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4.1.16

23.8.15


Foi há 8 anos mas na realidade numa outra vida.
As datas são difusas mas deve ter durado mais ou menos um mês e meio. 
Foi quando vivi no paraíso. Para além das paisagens puras e do ar cristalino que nos entrava pelos pulmões havia toda uma disponibilidade para apreciar sem pressas.
Trabalhava-se durante umas 10 horas. De manhã acordava-nos com a neblina - o lugar é quase cercado por água - e à tarde, sem qualquer peso no corpo, íamos mergulhar na água calma do Azibo.
Durante semanas percorríamos as aldeias mais interiores de um dos mais esquecidos concelhos de Portugal. Para conhecer mais sobre o patrimonio local tínhamos que falar com aqueles velhos e velhas, redutos do século XIX, quase, que nos colocavam na mesa vinho, pão e enchidos. Íamos sempre de barriga vazia para não fazer desfeita.
Nos dias quentes, depois de almoço, cada um seguia com a sua cerveja (menos o condutor claro), vento quente a entrar pela janela, rodas a percorrer estradas desertas.
Como estarão agora esses caminhos e essas gentes? Aquele era o tempo das vacas gordas (ou assim parecia).
Viviamos nestas casas bonitas e confortáveis com direito a refeições. Hoje o projecto mudou de direcção. As casas estão lá, tal como o Azibo, as estradas e, espero eu, as gentes. A gastronomia é do melhor e ali ao lado, depois da fronteira, estão os Picos da Europa. A paisagem mais linda que me foi possibilitado ver.
Agora as casas podem ser vossas pelo tempo que desejarem. Este é um segredo nosso. Vejam aqui e sejam felizes. 

(Não existem fotos. Tirámos muitas e todas se perderam. Há coisas que são mais bonitas lembradas apenas pela memória.)

15.7.15

a geografia



Quem manda é a economia.
Não. É a política.

I M P L O S Ã O

Afinal, o fim de tudo, o que fica, é a 
geografia.

E, assim, tudo começa de novo.

15.2.15


Tenho o privilégio de que o meu trabalho me leve para vários pontos do País. Sendo a maioria zonas rurais. Por isso as mudanças e a distância não me entristecem. Quem é que fica desanimada quando vê uma pequena coruja no seu castelo de pedra? Ou depois de avistar uma rara abetarda (tão rara que o corrector ortográfico acha que a palavra não existe)?
Para aqueles que não são tão privilegiados como eu - ou que ainda não aprenderam a olhar - aqui fica um bonito retrato da natureza portuguesa.




30.8.14




O Jardim

Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.

Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.

António Ramos Rosa, in "Volante Verde"

5.7.14

O que fazer quando se passa 13 horas por dia aqui




Explora-se o local até à exaustão.
E, afinal, a natureza entretém sempre.

O que nós vemos das cousas são as cousas. 
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra? 
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos 
Se ver e ouvir são ver e ouvir? 
O essencial é saber ver, 
Saber ver sem estar a pensar, 
Saber ver quando se vê, 
E nem pensar quando se vê 
Nem ver quando se pensa. 
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), 
Isso exige um estudo profundo, 
Uma aprendizagem de desaprender 
E uma seqüestração na liberdade daquele convento 
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas 
E as flores as penitentes convictas de um só dia, 
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas 
Nem as flores senão flores. 
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores. 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXIV" 














22.4.14

Dia da Terra




Se Eu Pudesse Trincar a Terra TodaSe eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar, 
Seria mais feliz um momento ... 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural... 
Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva ... 
O que é preciso é ser-se natural e calmo 
Na felicidade ou na infelicidade, 
Sentir como quem olha, 
Pensar como quem anda, 
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
E que o poente é belo e é bela a noite que fica... 
Assim é e assim seja ... 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI" 

Vistas do trabalho



"The sky is the daily bread of the eyes."

Ralph Waldo Emerson



2.11.13

O Caeiro foi-me inculcado cedo e quando menos espero lá está ele...



Baleizão, Beja
Local de Trabalho


AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo! ...

A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

16.10.13



O momento mais espectacular do meu dia foi aquele em que brinquei com um formigueiro. Juro!

7.6.13

Embaixada da Floresta




Algo que não compreendo muito bem é como existe tanta gente do "comité dos direitos dos animais" e depois quando se trata da natureza como um todo se estão nas tintas. Felizmente não é assim com toda a gente.
Quando o governo se demite das suas obrigações e em vez de proteger a floresta a vende parcela a parcela às industrias da celulose há que contar com a comunidade civil que, felizmente, responde ao chamado.
Fiquei recentemente a conhecer este projecto que pretende reflorestar a zona do Porto nas áreas ardidas ou a necessitar de árvores (e de animais, outras espécies vegetais e bom ar, tudo o que uma floresta pode fornecer) e quis muito que futuramente fosse implementado na zona centro e sul a necessitar tanto de algo mais do que eucaliptos.
Se forem da zona norte (como eu sei que são a maioria dos leitores deste blog) percam um pouco de tempo a visitar o blog do projecto. Todas as acções em que podem participar (plantação, limpeza, cursos, etc) são gratuitas e em regime de voluntariado.
 
Vamos reflorestar Portugal?

30.5.13

Fragmentos de uma mudança





...ou de como se pode encontrar beleza no meio de um ambiente de obra! (o sapinho que estava enterrado numa horta foi gentilmente recolocado por um trabalhador, vivinho da silva e a espernear, junto de um poço fora da zona dos trabalho... ao pé de mim toda a gente tem de ser amiga do ambiente)

14.4.13

A jardinar



(ou mais concretamente a mudar um jacinto de um vaso pequeno para um maior. Um grande passo na vida da Lili que não faz nada relacionado com plantas desde que colocou o feijão no algodão dentro do frasco de iogurte. E cujo feijão foi mágicamente, como assiste a qualquer feijão, parar ao seu nariz.)

4.4.13

Natureza em mudança



"Alchemy is a short film about transformation. In nature, everything is constantly changing: the earth, the sky, the stars, and all living things. Spring is followed by summer, fall and winter. Water turns into clouds, rain and ice. Over time, rivers are created, canyons carved, and mountains formed. All of these elements, mixed together, create the magic of nature's alchemy"

 (para ver o vídeo - impressionante por sinal  - clicar aqui)

20.2.13

The Wednesday Breakdown



Basta querer e ter a ousadia. 
Da terra tudo se faz.

4.2.13



Conhecido por sapo palhaço ou sapo arlequim este mais parece um sapo saído de uma festa trance. Se quiserem ver ao vivo é possível avistá-lo na...Costa Rica. 

31.1.13



E hoje quem é que teve que convocar toda a coragem e mind force para atravessar esta ponte, que mais parecia saída de um filme do Indiana Jones? Pois, eu!
Mas depois da prova superada soube muito bem.

18.1.13



Por estes dias o mundo dos blogs anda a postar pensamentos sobre como é giro andar de galochas e cheirar a chuva. Só que isso  é muito giro quando se trabalha num escritório ou local fechado (e mesmo assim com a pioria do trânsito também não se justifica muito) ou quando se está em casa, quentinha, de caneca chá na mão e de preferência com um livrinho interessante para ler.
Mas agora imaginem que uma pessoa trabalha invariavelmente ao ar livre, no meio da lama (galochas enterradas na lama deixam os pés g-e-l-a-d-o-s) e sem se mexer... Mais ou menos num cenário assim:


Pois.... A minha imagem no trabalho é mais ou menos como a do amigo símio que se segue (que já agora é um uso muito interessante de ferramentas por um não humano):


Valha-me o fim de semana!

10.1.13

Hoje foi dia da Vanessa


Espécie: Vanessa atalanta (diz-me um amigo das biologias)