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30.7.17
Fim aos crédulos
Onde anda o valor da "palavra dada"?
Para onde foi a ética entre colegas de profissão?
Tenham muito medo. Isto só vai piorar.
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21.3.17
O mundo académico é suposto ser desafiante. E é! Mas não do modo como inicialmente possamos pensar. Agora que me iniciei na via sacra de obter o Pê-Agá-Dê reparo que a minha maior dificuldade é lidar com níveis de burocracia e desinformação à escala o godzilla (ou novo King Kong) da parte das universidades e FCT. Posso contar aqui que (quase) ninguém me conhece que ainda que a tese e a investigação estejam a correr muito bem quando alguém me pergunta pelo Pê-Agá-Dê coloco um ar de desalento e tristeza na cara porque apenas faço merda em tudo o que é secretarias.
Vou acabar com um Pê-Agá-Dê em serviços e competências públicas e isto deve ser a praxe...
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9.3.17
O caminho para o trabalho não tem que ser sempre feio, mau e triste.
Nos pormenores ah!... A beleza.
Coimbra. Já dentro dos HUC. Hoje.
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8.3.17
13.2.17
Jane Goodall
Humanos. Primatas. Animais sociais.
É isso.
Não se contam as vezes em que já fui salva de mim mesma por outros.
Hoje foi um dia assim.
Eu seria diferente se fosse de outro modo.
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7.2.17
Inicio da semana.
Aos começos um brinde.
Estamos vivos.
Voamos?
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8.4.16
Dias Úteis
Seminário de doutorandos. Patologia oral de Palencia e procedimentos cirúrgicos nos hospitais. Tudo em gente que - pelo menos - morreu há 100 anos. Biblioteca Geral da Universidade: o buraco negro onde se escondem as almas estudiosas mais atormentadas (um dia farei aqui o devido post sobre este local tão místico). Casa. Começar a ver o ultimo filme do Gaspar Noé. Um segundo e uma pila depois decido que não é o melhor dia. Biblioteca Geral. Gente do secundário que veio visitar a instituição entra na sala de leitura aos berros. Oiço um toque do Bieber. Morro um pouco por dentro e julgo que a chinesa ao meu lado deixou cair uma lágrima. Encarregam-me de zelar por uma sala que não frequento (se não a começar a frequentar ela desaparece, deixa de ser sala). Casa. Noe? Better call Saul para acalmar. Trabalho no Porto. 6 da manhã estou de pé entusiasmada. "Que bom é este trabalho que me permite ir ao Porto a meio da semana!". 9 horas, no Porto. O local de trabalho é dos mais bonitos que tive. Afinal em Gaia, junto ao antigo Hard Club. Prazeres meus. Vista deslumbrada e descoberta de todo o monte Porto. Passadas duas horas o trabalho está terminado. Vou passear até à hora do expresso. O Porto está giro! Dá vontade de viver ali. Muita gente, turistas pouco usuais, pessoas que param na rua a olhar. Muito bonito. Também lá há mendigos e sem-abrigo. Toda a fruta fica podre. Voltar. Casa. Better call Saul. Dia na Biblioteca Geral. Os tipos de direito são os piores. Estudam (ou decoram falas como um actor) batendo com as mãos na cabeça. Eu cá que sou de humanidades e ciências menos exactas assusto-me. Estou habituada a compreender e não a calcar informação. Missão Biblioteca Geral cumprida. Vou a um bar e a única coisa que ingiro são batatas fritas. Sinal claro de que estou a levar a sério o doutoramento (ou que já tenho pouco dinheiro/ neurónios para gastar). Casa. Better call Saul. Aulas. Almoço com amigos na esplanada. Meia hora a ver uma criatura estacionar o carro meio em cima do passeio meio na estrada. Limpar o mail (não concluído). Pesquisar sobre congressos. Lavar a roupa na lavandaria da universidade. Texas. Cada um armado com o seu saco do Continente cheio de roupa suja a querer ficar em primeiro na fila para as máquinas de lavar. Casa. Filme do Gaspar Noé. Pausa para vir aqui escrever esta parvoíce em que omito metade das minhas alegrias semanais e a totalidade das minhas tristezas. Soares Filho e Vasconcelas mostraram a cara. Woodkid mostra o génio. Não há como boas notícias que nos prepararmos para o fim de semana.
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24.8.15
"A man who spends half a century dedicated to the study of his beautiful city’s rich history, excavating its ancient glories and sharing them with the world in museums and books; a man who, when the storm of violence approaches, works assiduously to hide those priceless artifacts from the monsters who would destroy them or disperse them into the hands of greedy, amoral collectors around the world; a man who then refuses to leave the city even though he knows he will almost certainly be a target of said monsters; a man who, at 82 years of age, sustains a month of God knows what kind of interrogation methods without breaking; a man who gives his life for love of history. That man is the hero."
Um alvo pára na cabeça dos historiadores. Por vezes é um alvo de palavras na forma de injurias. Noutras, como visto recentemente, é um alvo sobre a própria vida. Que fazem estes cientistas que apenas usam a força do raciocínio e da pena?
Eles (a sua maioria) sabem o valor do passado. Conhecem os contextos das revoluções, as razões (que tantas vezes não são as postuladas). São por isso dotados de cinismo porque já viram antes o que se passa hoje.
Há um medo em todos os ditadores, em todos os extremistas, que a verdade se saiba para lá do banho dourado que estes lhe dão. Aqui aplica-se a frase conhecida de Heinrich Heine: "Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas.", porque o conhecimento da história é uma ameaça, assim como a cultura e o ensino. Pessoas ignorantes é o que se quer para difundir ideias sem pés nem cabeça.
Todo o mundo devia chorar a morte de um homem que apenas procurou conhecer e estudar melhor a Humanidade. Só que esta é mais chica esperta do que justa.
23.8.15
Afinal para que serve a história?
(Imagem retirada do artigo do Público e parte integrante do Arquivo Leisner; ler o ponto quatro)
Por achar que se desvaloriza em profundidade o estudo do passado e as ciências que o encabeçam vou procurar trazer de tempos a tempos um digest - com fundamento científico - sobre o que veio a lume por esta internet fora sobre algo que deveria interessar a cada um de nós - O Nosso Passado - já que ao estado nem vala a pena falar.
Esta semana:
- Portugueses de hoje seguiram os passos dos de ontem. Depois de uma profunda crise - a crise do século XIV - dominada por fome, guerras e doenças iniciou-se um tipo de migração (aqui leia-se busca de sustento noutras latitudes), a fuga em frente que sempre caracterizou os portugueses. Com um pouco de engenho, sorte e planeamento (as três coisas são possíveis) chegou-se, há 600 anos, a Ceuta. Para ler aqui.
- Colegas (e amigos) quase a fazer omeletes sem ovos ou de como uma única falange da mão pode ser fundamental para entendermos quem nos precedeu. Como sempre, no que à evolução humana diz respeito, são boas notícias da mãe África. Aqui.
- Há um cuidado especial em deixar enterrados certos temas que nos envergonho enquanto povo. A inquisição em Portugal é um deles. Um colega (e mais uma vez, um amigo) agarrou o touro de frente e estudou vários esqueletos de indivíduos vítimas da Inquisição oriundos de Évora. A investigação foi publicada em jornais da especialidade, na Forbes e imagine-se no nosso A Bola que muito me alegrou ver a divulgar a investigação feita em Portugal por jovens cientistas.
- E agora de fora para dentro. Uma reportagem sobre a disponibilização do arquivo dos Leisner. Para muitos um nome desconhecido mas para todos os arqueólogos portugueses uma referência. O casal que se mudou para Portugal e inicou o estudo científico dos monumentos megalíticos funerários portugueses, de uma importância fulcral devido à sua unicidade, pode ser conhecido aqui.
- Finalmente um artigo de opinião, um pouco mais dentro das questões cientificas, mas que vale a pena ler nem que seja para perceber que em ciência tudo se discute constantemente e são as incertezas e mutações que são saudáveis. Arqueologia e antropologia devem andar ligadas? Aqui.
17.8.15
7.8.15
6.8.15
19.2.15
Digam lá que o que isto não é tão lindo
Lúcia Miguel, colega da empresa Era, explica num pequeno vídeo documental a importância da descoberta dos Fornos de Cal da Magra (Baleizão, Beja), num projecto Era/Omniknos.
Os trabalhos de arqueologia implementados em empreitadas de grande dimensão espacial ou patrimonialmente relevantes são hoje uma grande fonte de trabalho para arqueólogos (e vários investigadores que actuam em torno da ciência arqueológica) e para além de revelarem importantes informações sobre o passado do território onde habitamos levantam em igual medida novas e misteriosas questões.
Este é um trabalho não só histórico mas cultural.
Quem não conhece as suas raízes desconhece-se a si mesmo.
Marcus Garvey
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16.2.15
6.1.15
18.10.14
Adeus Baleizão
Heraclitus
Terminou há uma semana o pior ano da minha vida.
Havia uma sombra que cobria os meus dias e retirava alegria ao que antes me fazia feliz.
Embora tenha lutado sempre para que não me domina-se dias havia em que era quase insuportável. Mudei em mim muita coisa para terminar este ano. Valorizei cada pequena alegria e relativizei tudo o que me tornaria negativa e zangada. Ainda assim comia pior, diminui a minha participação social (o blog foi uma das vítimas), e escudei-me em poucos amigos (que conheciam a situação) e na família.
A razão da minha infelicidade era o meu trabalho. Uma parvoíce para quem está bem e uma realidade próxima para quem sente o mesmo.
Este foi o ano sob o domínio da expressão "aguenta". E aguentei, não fiquei deprimida, tive ajuda de muita gente e tive muita força interior para duas coisas:
1. Não deixar de sorrir, sempre.
2. Não descarregar as frustracções em ninguém.
Fui forte e capaz de mudar.
A semana que passou foi a mais feliz de toda a minha vida. Tinha todas as razões menos uma. Agora já acabou.
Viva a mudança e a serenidade.
5.7.14
O que fazer quando se passa 13 horas por dia aqui
Explora-se o local até à exaustão.
E, afinal, a natureza entretém sempre.
O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma seqüestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXIV"
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma seqüestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXIV"
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16.6.14
11.5.14
Deixei de:
- Lavar a roupa
- Pintar as unhas
- Namorar em condições
- Ir à PRAIA
- Ver Vikings
- Ler as múltiplas revistas mensais às quais ainda não coloquei a vista em cima
- Ver um filme
O que fiz:
- Um relatório
O meu fim de semana acaba de começar (são 19:11 de Domingo) e a minha cara é a que estes primos apresentam em cima
(infelizmente sem a sauna).
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