8.9.12




Sabes que és de outra era quando queres ir até ao Cais das Colunas e sais no metro da Baixa-Chiado.



"Passei-me sem armas e sem bagagem para a Literatura. Como quem foge. Parece álibi. Mas um álibi que dura é quase um argumento."

Eduardo Lourenço

7.9.12




"Mas o tempo... o tempo primeiro fixa-nos e depois confunde-nos. Pensávamos que estávamos a ser adultos quando estávamos só a ser prudentes. Imaginávamos que estávamos a ser responsáveis, mas estávamos só a ser cobardes. Aquilo a que chamávamos realismo acabava por ser uma maneira de evitar as coisas e não as enfrentar. Tempo... dêem-nos tempo suficiente e as nossas decisões mais fundamentadas parecerão instáveis e as nossas certezas, bizarras."

Julian Barnes in O Sentido do Fim

Imagens que passais pela retina





Imagens que passais pela retina
Dos meus olhos, porque não vos fixais?
Que passais como a água cristalina
Por uma fonte para nunca mais!...
Ou para o lago escuro onde termina
Vosso curso, silente de juncais,
E o vago medo angustioso domina,
_ Porque ides sem mim, não me levais?
Sem vós o que são os meus olhos abertos?
_ O espelho inútil, meus olhos pagãos!
Aridez de sucessivos desertos...
Fica sequer, sombra das minhas mãos,
Flexão casual de meus dedos incertos,
_ Estranha sombra em movimentos vãos.

Camilo Pessanha (1867-1926) - faria ontem anos-


 in 'Clepsidra'




1, 2, 3... inspira... expira... cinco minutos de tranquilidade!



Parece que Portugal vai jogar, que o Passos vai falar e que eu vou limpar os cristais do lustre da sala enquanto oiço o best of do Festival da Canção.



Eu gosto de mudar mas detesto embalar coisas e desfazer malas. Complica-me com os nérves. Por isso, hoje à noite, devo entregar as minhas mágoas a uma garrafa um copinho de álcool. Tipo detox (muito popular na blogosfera ao que parece) mas para pessoas sem filhos pequenos.


Ai agora sou uma espetadora de TV? Isso é meter o aparelho  entre uma fatia de pimento e outra de toucinho não é?

6.9.12

Cidade amada



Lisboa - Chafariz do Rato em 1907

Quantas vezes ali passo  e tendo reparado na imponência deste chafariz ela me parece totalmente desajustada, como se neste momento ele apenas funciona-se como um bibelot naquele Largo, até porque nem uma placa explicativa tem. 
Este chafariz liga praticamente de forma directa à Mãe de Água, que fica umas ruas acima e esta, por sua vez, ao Aqueduto das Águas Livres. Na outra direcção, o chafariz faz ligação por meio de túneis e galerias subterrâneas, ao depósito da Patriacal, que fica por baixo do Jardim do Príncipe Real, e deste saem galeria que vão até ao Miradouro de São Pedro de Alcântara. Todas as estruturas mencionadas são visitáveis (eu já o fiz e gostei muito) através de marcação com o Museu da Água da EPAL.
Foto: Joshua Benoliel

Última noite no Alentejo





Pérolas da minha Senhoria



Forreta. Contou-me que quando usa um clistér o poupa para ser usado mais duas vezes.

E disse isto, de pé na entrada da casa de banho (onde eu queria, com urgência, entrar) numa conversa de meia hora. Pormenor: ela estava de cuecas e acariciava as mamocas de vez em quando.

Eu com cara de quem estava a ver a janela manuelina no Convento de Cristo.

To do list




Esta semana é de mudança, literalmente. Vou embora do Alentejo (e ficar sem as pérolas da minhas senhoria :( ) e voltar para casa, Coimbra (que isto quem tem o coração em todo o lado acaba por ser um grande proprietário de sítios).

A mudança é motivada por trabalho, o que é bom, que eu gosto de mudar. E acontece logo nesta fase de fim início de estação, de luas azuis, regresso às aulas, fim de silly season (really?), saída de amigos para viver (e sobretudo trabalhar) fora de Portugal, nascimento de bebés de amigas, outros mesmo a nascer e ida da mana mais nova para a universidade. Onde , onde? Precisamente, Coimbra! :)

Por isso a lista em cima está mais que actual. Vamos por pontos:

1. Dormir: no need. Já durmo imenso. Por isso este ponto até vai funcionar ao contrário. Dormir menos SFF.
2. Música: sempre, mais e mais. E de preferência coisas novas, daquelas que nos fazem sentir que estamos na posse de um pequeno segredo, antes de o libertarmos para o mundo. E sem abandonar as coisas de que mais gosto. E já agora ouvir mais Clássica, que por preguiça cerebral é muitas vezes colocada em último plano.
3. Chá: é um dado adquirido! Se já no Verão bebo chá que se farta no Inverno nem dá para falar. O cantinho dos chás na prateleira está, aliás, tão grande que em breve deixa de ser um cantinho. Por isso aqui o desafio é dar um ar apresentável ao canto dos chás.
4. Livros: sem dúvida. Tenho montes, pilhas, quilos de livros para ler e este ano ando meio fraquinha. Como é costume que o ritmo que adopto a ler seja um reflexo dos meus ritmos de trabalho é capaz de a coisa se compor já que aqui no Alentejo a coisa não se proporciona muito, com 12 horas de trabalho diárias e uma senhoria tagarela em casa.
5. Pôr-do-Sol: Esta também não parece difícil, até porque agora o final do dia é mais cedinho. Das coisas que mais prazer me dão é ver o pôr-do-Soll a acompanhar o carro enquanto conduzo para casa no final do dia de trabalho. Priceless.
6. Criar. Definitivamente tenho que criar (que é como quem diz acabar) a tese. Depois disso já tenho todo o tempo para criar as coisas mais supérfluas e prazenteiras que tenho adiado.
7. Passeios grandes: ou caminhadas. Que eu quero muito começar a fazer. Daqueles mesmo tipo trekking, ou vá lá, uns passeios decentes, com caminhada, aos fins de semana. O parque verde em Coimbra  (ou o Choupal) também não me parecem mal. 
8. Rir: eu rio muito. Pelo menos é isso que acho. Sei que não sou uma pessoa sisuda. Mas também sei que podia rir muito mais. O que implica aborrecer-me menos. E este tem sido um projecto a longo prazo, desde os meus 20 que me tendo a aborrecer cada vez menos e tem resultado. São, é claro, baby steps. O segredo está em olhar para os outros e deslumbrar-nos por pequenas coisas como um nosso colega muito chato colocar sempre 1 cubo e meio de açúcar no café.
9. Abraços: dou aos montes. E não dou mais, muitas vezes, porque não sei como é que as pessoas vão reagir. Mas, depois, tenho o pólo oposto, se não gosto da pessoa, nem um aperto de mão vai aparecer.
10. Sonhar: também não é preciso mais. Se mantiver neste nível já está estupendo. Sonho que me farto a dormir e ainda mais acordada. Sou das pessoas com uma mente mais fértil que conheço. Tenho uma pena de não ser dotada para a música ou pintura... acho que precisava que esta criatividade toda me saí-se do corpo pelos dedos a fora.
11. Divertimento: é preciso sim senhor. Saber quando sair, e não ficar em casa a ver TV, acabando por não fazer nada de jeito. Fazer pequenas coisas divertidas que a vida não está para horas perdidas.
12. Amor: quem não precisa sempre? Eu sou muito amada, amo muita gente, mas este coração é muito grande e se couber mais alguém será bem vindo. E viva o amor no Outono. É tão bonito.




Sex.  In America an obsession.  In other parts of the world a fact.  

Marlene Dietrich




Venho avisar que este blog se vai tornar sexualmente activo.
 E sensual, sensual!

P.s. No entanto não tenciono torná-lo para maiores de 18. Primeiro porque toda a gente antes do 18 já sabe alguma coisa de sexo e depois porque se os papás não querem que os filhos vejam certas coisas é deles o dever de os moderar e não o meu de me censurar e inserir numa faixa etária limitada.



Tenho reparado que sou muito sensível ao andar das pessoas. E que me irritam sobretudo pessoas que caminham sem confiança, mais nos homens, ou que caminham como se ainda fossem crianças, entre pequenos passos e pulinhos e o rabo todo empinado "à pato".

Tantas vezes serve de s.o.s.




5.9.12

Sabes que é um português quando

... estando num país árabe onde é obrigatório que as mulheres usem um véu os trabalhadores da construção civil arranjam artimanhas (que incluem descobrir a faixa etária das senhoras) para lhes mandarem piropos no meio do mercado. Com risco dos acompanhantes masculinos darem pela coisa. Diz que elas ficavam doidas de contentamento.



Fazia hoje anos.





Para além da pessoa e da banda, deu voz a músicas que são parte da banda sonora da minha vida.

Orgulho é dizer pouco. Comoção, respeito e exemplo.




 O trio português, formado por (da esq. para a direita na imagem) Armando Costa (ARDA – Porto), José Carlos Macedo (SC Braga), e Luís Silva (ABLS – Famalicão), ganhou a medalha de Prata na modalidade de Boccia.


O atleta português Lenine Cunha conquistou a medalha de bronze na prova do salto em comprimento F20 (deficiência intelectual) dos Jogos Paralímpicos Londres 2012. Conseguiu um salto de 6,95 metros e melhorou o seu record pessoal.

Podia fazer um texto todo bonito mas no fundo só quero mesmo agradecer!