"I don't think anybody is anybody else's moral compass. Maybe listening to my music is not the best idea if you live a very constricted life. Or maybe it is."
Primeiro li o pequeno livro - muito negro - de Jean Touré. A família Touvache gere um negócio peculiar, uma loja que vende apetrechos para suicídios que seriam comuns numa realidade temporal longínqua (?). Tudo muda quando nasce o terceiro filho, um bebé que, ao contrário da restante família, sorri como a Primavera e apenas busca a felicidade, pondo em risco o sustento familiar.
O filme de animação, realizado por Patrice Leconte, é um objecto interessante em termos visuais e de público, desaconselhando-se a crianças (tripas, nudez e venenos) mas sendo ternurento para os adultos.
No final ainda ficamos a pensar na vida diária de muita gente que gostaria de ter à mão uma loja com este propósito.
As cores do meu dia. Pode ser frio de manhã e quente à tarde, de noite chuva e nevoeiro... mas é cheio de tons de Outono! A vista do trabalho neste caso não é de deitar fora, pois não?
Quando, Lídia, vier o nosso outono Com o inverno que há nele, reservemos Um pensamento, não para a futura Primavera, que é de outrem, Nem para o estio, de quem somos mortos, Senão para o que fica do que passa O amarelo atual que as folhas vivem E as torna diferentes.
Mensagem que escrevi no Facebook e respectivo vídeo:
"A morte tem destas coisas. De um momento para o outro o Facebook (tantas vezes ofendido) tornou-se num gigante mural de recordações e pensamentos sobre Lou Reed e a sua influência em cada um. Com os ouvidos da democracia cada pessoa vai escolhendo do catálogo musical extenso aquela música ou álbum que lhe é especialmente querido para depois os partilharem. Afinal a boa música - não tem que ser especialmente alternativa ou comercial - sobrepõe-se ao mau gosto idiota com que nos querem brindar e sobrevive. Sempre. Deixo um álbum que, julgo, se adequa aos tempos, uma homenagem (e base de inspiração) de Lou ao Corvo de Allen Poe."
Antes dos fatos comprados, reflexos de bruxas, vampiros e frankensteins e outros que tal, havia o medo do que era estranho, como quem diz, fora do comum. Aparentemente esse era um conceito fácil de trabalhar quando se chegava ao Halloween, vestindo-se as crianças como criaturas que, essas sim, eu não ia querer encontrar numa noite de nevoeiro.
Ossain Brown, reuniu num livro várias imagens de crianças vestidas com fatos de Halloween criados pelos seus pais. Cuidado a visionar, não me responsabilizo por futuros pesadelos.
Irmãos humanos tão desamparados a luz que nos guiava já não guia... somos pessoas - dizeis - e não mercados este por certo não é tempo de poesia gostaria de vos dar outros recados com pão e vinho e menos mais valia.
Irmãos meus que passais um mau bocado e não tendes sequer a fantasia de sonhar outro tempo e outro lado como António digo adeus a Alexandria desconcerto do mundo tão mudado tão diferente daquilo que se queria.
Talvez Deus esteja a ser crucificado neste reino onde tudo se avalia irmãos meus sem valor acrescentado rogai por nós Senhora da Agonia irmãos meus a quem tudo é recusado talvez o poema traga um novo dia.
Rogai por nós Senhora dos Aflitos em cada dia em terra naufragados mão invisível nos tem aqui proscritos em nós mesmos perdidos e cercados venham por nós os versos nunca escritos irmãos humanos que não sois mercados.
MANUEL ALEGRE, in NADA ESTÁ ESCRITO (Pub. D. Quixote, 2012)
"A ciência não averiguou ainda se a loucura é ou não a mais sublime das inteligências."
Pam!
A Dream Within A Dream
Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow-
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.
I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand-
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
É um dos meus musicais favoritos (e eu gosto muito de musicais) e aqui apresenta-se na comemoração dos 25 anos de apresentações (ano de 2011, parte preferida aos 28 minutos). Este é actualmente o espectáculo há mais tempo em exibição na Broadway. Recomendo, no entanto, que se encontrarem vejam a versão com o primeiro elenco (incluindo Sarah Brigthman).
O Fantasma da Ópera é um romance original de Gaston Leroux publicado em 1910. Depois de várias adaptações pela sétima arte (a primeira adaptação ao cinema data de 1925!) eis quando, em 1986, Andrew Lloyd Webber, Charles Hart e Richard Stilgoe o adaptam ao teatro.
Da ultima vez que publiquei esta rubrica fui levada a reparar em gravíssimas falhas no que toca aos genéricos de telenovelas brasileiras com que cresci. Assim sendo, aqui vai a parte dois dessa edição.
Imagem de Dali para a Playboy datada de 1973.
"It is good taste, and good taste alone, that possesses the power to sterilize and is always the first handicap to any creative functioning."
"A CinemaScópio Produções disponibiliza pela 1a. vez no canal do YouTube de Kleber Mendonça Filho a ficção científica RECIFE FRIO, o curta metragem brasileiro mais premiado desde Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado.
RECIFE FRIO é um 'falso documentário' sobre mudança climática na tropical capital pernambucana que, inexplicavelmente, passa a ser fria. Isso gera mudanças no comportamento da população e em toda uma cultura que sempre viveu em clima quente.
Com mais de 50 prêmios no Brasil e exterior, RECIFE FRIO é apresentado aqui com teaser INÉDITO de O SOM AO REDOR, o filme brasileiro mais aclamado de 2012, 1o. longa de ficção do diretor de RECIFE FRIO, Kleber Mendonça Filho.
O SOM AO REDOR estréia nos cinemas brasileiros em 4 de Janeiro. Compartilhem à vontade."
[Desde que chegou à capital para começar uma nova vida, Mateus, um jovem proveniente de uma aldeia escreve a seu pai. Através de palavras e silêncios surgem feridas profundas quase invisíveis. A vida nunca é o que esperamos dela…
A partir de 3 a 31 de Outubro, de 5ª a 2ª feira Duração: 15min Preço: 3€...
Ficha técnica: Texto de: Daniel Keene | Tradução: Pietro Romani Encenação: Mickael Gaspar | Interpretação: Marc Xavier Cenografia: Angela dos Santos Rocha
"Eu gosto de estar sozinho só não gosto quando estou em casa é de facto engraçado eu gosto de estar rodeado por pessoas mesmo que eu não as conheça eu gosto de estar na minha desde que não esteja sozinho é engraçado" Mateus, Monólogo sem título]
Há uns anos (e quando se vai a ver é há mais de 10) eu - tentei - fiz um curso de teatro com a minha amiga Cat. Foi das coisas mais difíceis que fiz na vida. Percebi que não tinha feitio (sim é necessária uma personalidade particular para servir de vaso a outras pessoas e exibir isso à frente de outros) para a coisa e desisti antes da apresentação final. Ainda que esta passagem pelo teatro tenha sido breve e infrutífera eu nunca mais fui capaz de olhar para uma peça com a ingenuidade de quem nunca experimentou representar. É por esta razão que sei bem o que representa exibir um monólogo e o que este - mesmo que de 15 minutos - exige de um actor. Em vários momentos da representação a contracena é fundamental para nos orientar e situar. No monólogo o actor conta apenas consigo.
O Monólogo sem Título tem interpretacção de Marc Xavier e encenação de Mickael Gaspar e aos dois se deve o sentimento de satisfação que senti quando abandonei a sala no final dos espectáculo.
Não achei o texto especialmente atraente, sobretudo por me dar a sensação de se querer o Rossio na rua da Betesga. Foram abordados muitos assuntos e, como por critério as peças tem 15 minutos, estes não são muito aprofundados. Há uma sensação de ritmo enorme no desenrolar do monólogo, várias coisas se sucedem não sendo este de todo monótono, conseguindo o actor captar muito bem a atenção do público do início ao fim (a que não é alheio o engenhoso uso que faz do cenário, já por si, muito conseguido).
Sobre o que á peça? Sobre um indivíduo engolido pela cidade, pela solidão e pela falta de sentido ou propósito para a sua vida. E aqui voltamos à primeira peça de que vos falei, O Arquivo!
Vale a pena ver este Monólogo sem Título e vale muito a pena ir ao Teatro Rápido! Eu vou tornar a ida ao Chiado (e a este teatro) um ritual mensal.
Imaginem que são 6 e 30h da manhã de uma segunda feira qualquer. Que não dormiram metade da noite por estarem com insónias e a outra metade por se forçarem a adormecer de modo a descansar porque no dia seguinte pela manhã vão conduzir durante duas horas até ao trabalho. Pensem que está chuva e em vez das habituais quatro camadas de roupa (t-shirt, casaco fininho, camisola de manga, camisola polar da quéchua) levas seis (lenço e casaco de penas impermeáveis) e uma bonitas botas da obra. Cereja no topo do bolo uns óculos sobre a cabeça quando ainda falta uma hora para o nascer do Sol (para a meio da viagem não estarem à procura na mala). A jantar a toda esta parafernália um ar de zombie, com olheiras e uma possíveis ramelas por não serem capazes de mais do que se lavarem à gato. Agora situem-se numa bomba de gasolina a atestar o depósito com o ar mais tresloucado do mundo.
É assim que, 10 anos depois da última vez, vão dar de caras com o vosso primeiro namorado! E ele vai estar deslumbrante numa farda.
Enfias os óculos mesmo sendo de noite, fazes de conta que não viste absolutamente ninguém e passas a viagem a dizer que ele está parvo como sempre.
"Micro-peça no Teatro Rápido Outubro de 2013 Texto de Filipa Leal Com Inês Veiga de Macedo e Ana Lopes Gomes Cenografia Miguel Bonneville Vídeo Tomás Baltazar Cartaz Teresa Types
Descrição
Leonor perdeu o marido. Perdeu-o na praia. Não se lembra de mais nada. Marca uma consulta de Psiquiatria porque quer recuperar a memória, quer descobrir o que aconteceu. Como um detective, a médica tenta perceber quem é aquela mulher, e o que há de verdadeiro na história que ela conta."
O absurdo do dia a dia´é por vezes de tal modo extremo que eu me confronto se devo ou não escrever sobre certas coisas que me acontecem ou de que sei aqui no blog. Há uma tendência estrondosa para que, como diz o clichê, a ficção seja ultrapassada pela realidade.
Se penso duas vezes em contar certos episódios, é, exactamente, por achar que quem me lê os julgue falsos de tão improváveis.
É este o ponto de partida para a conversa que nos é dado assistir nesta peça (de que gostei muito). A linha que divide a realidade e a ficção, em situações não presenciadas é tão ténue, que a psicóloga tem dificuldade em a encontrar. Mais, a própria paciente julga que está a experimentar devaneios dignos de um louco.
O texto é interessante mas o trabalho das actrizes é exímio. Adorei.
O final é apoteótico. E demonstra que uma peça sob o tema "excluídos" não tem que pesar uma tonelada.
Cantam flores de cristal, e no jardim vão já caindo as penumbras lentas.... Escarlatinos peixes, cobras sonolentas, e um fulvo girassol orgulham-se de mim.
Teu corpo é o fresco oásis aprilino, quinta essência da hora vespertina, cal dos meus olhos, beleza feminina orvalhada pelos brilhos do destino.
Em colunas brutais, rendas subtis e pálidas e melidrosas cores gentis parecem-me brotar das tuas mãos,
essas mãos ebúrneas, radiantes mais carregadas de luz que diamantes nascidos de mil sóis e de mil chãos.
Encenação e interpretação de Isabel Mões e João Ferrador. Estreia dia 3 de Outubro na Sala 1 do Teatro Rápido.
"Descrição
Centrado na questão da burocracia a peça revela, pela ficção e pelas histórias verídicas que lhe confluem, a exclusão do cidadão dos seus direitos pela ineficiência das instituições públicas. Uma idosa falha o prazo para fazer a prova de vida e é declarada oficialmente morta nos dados da função pública. Empreende, então, uma luta titânica contra a arbitrariedade dos burocratas para provar que está viva. Pelo caminho reflecte nas opções de vida do seu passado e angustia-se por o filho não aceitar tomar conta dela. Um espectáculo sobre a insensibilidade esmagadora da burocracia e construído a partir de reclamações reais de cidadãos sobre o atendimento nas repartições públicas."
Este é um trabalho interessante sobre os obstáculos que a burocracia e a "papelada" representam na vida de um cidadão. No entanto, julgo que a peça podia ser desdobrada em duas. Uma focando-se mais no problema burocrático, muito bem abordado pelos actores e complementado por imagens gravadas com pessoas comuns junto das entidades burocráticas. Outra poderia optar por refletir sobre as escolhas que se fazem durante a vida e como é que elas podem influenciar o nosso futuro. No caso concreto da peça a relação entre a mulher e o filho.
Gostei do trabalho dos actores, gostei dos dois níveis de crítica, mas para uma peça de 15 minutos pareceu-me querer tocar em dois instrumentos ao mesmo tempo.
20.10.13
CHEGA DE SAUDADE
Vai, minha tristeza E diz a ela que sem ela não pode ser... Diz lhe numa prece que ela regresse Porque eu não posso mais sofrer Chega de saudade, a realidade É que sem ela não há paz, não há beleza É só tristeza, e a melancolia Que não sai de mim, não sai de mim, não sai Mas se ela voltar, se ela voltar Que coisa linda, que coisa louca Pois há menos peixinhos a nadar no mar Do que os beijinhos que eu darei na sua boca Dentro dos meus braços os abraços Hão de ser milhões de abraços apertado assim Colado assim, calado assim Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim Que é pra acabar com esse negócio De viver longe de mim Não quero mais esse negócio De você viver assim Vamos deixar desse negócio De você viver sem mim VINICIUS DE MORAES, in LIVRO DE LETRAS, in O POETA NÃO TEM FIM (arteplural ed., 2003)
A peça de que mais gostei. A peça que mais me incomodou.
Há um género de acordo entre os actores e o público que, se nunca se verbalizou, pelo menos se sente num teatro regular. A penumbra que envolve a plateia serve tanto para esconder as reacções de quem assiste como para dar mais conforto ao actor, que assim não se confronta com as centenas de olhos postos em todos os pontos do seu corpo.
Em O Arquivo, a sala é mínima, terei contando dois bancos corridos com uns 8 lugares (dos quais 6 estavam preenchidos), dispostos em ângulo recto em torno do palco (sendo que os outros dois ângulos rectos eram constituídos por paredes). O efeito é um pouco claustrofóbico, o que se pronuncia mais quando os actores fazem o que lhes compete - actuar - e nos usam para fixar o olhar.
Quando se ultrapassa esta situação (se se ultrapassar, eu acho que a estranheza da posição onde me encontrava, tão perto da acção teatral nunca desapareceu) e a peça se desenrola percebemos que a proximidade serve bem o propósito do que viemos presenciar.
Num arquivo de livros (estranhamente livros que parecem ter saído das estantes cá de casa) uma mulher arruma-os em estantes, como é esperado da sua função, e um homem lê, recusando-se a coloca-los nos seus lugares. Toda a cena se torna muito kafkaniana ( e, de facto, Kafka e a sua metamorfose são parte essencial à compreensão do que algo se passa) e a questão que emerge é só uma: quando é que estamos mortos para o mundo (a sociedade?). Arriscando continuar: quando é que somos excluídos? Como podemos deixar de o ser?
Também há Oscar Wilde. Uma pequena cereja em cima de um generoso bolo.
Recomendo.
De 3 A 28 DE Outubro Sessões: 18:05, 18:35, 19:05; 19:35, 20:05 Texto e encenação de Hugo Biscaia Barreiros Interpretação: Gonçalo Brandão e Soraia Tavares Fotografia : Sérgio Dinis Co-produção: Mecanismo Criativo
Não sei bem quando é que deixei de ser a mais nova nos meios em que me movo... mas aconteceu. Tenho uma colega de 22!! anos e uma mão cheia deles mais novos.
O mesmo aconteceu quando tanto os mais novos e os mais velhos me tratam por "aquela senhora" ou "diz à senhora"!...
Ainda por cima hoje é Domingo.
(Lili deprime enquanto vai limpar a banheira)
P.s. A imagem é uma referencia completamente aleatória aos meses que se avizinham (e já agora ao Halloween)
Não é um videoclip nem um concerto, não é um documentário, mas acontece que também não é uma ficção!... Tem um realizador de cinema (e com dinastia) - Roman Coppola - por trás das câmaras e uns quantos actores na frente - Bem Stiller e Michael Cera são apenas dois nomes -, pelo meio aparecem anúncios, trailers, cabeçudos, músicas novas dos Arcade Fire e Bono. É assistir (eu gostei)!
Falando do Creators Project:
"Founded by a revolutionary partnership between Intel and VICE, The Creators Project celebrates visionary artists across multiple disciplines who are using technology in innovative ways to push the boundaries of creative expression.
With The Creators Project, Intel and VICE have built a premier worldwide arts and culture channel.
Launched in 2010, The Creators Project includes daily video and editorial content, an official YouTube Channel, original artwork commissions, and global events. To date, there are more than 500 Creators from around the world. Participating artists include Karen O, M83, Benh Zeitlin, Animal Collective, The xx, Chris Milk, Florence and the Machine, Spike Jonze, Amon Tobin, Matt Pyke, Anthony Wong, Supermarche, United Visual Artists, Sticky Monster Lab, Takeshi Murata, Andrew Huang, Vega Zaishi Wang, Mick Rock, David Bowie and Barney Clay."
18.10.13
Pim!
Ainda agora chegou o Outono e eu já tenho saudades dos beijos salgados.
Desde algumas semanas que queria ir ao teatro Rápido. Como este fica mesmo na rua ao lado da Brazileira, bem no Chiado, esperei até ter um programa para o dia e uma companhia que sabe bem apreciar. Foi a Lilas que respondeu ao meu repto e lá pusemos os pés (e o metro) ao caminho.
O Teatro Rápido consiste num projecto fora do comum. Peças de apenas 15 minutos, de várias companhias, num total de quatro, que mudam mensalmente e se constroem em torno de um tema comum. Este mês o tema é o da Exclusão.
As apresentações começam às 18h e seguem (três por dia de cada peça) até depois da hora de jantar. Há várias modalidades de visionamento (e pagamento): ver uma peça em cada visita (3 euros por peça) ou então comprar bilhete para as quatro peças (10 euros) e estar preparado para entre espectáculos e pausas dispensar cerca de uma hora e meia do seu tempo (bem dispensado aviso já :) ).
A cada peça está entregue uma sala de apresentação e o tempo entre estas é de cerca de 5 a 10 minutos. Tempo que pode (e deve) ser passado no bar do teatro, um sítio cheio de pormenores e onde sabe bem estar. Ainda para mais há o bónus da exposição que lá se instalou.
Nos próximos dias vou contar como foi a experiência vivida em cada peça.
"Mais de 40% dos jovens estão desempregados. Os que podem, fogem para o estrangeiro - os mais qualificados, aqueles nos quais gastámos ao longo das últimas décadas uma fortuna a formar, porque nos disseram que a educação era a prioridade absoluta e o passaporte para o nosso desenvolvimento. Miúdos com um valor reconhecido em qualquer lado são recebidos como bênçãos em países ricos, que não gastaram um tostão na sua formação e onde irão criar raízes e família, e provavelmente para sempre. Não esperem que eles venham a enviar para aqui as suas poupanças para fazer uma casinha na aldeia, porque esta geração de emigrantes é diferente. Não contem com o dinheiro dos seus impostos para sustentar as reformas dos outros nem sustentar todo o sistema da Segurança Social. Não esperem que eles fiquem reconhecidos a um país, o seu, que não lhes deu nenhuma oportunidade que não a de emigrar. A emigração deste jovens reduz a cinzas todo o esforço financeiro feito por Portugal em décadas e é o anúncio fatal da nossa definitiva condenação ao subdesenvolvimento. Dói como uma ferida todos os dias a sangrar ver partir esses miúdos. expulsos do próprio país que amam, ver os pais lavados em lágrimas no aeroporto, divididos entre o alívio de verem um futuro para os filhos e a tristeza infinita de pagar por isso o preço de uma separação."
"Joana Vasconcelos participa no projeto Art Wars, que desafiou vários artistas a intervir no capacete Stormtrooper. O resultado será revelado ao público na Saatchi Gallery, em Londres, entre os dias 9 e 13 de outubro. Entre os artistas convidados encontram-se Jake and Dinos Chapman, Damien Hirst, David Bailey, Mr. Brainwash e Paul Fryer.
O projeto inclui, ainda, uma série de posters que serão afix...ados durante 4 semanas na estação de metro londrina de Regent's Street durante a Frieze London.
Art Wars foi criado por Ben Moore com o objetivo de angariar fundos para encontrar o seu irmão desaparecido desde 2003. No final da exposição, as obras serão leiloadas e as receitas reverterão para o fundo 'Missing Tom'."
Todos os participantes aqui! Alguns dos trabalhos podem ser vistos em baixo mas, os autores que me desculpem, o da Joana é o mais interessante.