasure without taking a camera along. Photographs will offer indisputable evidence that fun was had. Photographs document sequences of consuption caried on outside the view of family, friends, neighbors. (...) Taking photographs fills the same need for the cosmopolitans accumulating photograph-thophies(...).

A way of certifying experience, taking photographs is also a way of refusing it - by limiting experience to a search for the photogenic, by converting experience into an image, a souvenier. The very activity of taking pictures is soothing, and assuages general feelings of desorientation that are likely to be exarcebated by travel. Most tourists feel compelled to put the camera between themselfs and whatever is remarkeble that they encounter. Unsure of other responses, they take a picture. This gives shape to experience: stop, take a photograph and move on. The method especially appeals to people handicapped by a ruthless work ethic - Germans, Japanese, and Americans. Using a camera appeases the anxiety which the work-driven feel about not working when they are on vacation and supposed to be having fun. They have something to do that is like a friendly imitation to work: they can take pictures."

Susan Sontang, On Photography, 1971

Recentemente fui viajar. Fazer turismo na verdade. E fui confrontada com uma decisão: andar a tirar fotografias de tudo o que via, dos edifícios iconográficos e de peças expostas ou viver as experiências com o prejuizo de que tirar fotografias enquanto se aprecia, sei lá, uma sopa vietnamita, não acrescenta nada às sensações que compõem o degustar. Curiosamente comprei este pequeno e luminoso ensaio de Susan Sontang nessa viagem tendo apenas começado a ler no avião que me retornou a Portugal.
Ainda assim, fiz uma escolha de compromisso, andei a fotografar uma ou outra referência turística (e sim, a comida), mas também as ruas e as pessoas. E existitam alguns momentos, tão gigantescos, em que simplesmente me esqueci de que tinha uma  câmara. Nada há como viver.

Sublinhados da minha autoria

26.12.13




DIA 51

Invento hoje para ti este falso poema de amor egípcio:
"A tua casa é o meu coração e o teu perfume enche de...
nostalgia as minhas noites. Pelos meus braços vens ca-
minhando nua, com a doçura da gazela e a brevidade
suicida das flores do hibisco. O meu coração dá abrigo
a um grande amor, como a palmeira protege as tâma-
ras dos ventos do deserto ou a romã se transforma em
cofre para guardar os seus rubis. Não há armadilhas
montadas no percurso que te leva à minha cama, e na-
da será perturbado pelo júbilo de beijar todas as síla-
bas que a tua boca pronuncia. És em mim. Estás em
mim. Há-de o meu coração ficar em ruínas e, assim
mesmo, defenderá o teu corpo, a tua vontade, e o teu
sorriso que tem a envergonhada cor da flor do lótus.
Há-de o meu coração calar-se, mas esse silêncio não
impedirá a promessa de uma eterna noite de amor."


JOAQUIM PESSOA, in ANO COMUM (Litexa, 2011)

26.11.13



Ele, de facto, gosta de mim.
Gosta de mim mais do que o M. que vivendo a 300km nunca tirou a carta para estar comigo. O mesmo M. que quando precisei mesmo, quando a minha avó morreu, não tinha como me confortar com os seus abraços. E eu desisti. Ele foi assistir a um jogo do Benfica a 300 km de casa na semana seguinte.
Gosta mais de mim do que o J. que se inscreveu num estágio em Madrid quando estávamos no pináculo da paixão e mesmo assim queria continuar. E eu desisti. Ele foi  para Madrid, ficou um ano e hoje trabalha noutro ramo.
Gosta mais de mim do que o M. que queria ficar comigo para sempre mas não largou o emprego estúpido num call center para seguir o seu talento para desenhar formas. Eu desisti. Ele evoluiu e já não trabalha num part-time num call center, agora tem um full time.
Gosta mais de mim do que o A. que achava que amor era passear-me à frente dos amigos. E eu desisti. Hoje ainda não sabe o que é o amor, mesmo tendo, como músico, as mulheres que quiser à perna.
Gosta mais de mim do que o S. que achava que o lugar da mulher é atrás de um fogão. E eu desisti. Hoje é um machão com uma mulher cornuda na cozinha.
Ele gosta de mim. Em vez de me enganar com desculpas diz que não tem tempo: "Ainda por cima estou encarregado de fazer um presépio até dia 10.". Que só vai conseguir estar comigo em 2014. Que se não consegue dar tudo prefere não dar nada.  

10.11.13


 
 
"E abrindo um viu que era a Diana de Jorge de Montemor, e disse, crendo que todos os outros eram do mesmo género:
- Estes não merecem ser queimados, como os demais, porque não fazem nem farão o dano que os de cavalarias fizeram, que são livros de entretenimento sem prejuízo de terceiro.
- Ai, senhor! - disse a sobrinha -, bem os pode vossa mercê mandar queimar como aos demais, porque não seriam novidade que, tendo sarado o senhor meu tio da enfermidade cavalheiresca, em lendo estes lhe aprovesse fazer-se pastor e ir-se pelos bosques e prados, cantando e tangendo, e, o que seria pior, fazer-se poeta, que segundo dizem é enfermidade incurável e pegadiça."
 
Don Quixote de La Mancha, Cervantes

5.11.13




Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o rneu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"

30.10.13


Esta música é perfeita!
Estes dois seres são excepcionais! 
E mesmo no final acho que o Lou sorri.
 
 
"I don't think anybody is anybody else's moral compass. Maybe listening to my music is not the best idea if you live a very constricted life. Or maybe it is."

Lou Reed


5.10.13

 


PARA ESCREVER O POEMA

O poeta quer escrever sobre um pássaro:
e o pássaro foge-lhe do verso.
O poeta quer escrever sobre a maçã:
e a maçã cai-lhe do ramo onde a pousou.
O poeta quer escrever sobre uma flor:
e a flor murcha no jarro da estrofe.
Então, o poeta faz uma gaiola de palavras
para o pássaro não fugir.
Então, o poeta chama pela serpente
para que ela convença Eva a morder a maçã.
Então, o poeta põe água na estrofe
para que a flor não murche.
Mas um pássaro não canta
quando o fecham na gaiola.
A serpente não sai da terra
porque Eva tem medo de serpentes.
E a água que devia manter viva a flor
escorre por entre os versos.
E quando o poeta pousou a caneta,
o pássaro começou a voar,
Eva correu por entre as macieiras
e todas as flores nasceram da terra.
O poeta voltou a pegar na caneta,
escreveu o que tinha visto,
e o poema ficou feito.
 


NUNO JÚDICE, in A MATÉRIA DO POEMA (Publ. D. Quixote, 2008)

24.9.13

Set my mood!




Tudo! Desde o poema (avé valter hugo mãe) à música, ao vídeo... enfim (suspiro)!

24.8.13



Salvador Dali
Ballerina in a Death's Head
 
 
"A morte pode dar ensejo a dois sentimentos opostos: ou fazer pensar que morrer é tornar-se o mais vulnerável dos seres, sem defesa contra o desconhecido; ou que é tornar-se invulnerável e afastado de todos os males possíveis. Em quase todos, esses dois sentimentos existem e alternam-se. Passa-se a vida temendo ou desejando a morte."

Paul Valéry, in 'Pensamentos Maus e Outros'