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30.3.18




"Tudo o que faço ou não faço, 
outros fizeram assim
 daí este meu cansaço 
de sentir que quanto faço
 não é feito só por mim."
Luís de Macedo

28.3.18




A questão é:
o Passos e o Socas têm alguma coisa a ensinar aos actuais alunos do ensino superior?

P.s. Na licenciatura tive aulas de história contemporânea com um salazarista ferrenho. E tinha vivido/estudado/trabalhado em ditadura por isso ainda mais auto-justificado. Nunca aprendi tanto sobre o Estado Novo. Aprendi sobretudo as coisas negativas que o professor se esforçava por não transmitir.

27.3.18

Siglas




O Putin mandou matar gente no UK. A Commonwealth e a NATO responderam expulsando diplomatas russos. Nos USA a NRA continua a fazer valer os seus direitos em colocar uma arma na mão de todos os simpáticos cidadãos americanos. A ONU avisa para os refugiados. A UNICEF para as crianças indefesas no meio da guerra Síria. Tudo muito grave. Muito tempo de antena para estes (importantes) assuntos.

Não há H2O na África do Sul.
Silêncio constrangedor.
Silêncio perturbador.

H2O

21.3.17


Há sítios que não penso visitar.
Não me imagino a ir ao Ground Zero do World Trade Center porque o que senti nesse dia foi uma mudança tão grande, de uma violência tão brusca, que não... obrigada pelo museu e memorial (nada contra) só que uma visista me parece despropositada.
Em Portugal não existem muitos sítios com esta carga histórica negativa de tal modo que torna a visita quase uma invasão (trataram, felizmente, de não musealizar a sede da PIDE) mas lembro-me de que me senti uma invasora quando decidi visitar o memorial a Catarina Eufémia, situado exactamente no local onde terá sido morta. Há uma sensação de voyerismo farsolas e não me venham com as homenagens.

Lembrei-me disto tudo, assim de forma mais ou menos avulsa, quando me deparei com a curta em cima.

Teaser Tuesdays #2





Teaser Tuesdays é uma rubrica semanal organizada pela MizB do blog Should Be Reading. Todos podem participar! Basta seguir as regras:


- Pegar no livro que se está a ler;
- Abrir numa página aleatória;
- Partilhar duas frases dessa página;
- CUIDADO PARA NÃO INCLUIR SPOILERS!;
- Partilhar também o título e o autor do livro.

Teaser:


"A casa - quer simples gruta, ou até furna subterrânea, quer palácio, castelo ou ostal de poderosos e ricos - era a célula da vida, o abrigo seguro: um espaço de sociabilidade, um lugar de memória e de devoção. Encerrada no privado e inacessível, portanto, ao outro, era também a expressão da caridade - da caridade como nesses séculos ela era concebida, isto é: a esmola de um pão ou de uma escudela de sopa dados à porta, pois o mendigo que nela batia tanto podia ser Jesus como o Diabo: como sabê-lo?"

23.10.16

Desde 1856. Realidade a dispensar metáforas.





Marquesa de Rio Maior sobre a viagem inaugural do Comboio em Portugal (Lisboa-Carregado):

"A máquina, escusado será dizer das mais primitivas (mais parecia um garrafão), não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora-as largando pelo caminho. Algumas de convidados nos Olivais. O wagon do cardial patriarca e do cabido ficou em Sacavém; mais um, recheado de dignatários, ficou ao desamparo na Póvoa. (...) Esses desprotegidos da sorte semeados pela linha ao acaso das debilidades da tração acelerada, só chegaram alta noite a Lisboa (...)"

28.12.15

Chocalhos, património mundial, esquecidos de Portugal


Há uns anos a  classificação do Fado, e mais tarde do Cante, como património da humanidade foi um dos acontecimentos do ano. Hoje, ao chegar ao fim de 2015, pouco se nota na imprensa escrita ou digital, sobre a importância para o património português da distinção da Arte Chocalheira. Salve-se o Jornal Público e a reportagem sobre o autor da candidatura (aliás presente também nos dossiers do Fado e do Cante).
Este é um silêncio triste mas esperado. O Alentejo não está acostumado a grandes cerimónias ou condecorações. Há alguns eventos, um fim de semana no máximo (Ovibeja, Flores de Campo Maior, Festival Islâmico de Mértola) que vão colocando alguns pontos no mapa mas a cultura, o saber alentejano, que é até fácil de ver, basta andar - passeando pelas suas estradas e aldeias - é um quase desconhecido dos portugueses (até a tão afamada gastronomia é assassinada com artes maléficas em restaurantes citadinos quando os conhecedores sabem que é na tasca da aldeia que melhor se come). Escolhão uma localidade, agarrem numa bicicleta ou apenas caminhem. Vão! Pode ser que oiçam os chocalhos ao lá fundo.



"Esta paisagem foi sacrificada “à agro-indústria e às lógicas que prevalecem sob o argumento da produção alimentar”, critica Paulo Lima, visando a extensão do olival e vinha no Alentejo. “Deixámos de dar atenção a esta coisa tão simples que é cuidar e manter raças autóctones”, prossegue o antropólogo frisando que uma das vertentes que os move nesta candidatura “é o património cultural-genético”. E lembra como a opinião pública se tornou mais sensível à salvaguarda de espécies selvagens, como o lince, o abutre negro, a águia-real, entre outras, mas desconhece que existem raças de ovinos e bovinos quase extintas com apenas poucas centenas de exemplares, como é o caso das ovelhas churra e campaniça ou a raça garvonesa de bovinos.

“Não podemos deixar acabar o património genético, a paisagem sonora baseada na pastorícia”, o universo pecuário que sustentava o fabrico de chocalho que tinha uma função idêntica à que representa nos dias de hoje o GPS, reafirma Paulo Lima, frisando que esta preocupação “calou muito fundo na UNESCO.”"   

Mais, aqui.

23.8.15

Afinal para que serve a história?


(Imagem retirada do artigo do Público e parte integrante do Arquivo Leisner; ler o ponto quatro)


Por achar que se desvaloriza em profundidade o estudo do passado e as ciências que o encabeçam vou procurar trazer de tempos a tempos um digest - com fundamento científico - sobre o que veio a lume por esta internet fora sobre algo que deveria interessar a cada um de nós - O Nosso Passado - já que ao estado nem vala a pena falar.

Esta semana:
- Portugueses de hoje seguiram os passos dos de ontem. Depois de uma profunda crise - a crise do século XIV - dominada por fome, guerras e doenças iniciou-se um tipo de migração (aqui leia-se busca de sustento noutras latitudes), a fuga em frente que sempre caracterizou os portugueses. Com um pouco de engenho, sorte e planeamento (as três coisas são possíveis) chegou-se, há 600 anos, a Ceuta. Para ler aqui. 

- Colegas (e amigos) quase a fazer omeletes sem ovos ou de como uma única falange da mão pode ser fundamental para entendermos quem nos precedeu. Como sempre, no que  à evolução humana diz respeito, são boas notícias da mãe África. Aqui.

- Há um cuidado especial em deixar enterrados certos temas que nos envergonho enquanto povo. A inquisição em Portugal é um deles. Um colega (e mais uma vez, um amigo) agarrou o touro de frente e estudou vários esqueletos de indivíduos vítimas da Inquisição oriundos de Évora. A investigação foi publicada em jornais da especialidade, na Forbes e imagine-se no nosso A Bola que muito me alegrou ver a divulgar a investigação feita em Portugal por jovens cientistas.

- E agora de fora para dentro. Uma reportagem sobre a disponibilização do arquivo dos Leisner. Para muitos um nome desconhecido mas para todos os arqueólogos portugueses uma referência. O casal que se mudou para Portugal e inicou o estudo científico dos monumentos megalíticos funerários portugueses, de uma importância fulcral devido à sua unicidade, pode ser conhecido aqui.  

- Finalmente um artigo de opinião, um pouco mais dentro das questões cientificas, mas que vale a pena ler nem que seja para perceber que em ciência tudo se discute constantemente e são as incertezas e mutações que são saudáveis. Arqueologia e antropologia devem andar ligadas? Aqui.

18.7.15

o melhor livro que li este ano em três frases






“Anything can happen to anyone, but it usually doesn't. Except when it does.” 

“It's so heartbreaking, violence, when it's in a house-like seeing the clothes in a tree after an explosion. You may be prepared to see death but not the clothes in the tree.” 

“There were two types of strong men: those like Uncle Monty and Abe Steinheim, remorseless about their making money, and those like my father, ruthlessly obedient to their idea of fair play.” 

15.7.15

a geografia



Quem manda é a economia.
Não. É a política.

I M P L O S Ã O

Afinal, o fim de tudo, o que fica, é a 
geografia.

E, assim, tudo começa de novo.

25.4.14

25, quarenta anos depois



Liberdade? 
Os casais que querem adoptar sentem-se muito agradecidos. Os jovens que querem ter filhos mas não conseguem porque tem que escolher entre pagar os impostos e trabalhar para viver e ter filhos também. Os reformados ou quase reformados também sentem muita liberdade já que podem reaver todo o dinheiro que andaram a descontar durante mais de 40 anos. É uma liberdade pegada mas não deve ser liberdade de escolha. Ou engoles o que te dão ou então não comes. Ainda assim, ao contrário de muita gente baralhada que anda por ai, não penso que o 25 de Abril já esteja esgotado. Acho sim, que depois de 40 anos, ainda estamos muito no princípio de uma democracia plena (devíamos começar por ser mais tolerantes com os que nos rodeiam incluindo vizinhos, conhecidos e colegas de trabalho). 
Venham mais e melhores 40?

28.10.13

Especial Halloween: as máscaras verdadeiramente assustadoras



Antes dos fatos comprados, reflexos de bruxas, vampiros e frankensteins e outros que tal, havia o medo do que era estranho, como quem diz, fora do comum. Aparentemente esse era um conceito fácil de trabalhar quando se chegava ao Halloween, vestindo-se as crianças como criaturas que, essas sim, eu não ia querer encontrar numa noite de nevoeiro.
Ossain Brown, reuniu num livro várias imagens de crianças vestidas com fatos de Halloween criados pelos seus pais. Cuidado a visionar, não me responsabilizo por futuros pesadelos.
 
Mais fotos aqui.











25.5.13

Ternura


 
Não partilho aquela ideia de superioridade de se ser humano em relação aos outros animais mas esta caixa cerebral de  tamanho incrivelmente grande por vezes faz-nos ser surpreendentes. Duas coisas me comovem muito na forma humana de ser, uma delas é a arte e a outra é o altruismo (fazer algo por alguém sem se beneficiar nada com o acto, fazer porque se quer).
 
Posto isto a história (possível) da foto - retirada daqui:
"Se trata de uma legião francesa na Argélia, provavelmente durante a Guerra de Independência (1954-1962). A Legião Estrangeira encontrou o filhote de burro abandonado e morrendo de fome, resgataram e o animal recebeu o nome de Bambi, tornando-se mascote do regimento.

A foto, de 1958, foi publicada no Daily Mail e os soldados receberam uma homenagem da "Sociedade Americana para a luta contra a crueldade animal" e da "Real Sociedade para a Proteção dos Animais" (RSPCA) em Londres."
 

8.4.13



Porque hoje é o dia em que foi exumado o corpo de Neruda para determinar se terá sido assassinado em 1973 pela ditadura de Pinochet.

4.4.13

A brasa à minha sardinha - Os outros (da arqueologia) - clicar no texto para ler tudinho


"Lembro-me de entrar na Faculdade, com os meus 18 anos, sem perceber realmente o que era Arqueologia , ou o que significava ser Arqueólogo. E assim continuei durante grande parte do primeiro semestre, a mergulhar neste tema e naquele, conforme as aulas e os apetites. Depressa comecei a perceber que não bastavam, nem de perto, as aulas e os apetites – necessitava de prática, ansiava por testar no mundo real o que ia aprendendo, se bem que essa prática na altura se limitava, e creio que se contínua a limitar, na maior parte dos casos, à participação voluntária (e nunca obrigatória) dos alunos em escavações no Verão. Procurei professores, e fui bem recebida. A minha primeira escavação iniciou a minha história de amor com a Arqueologia – percebi que estava a caminhar na direcção certa, e por mais que custasse levantar cedo e passar o dia ao sol, por mais cansada que estivesse ao final do dia, na verdade não custava nada, porque estava apaixonada pelo que estava a fazer, e a construir.


 
Porque é importante AMAR o que se faz. Gostar não chega. Isto é como correr a maratona, há que lutar muito, por vezes cair, querer desistir, achar forças para continuar e, se for caso disso, ter a coragem de dizer que "não é para mim". 

Daqui, um blog a seguir.
 
 

Postcards from London



Desta vez, directamente do subsolo de Londres, uma fossa pós-medieval construída com cornos de vários animais. Podia ser local de um qualquer ritual (e os arqueólogos adoram locais rituais), com interpretações à canal História, mas é apenas um buraco onde colocavam os detritos. Os cornos foram usados porque os outros materiais de construção eram escassos sendo estes, em particular, rejeitados da manufactura de peças requintadas por apresentarem defeito.

'The pit consists of a cylindrical void with a perimeter structure built with animal horns as a cheaper alternative to bricks. The horn cores were inter-woven to offer a degree stability to the structure, and the pit was then used for the disposal of domestic waste. The horn cores were derived from long horn cattle and represent the residual waste from t...he local ‘horning’ industry. ‘Horners’ were skilled craftsmen who worked horn from cattle to create a range of artifacts from drinking vessels to buttons, and from panels in lanterns (when sliced very thinly) to tool handles'. Information and image via http://hearingshofar.blogspot.ie/2011/07/horn-core-pits-in-ancient-london.html)

13.3.13

Já diz o Primeiro (de quem nele votou) o desemprego é uma oportunidade



Estive aqui a fazer contas e por ser uma involuntária trabalhadora independente já tive desde que comecei na minha área 15 projectos diferentes (aka trabalhos) para umas cinco ou seis entidades. Parece mau mas é bom.
Foi na minha área de formação. Aprendi imenso, sempre evoluindo e como sou independente muitas coisas tiveram que ser aprendidas por intuição (não há aqui espaço para o erro) o que me fez estar bem mais atenta a tudo o que diz respeito ao meu trabalho. 
Nunca me imaginei a trabalhar em obras. A minha área é a história meus senhores...como é que acabei a lidar com giratórias, passagens hidráulicas e engenheiros? O que acontece é que não sendo toda a minha vida laboral (felizmente) este lado construtivo é também muito giro. Atravesso Portugal a apontar: olha ali estava uma necrópole medieval, ali escavámos sob o aqueduto dos águas livres, acolá encontrámos umas fossas com enterramentos de duas crianças e a sua bola de brincar...com 5000 anos, aqui era uma cabana com chão de cacos. Ou então numa variante menos aventureira: trabalhei naquele túnel, este jardim foi feito por nós, andei nesta auto-estrada, e naquela e naquela outra, ah...aquela barragem, quem viu isto antes e depois, isto ficou muito mais giro depois dos carris colocados e por aí fora.
Mas há alturas em que devemos parar. Quando o gosto pelo que fazemos já não é o mesmo do início e sentimos o cérebro cansado sem haver razão para tal. É hábito, acomodação e falta de desafios. E é assim que chega ao fim um ciclo. No final do mês acaba este meu trabalho e vou tirar dois meses inteiros para me dedicar à investigação que quero fazer há mais de cinco anos. Dois meses inteirinhos só para estudar e trabalhar sobre gente que viveu há mais de 500 anos e descobrir o que comeram, como eram os seus hábitos de higiene e, essencialmente, como viveram.
E ando  em pulgas por isso. E depois, se a crise deixar, voltar ao labor nas obras. Ou então não e seguir o rumo agora reiniciado.
Vamos ver o que a vida trás!