O Nobel de Peter Hendke vem levantar a velha questão-Celine... pode um escritor ser tão bom que vale a pena que nos esqueçamos de que é má pessoa?
E se, en extremis, ele é um apoiante do genocídio e ao mesmo tempo nos deixou das melhores reflexões sobre a passagem do tempo e o ligar a que pertencemos em Der Himmel uber Berlin (ou as Asas do Desejo) de Win Wenders?
“If a nation loses its storytellers, it loses its childhood.”
“Loneliness is a source of loathsome ice-cold suffering, the suffering of unreality. At such times we need people to teach us that we're not really so far gone.” ― The Left-Handed Woman
“In a sense, the mentally deranged and feebleminded were my guardian angels, and when I hadn’t seen any of them in a long time, the sight of an idiot gave me a sudden burst of health and strength.”
Para mim a Arte não se separa da pessoa (que pode ser do pior tipo) e do artista só se pode esperar defeitos, pois no fundo ela é Humano.
A ideia de que o artista maior deve ser supra-humano, um homem sem defeitos, serve apenas a quem gosta do sabor baunilha.
Em plena award season a curta desta semana repesca um vencedor de Óscar de 1932 (melhor curta de animação). The Three Little Pigs inspira-se no conto infantil mas acabou por se tornar, tal o seu sucesso, nas primeiras imagens que recordamos ao pensar na história dos três Porquinhos (há aqui obviamente a mão de Walt Disney que iria fazer o mesmo a outros contos e fábulas).
No que diz respeito à história do cinema foi com esta curta que primeiro se criou um departamento para argumento separado dos desenhadores.
Foi um sucesso com o público (a curta de animação mais rentável de sempre) e com a crítica. Recentemente foi eleito o 11º dos 50 mais importantes desenhos animados de sempre.
*Em termos de cultura popular estamos arrumados mas ainda falta fazer menção a "Who´s afraid of the big bad wolf?", musica do filme, que para além de um êxito se metamorfoseou numa canção de protesto durante a Grande Depressão (foi mais tarde repescada durante a II Grande Guerra). E que dizer de trocadidos como "Who´s afraid of Virnia Wolf?".
The Silent Child foi o vencedor do Oscar para melhor Curta Metragem em 2018. O filme é um panfleto sobre o direito que as crianças surdas-mudas têm de aprender, na escola, linguagem gestual de modo a conseguirem exprimir-se como os colegas (o que a mãe da protagonista não autoriza por se sentir mais próxima da filha se ela apenas "lesse os lábios). Um pormenor interessante é que a actriz que desempenha uma criança de seis anos com problemas de audição sofre, também na realidade, de surdez profunda. Muito tocante.
Na entrega do prémio a autora fez o discurso acompanhado de lingua gestual.
Nomeado para Óscar de Melhor Curta Metragem em Live action, 1931-32. Estas curtas queriam revelar algo de curioso para o expectador ao mesmo tempo que faziam algo de mais experimental tanto com as câmaras como com o som e a montagem. Contar uma história não era o foco.
Este filme conta com os Codonas, a principal troupe circense de "aerials", nos inícios do século XX. Ainda hoje são lendários tendo elevado muito a arte do trapézio. Estiveram inclusivamente em Portugal
Li por aí que este é um filme apresentado como comédia. Eu considero que é mais uma farsa (crítica ao mundo oco e feito de soundbites da arte contemporânea) que termina como tragédia (no fundo a humanidade é um nojo).
E sim é bom. Melhor para quem não está habituado a confrontar as suas próprias opiniões. Embora o hype seja um pouco exagerado a cena do "macaco" é ouro puro.
Filmar o normal é difícil. O que surge em Lady Bird, primeiro filme de Greta Gerwig, é uma história de passagem, da adolescência. E é tão comum, tão como a minha e dos meus amigos, como as que nunca vemos no cinema.
Num outro patamar é também a história de amor entre a autora e a cidade de Sacramento. Uma ligação a lugares que só é possível, nesta densidade, quando ainda não abandonámos totalmente os dias da infância.
Se será merecedor de um Óscar? Talvez não. Mas a nomeação é merecida. Nem que seja por se voltar a ouvir Dave Matthews Band como se fosse a primeira vez.
Ando a viver dias de deriva. Uma pessoa pode andar sem norte por falta de possibilidades ou desnorteada por escolhas a mais.
No meu caso passa-se a segunda hipótese.
A isto junta-se o estado do mundo (apoteótico a meu ver) e tudo se verte nas minhas escolhas de espectadora de documentário.
Brigth Ligths
Motivada pela história triste em que Debbie Reynolds morre alguns dias após a sua filha Carrie Fisher descubro que o que mais temo é a morte dos que amo e que a Debbie era um unicórnio digno de admiração.
Demain
Quando me perguntam quando quero ter filhos.
Respostas sobre o que fazer se ainda há esperança no mundo.
Heart of Dog
Sou mãe do Óscar há move meses (o Óscar é o meu gato) e tenho-lhe amor infinito.
Há vários tipos de luto. Diversas expectativas perante a morte.
Mas aquele ser que sempre ali estava, de repente, desaparece. E nós ficamos mais sós...
Não é um filme, é uma experiência, é arte.
Life, Animated
O desconhecido é a mente de uma criança autista. Suponho que o tio Walt tenha ficadao muito feliz com o que aqui nos contam. No fim, chorei.
Está nomeado para Óscar.
George Harrison: living in the material world
Tantas vezes adiado finalmente me dediquei a este filme fundamental.
Fundamental por ser Scorcese (dos melhores a filmar música), fundamental por ser sobre o Harrison (o melhor dos Beatles), fundamental por ser sobre a vida que ele não quis viver.
The Beatles: eigth days a week
Ou de como só são grandes aqueles que levados aos píncaros da fama escolhem antes a arte.
Oasis: supersonic
Nunca gostei de Oasis.
Fiquei a gostar depois de ver este documentário.
Sobretudo do Noel e da sua versão do Wonderwall. Um autor vê-se na interpretação.
Lo and behold
Não há nada de Herzog de que não goste. Não é falta de critério é mesmo porque o senhor Werner transforma qualquer assunto em algo bonito.
Aqui, sobre o asfixiante mundo da internet e seus efeitos (e feitos) nos humanos.
13th
Europa. Exercício. Ver documentário mencionado em cima. Após visionamento pensar nos USA. Finalmente pensar em Trump.
Deveria ser exibido um pouco por todo o lado. Não será.
Nomeado para Óscar. Devia ganhar..
Into the Inferno
Vulcões e Homens.
Fluidamente unm pouco por todo o lado.
Um deslumbre entregue por Herzog.
Before the Flood
Quando me perguntam quando terei filhos.
Respostas para negação e sensibilização de convertidos.
Em bom!
6.8.16
E ainda assim sobrevivemos e ainda por aqui andamos.
5.4.16
É por Ti que Vivo Amo o teu túmido candor de astro a tua pura integridade delicada a tua permanente adolescência de segredo a tua fragilidade acesa sempre altiva
Por ti eu sou a leve segurança de um peito que pulsa e canta a sua chama que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro ou à chuva das tuas pétalas de prata
Se guardo algum tesouro não o prendo porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto que dure e flua nas tuas veias lentas e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar
Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva para que sintas a verde frescura de um pomar de brancas cortesias porque é por ti que vivo é por ti que nasço porque amo o ouro vivo do teu rosto
Um viva à Leonor Teles (que aliás deu um belo nome à sua obra)
20.3.16
"Podemos recordar 1913 de muitas maneiras. Nesse ano, Apollinaire escreveu um ensaio, “Os Pintores Cubistas, Meditações Estéticas”, que logo nos diz em que alvoroço artístico andava a Europa. Freud publicou “Totem e Tabu”. Era um mundo antigo à procura de sensações novas.
Mas havia uma parvónia cheia de sol. O lugar era Hollywood, mundo novíssimo à procura de sensações antigas. Agarraram num velhíssimo material chamado riso e dor, amor e ódio, medo e coragem, reduziram o material a luz e sombras, muito branco, muito negro. Fecharam esse composto em fitas de nitrato, que meteram em latas. Chamaram-lhe “pictures”, chamamos-lhe agora filmes."
"Make them laugh, make them cry, and hack to laughter. What do people go to the theatre for? An emotional exercise. I am a servant of the people. I have never forgotten that."
Pam!
Pum!
[O esquecimento. Mary a primeira grande estrela do firmamento cinematográfico ensina como se esquece a si mesmo para entreter os outros. O que era para ser comédia é no final um argumento dramático. A esquecida foi ela.]