17.10.12

Amanda Todd




Pensei muito em colocar este vídeo no blog. Mas senti quase um dever mostrar como pode o bullying ser cruel e decisivo na fase de formação de um indivíduo. 
Amanda Todd filmou este vídeo onde apenas com papeis escritos por si  explica como a sua vida se tornou um inferno depois de ter começado a sofrer de ciberbullying e de como isso a perseguiu, tornou frágil, sem confiança e dependente de aceitação. O final é um pedido de ajuda, de suporte para continuar a sua jornada.
Passadas cinco semanas da gravação do vídeo Amanda suicidou-se.

Back in the day, quando ainda não se conhecia o termo bullying, ou seja, quando era "normal" que uns miúdos fossem mais massacrados que outros na escola, passei por uma experiência que hoje se poderia incluir nesta categoria. Era sobretudo agressão verbal e controlo mental, mas ainda levei uns pontapés ao sair do autocarro ou depois de passar os portões da escola. Não havia nenhuma razão para aquilo, nada que tivesse dado origem aquelas acções. Eu tinha 10/11 anos. Sempre tive uma ligação muito aberta com os meus pais e eles sempre confiaram em mim. Antes de ir para a escola onde as agressões aconteceram era muito dona do meu nariz, muito comunicativa e alegre. Não queria que os meus pais vissem que eu precisava deles e que não estava bem então ia para casa e fingia estar muito mais feliz do que o normal. Lembro-me de treinar sorrisos à porta do prédio. Quando saía da escola escondia-me para não me verem ou então metia conversa com algum adulto que conhecia para ir caminhando acompanhada. Comecei a chorar todas as noites na cama e a não dormir. Passados uns meses fui dando pequenas pistas de que não estava bem em ir sozinha para casa (mas sem contar a verdade) e os meus pais passaram a ir-me buscar à escola a maior parte das vezes. Isto durou um ano, mais ou menos, depois quase toda a minha turma mudou de escola e eu fiquei novamente livre e contente. Há uma facilidade de superação neste idade que ainda hoje me deixa incrédula. Nunca mais tive problemas mas o que passei moldou-me positivamente, tentei dar-me com as pessoas certas, que me faziam bem e afastar as outras, filosofia que mantenho até hoje.

Conto isto porque eu e os meus pais sempre fomos muito próximos, eles pensavam que me conheciam bem e que eu falaria de tudo com eles. Sobretudo se o meu bem estar estivesse ameaçado. Não foi isso que aconteceu. Eu fechei-me e consegui disfarçar. Ainda hoje, passados uns 16 anos, eles não fazem ideia do que realmente passei naqueles meses. Embora já tenha toda aquela época bem rematada na minha história de vida ainda me é muito penoso lembrar aqueles sentimentos de medo e desespero, o que veio a acontecer mal li sobre a história de Amanda.
Tenham sempre muita atenção ao comportamento dos vossos filhos, se ele se alterar procurem as razões, tanto as vítimas como os agressores são normalmente crianças/jovens banais.



Sou completamente viciada em séries. Antes de adormecer, praticamente todos os dias, lá vejo um ou dois episódios de alguma. E tenho o vício de ver quase de seguida temporadas completas (overdose eu sei).
Ultimamente (e depois de um ano de espera) andava a ver Heel on Wheels (crítica mais séria aqui) uma das melhores séries que já vi dentro do género "fundação da nação americana". Tão cuidada historicamente (construção dos caminhos de ferro) como no tratamento dos personagens (coisa bonita de ver personagens com estrutura e actores que as servem tão bem, com expressões faciais e corporais dignas de Óscar). A série tem também algo fundamental, no meu entender, não procurou  uma banda sonora de época mas sim adequar música contemporânea já composta à acção e muito ao estilo de Paul Thomas Anderson (Magnólia/ Punch Drunk Love) integrá-la na narrativa. Muitas vezes, se estivermos atentos, são as canções que nos vão contar, o que apenas alguns episódios depois, vai acontecer. Este tipo de coabitação entre a narrativa e a música faz também com que se tenha boas surpresas, como conhecer bandas marginais. Foi assim que conheci os The Duhks, através da música Annabel, tocada na integra na série (e num momento chave) que tinha sido lançada em 2003 mas tão obscura que nem um vídeo no youtube existia. Agora já há.

Resumindo, vejam a série, ouçam os The Duhks, uma folk fofinha.

The Wednesday Breakdown




Isto JÁ está a implodir



Isto é muito perigoso. O Estado já não tem (ou não quer ter) dinheiro para gerir o Património Cultural, sendo este, aquele que lhe dá forma, ao estado, e identidade. Horror e medo! Esta situação tem que acabar! Ou então vai restar muito pouco para salvar...






Uma passagem muita rápida, que o dia foi atarefado até mais não, para deixar poesia. Em complemento a isto.

15.10.12

E sai um aspirador para a casa da Lili, SFF




Lili de onde vem o teu gosto musical tão refinado? #1





Saudades...




"E começavam as manhãs em que as letras surgiam uma a uma, as vogais, as cantigas das vogais cantadas em coro. Cada uma das consoantes desenhada vinte vezes numa linha. As consoantes picotadas em papel de lustro. A letra "B". A letra "C". A letra "D". E o livro de leitura, o Papu em todos os textos: o "B"arco do Papu, o "C"ão do Papu, o "D"ado do Papu. Um "b" e um "a", "bá", um "r", "bar"; um "c" e um "o", "có"; "barcó". E a essa velocidade, o nosso mundo. À janela, um frasco de iogurte, vidro lavado, com um algodão embebido em gotas de água, a proteger um feijão espigado. E nós, todos os dias, todos os dias, a irmos vigiar o feijão.(...) Durante o recreio, corríamos sem parar porque queríamos chegar muito depressa a todos os lados."

José Luís Peixoto in Abraço


Não percebo este fenómeno. Isto é um senhor oriental mixado com uma dança bollywoodiana, mas num clip filmado pelo 50 cent. Muito básico.

14.10.12

O que interessa se chove lá fora e está mais fresquinho?




Lambarices são lambarices!

OMG Este fim de semana aconteceu a Moda Lisboa




Lili prepara-se para a sua rodada domingueira de blogs com quatro migrasprinas.

Tenho uma paixão por esta mulher desde  a minha pré-adolescência e para quem tem 27 anos isso  é uma parte significativa da minha vida. E não há nada que ela faça que me leve a gostar menos dela. E esta música? Perfeita!

É bom quando existem pequenos casos, em que a evolução de determinada pessoa, acaba por fazer eco na nossa própria evolução pessoal.

Pequena história para uma bem cinzenta tarde de Domingo






"Um dos meios de sedução mais eficazes do mal é o desafio à luta. É como a luta com as mulheres, que termina na cama"

Franz  Kafka

13.10.12





A música nos inícios do século XX, quando o vinil, o cd e o descompacto mp3 não eram sequer um sonho futurista foi escutada assim, em cilindros. João Távora, pena residente do Corta Fitas, tem um canal no you tube onde se podem ouvir algumas destas preciosidades. Uma bonita forma de divulgação de história musical.

Esqueci-me de comentar o Nobel da Paz para a UE






Fiquei a saber que um rapaz de 17 anos foi condenado pelo download ilegal de três músicas, uma de João Pedro Pais, outra de Delfins e outra de Alanis Morisette. 
É o que eu chamo uma condenação do extremo mau gosto.

às vezes, só por uns segundos..




12.10.12

Nova entrada





Foto: wilma hurskainen


"O sol descia sobre os montes do outro lado do rio, era um cenário agradável e tranquilo, , estar ali sentado a olhar o rio, mas não era a sensação que dava. És só uma visita, aqui. Olhas o Sol e sentes que te pertence, mas ele têm estado a pôr-se atrás daqueles montes há cinquenta mil anos - desde a última idade do gelo. (...) Entretanto aqui estás tu. Um visitante temporário da Terra do Sol.  (...) Tudo o que vês vai continuar depois de ti - rochas céu Sol.Vês um por do Sol e sentes que é teu, mas ele vem-se erguendo sem ti há milhares de anos. (...) És o único a saber da tua própria existência. Nasces e morres entre duas batidas de coração da Terra."

Philipp Meyer in ferrugem Americana



Fui para estas paisagens trabalhar. Nunca lá tinha estado. Ainda estava no carro e já estava apaixonada. Mas eu ainda não sabia como iria esse trabalho mudar a minha vida. Apaixonei-me pela natureza, tão inóspita quando calorosa. Basta estar lá e sentir. Os Verões quentes e Invernos gelados foram um processo de habituação forçado mas valioso. Agora, que já não vivo lá, raramente tenho muito calor ou muito frio. Terras Quentes é o que lhes chamam. Apaixonei-me pelas paisagens mas também pelas pessoas. Velhos e novos. Velhos que são desconfiados, fuinhas e forretas "dinheiro é na mão fechada e virada para cima para não cair", mas também amigos, preocupados e familiares. Nunca nesta terra, mesmo sem um cêntimo, passaria alguma vez fome. Fiz amigos para a vida, de quem morro de saudades. Penso neles quase diariamente. Provei das melhores coisas de sempre(e a comida de trás-os-Montes merece por si só um post exclusivo). E apaixonei-me. Zanguei-me com a obra onde estava, que destruía toda a linda paisagem, que eu acho, devia ficar intocada e parti. 

Hoje este vídeo fez-me chorar. Em breve tenho que  voltar a colocar os meus pés (com meias de lã muito quentinhas) no inverno transmontano.

It´s a cats world




Este é o Mo Yan.




Não conheço. Possivelmente virei a conhecer.

Mas embora veja (alguma) utilidade nisso não gosto desta politização dos Nobel (para isso já existe o da Paz certo?).


Este ano anda a ser cheio de acontecimentos importantes. São bebés a nascer (pela minha contagem já vai em 5) ora são casamentos, mudanças de vida para melhor...
A história que tenho para contar é uma ternurinha. Parece que o H. quis pedir a V. em casamento no seu dia de aniversário. Vai daí, enche um autocarro com todas as pessoas que são importantes para ela, e quando esta está à espera na paragem, vê isto:


Eu achei lindo! Mas eu sou um coração de manteiga para estas coisas.

Ela, claro, disse que sim! E eu só lhes desejo tudo de bom! Até a Carris ganhou uns pontinhos.



E pronto aqui está o primeiro selo deste blog (transmitido/retirado pelo blog The Charged Void) e que tem a particularidade de não ter mesmo um selo e de ser musical.
As regras são simples, dizer quem ofereceu (done!), escolher três músicas (como se verá),  e passar a cinco blogs (neste caso quem quiser pode levar).

Músicas:

Uma que me faça lembrar a minha infância



E sim, passei uma parte significativa da minha vida de criança a cantar " no seio de Tieta construí meu ninho, nos lábios de Tieta morri como um passarinho" - a isto chama-se pais de esquerda

Uma que me faça lembrar uma antiga paixoneta



Esta música, neste sítio, com uma pessoa. E libertina como sou, a mesma música, um ano depois, no Alive, com outra pessoa (via telefone). E a culpa disto é da Tieta. 

Uma que associe a um momento feliz da minha vida


Este ano, no Bons Sons (Cem Soldos, Tomar)

Para deixar um bom mood!




11.10.12

Então trabalhas nas obras?




Uma coisa boa: não há cá filas de trânsito tipo 2ª circular no meio dos montes.

Uma coisa má: quando chove tenho mesmo que usar galochas. E não há nenhum glamour nisso ó Burberry!

P.s. Por mais que a imagem esteja bonitinha mantenham presente que estou sentada num tubo de aço por onde as coisitas que vocês deitam na sanita vão passar em breve.




A diferença entre dias optimistas e pessimistas é esta. Enquanto que em dias maus a ideia de ter que fazer um relatório depois de ter andado toda a manhã à chuva me faz deprimir hoje é por a tocar o senhor barbudo das bandas sonoras da Disney e ficar contente por ter que fazer no portátil com a chuva a cair forte lá fora.

10.10.12

Oh Nina, Nina





"- Não há nenhum segredo - disse ela, em parte séria, em parte sonhadora, ao imaginar que talvez existisse um. - Não propriamente. É mais do género, não sei, privado, algo de pequeno e privado que eu gostaria de manter assim durante mais algum tempo, oh, não para sempre, uma semana, um dia, ou simplesmente umas horas: sabes, como um presente que se guardou escondido numa gaveta; será oferecido a seu tempo, mas durante algum tempo queremo-lo para nós."

Truman Capote in Travessia de Verão

Juno rocks!




E hoje é dia de





Serenata da Latada!

(Post dedicado à mana caçula)

A caminho de me tornar uma mulherzinha (embora alimente o desejo secreto de ser uma velha muito velha e de ainda me tratarem por Menina Lili)




Depois de 27 anos de recusa, caras feias, ouvir o pai a dizer "tens até ao ponteiro do relógio estar nas 2 da tarde para comer" (com a colher de pau ao lado na mesa), ver a cara triste da minha mãe, como se estivesse com uma incapacidade qualquer, ouvir a minha avó dizer da minha irmã "come tão bem, abençoada, deve ser para compensar a Lili", depois de muitas bolas escondidas na bochecha, de muito bolo alimentar escondido no guardanapo e de outro tanto largado da janela da cozinha para o jardim das traseiras, depois de muito refluxo incontrolável, de dores de cabeça gigantes quando ainda na escada me cheirava a almoço, depois de manhãs ou tardes inteiras não aproveitadas a saber o que ia ter que comer em casa... comi um peixe inteiro com prazer. 
Assado no forno, com cebola, pimentão e batatinha assada. Pormenor: fui comprada com mimos. Pormenor nº2: estava esfomeada (AKA sem pequeno almoço, almoço ou lanche). De qualquer modo foi um big step aqui para a Lili (e tinha espinhas).

P.s. Mas se não gostas de peixe o que andas-te tu a comer toda a vida, és vegetariana? Nop. Sou aquilo que em Trás-os-Montes se chama de pessoa muito tchicheira.

Depois da bandeira de pernas para o ar




...o Pai Natal deitado no lixo em pleno Outubro. Visão registada ali na rua das Portas de Santo Antão, o que é ainda mais estranho, porque além do fantasma da ópera La Féria mais ninguém lá mora...
Ares nebulosos se aproximam do Natal.



Fui ver o filme do Wellington ao TAGV em Coimbra. Na segunda a realizadora e alguns actores foram apresentar o filme (a vantagem de se viver numa cidade pequena, onde o filme apenas está em exibição dois dias, mas culturalmente interessada) mas eu só o consegui ir ver ontem (pronto eu admito...ontem não estava a chover).

Coisas boas:
- Definitivamente o Malkovitch, a Marisa Paredes, a Victória Guerra e o Carloto Cotta.
- A personagem que lê (só para quem viu o filme)
- A reconstrução histórica. Fazem falta filmes a sério sobre Portugal e sua história, que não sejam convencidos intelectuais ou coisas com ar de saírem dos estúdios dos morangos.
- Alguns pormenores como os nomes das personagens (Bordalo, Brites, Francisco Xavier), ou o pintor (preciosa lição sobre o registo futuro da história).
-A fotografia é bonita. 
- Consegue-se perceber a mudança mental que aqueles anos de convivência entre nacionalidades operou. E isso explica muito do que se passou depois.

Coisas menos boas/más:
-O filme dura 2,30h e não tem uma história, ou seja, tem várias linhas de acção (tipo Babel) mas demora muito a desenvolver.
- Há personagens/actores que apenas aparecem para fazer número (e gastar minutos) já que nada acrescentam. Era mais interessante passar mais tempo a desenvolver uma personagem como a de Massena do que a levar com a Denouve e a filha Mastroiani (o Paulo Pires e a Maria João Bastos também podiam desaparecer).
-Não gostei da banda sonora. Não acrescenta nada a não ser a sensação de que vamos para um funeral 8que nem é o que sse verifica no filme)
- Parece mais um documentário com pequenas histórias ficcionadas do que um filme per se. Era giro para mostrar aos miúdos na escola se não os fosse colocar em letargia.

P.s. Também vi as mamocas da Soraia Chaves, num ecrã gigante, com umas 700 pessoas. Sempre estimulante.



The Wednesday Breakdown




9.10.12

Há coisas que só os pais podem dizer






"Estas palavras são uma corda que une este momento presente e passado a esse momento futuro e presente. (...)
Filho, eu tenho trinta anos, mas sinto que também tenho duas semanas porque uma parte de mim nasceu contigo. Estas são as palavras que quero dizer-te, os seus significados são simples e não tenho medo de dizer que são puros porque são puros mesmo.(...)
De mim, espera amor e espera uma pessoa. Como as pessoas, às vezes, engano-me, não sei respostas, tenho medo, tenho frio, minto, faço coisas feias, desisto, escondo-me e fujo. Eu compreendo que tu irás enganar-te muitas vezes, não saberás respostas, terás medo, terás frio, mentirás, farás coisas feias, desistirás, esconder-te-ás e, quando todos te procurarem, terás fugido.(...)
Por mais que aconteça entre hoje e esse dia, por mais mortes e terramotos, tenho a certeza de que não terei esquecido. E obriga-me a jurar que nunca deixaremos crescer entre nós um pudor que impeça de nos abraçarmos, de nos beijarmos, de passarmos os dedos pelas faces um do outro. Pai e filho. Eu sou o teu pai. Tu és o meu filho."

José Luís Peixoto in Abraço

Hoje repeti JLP porque a Laura nasceu à uma semana. A Laura que é filha da minha amiga A.L. e do J. Eles que escolheram viver nos arredores de uma grande cidade, mais longe dos prazeres e das facilidades, por ser aí que a renda é mais barata. Escolheram não comprar casa juntos, pagar juros e ter taxas a saltitar todos os meses. Escolheram porque o seu amor não precisa de casa própria, essa já existe, é dentro deles. E assim puderam ter a pequena Laura, uma criança que um dia poderá dizer, "eu sou fruto do amor". 

Parabéns aos três. Estou feliz como poucas vezes.

Tal e qual!




"Quando andei na primeira classe, entrava às oito da manhã e saia à uma da tarde. Ficava a tarde livre para brincar, e isso era bom, mas nunca me habituei a acordar cedo. A minha mãe acordava-me todos os dias com uma tigela de papa. Comia ainda na cama. Sentado, mas ainda a dormir."

José Luís Peixoto in Abraço

Omara




8.10.12

Oiçam o Pipoco que ele sabe o que diz



Para mais Pipoco Mais Salgado clicar no texto sff.

Quando a coisa burguesa, gourmet, nova rica do Expresso, dos sushi lounges, do Berardo, Serralves e MUDE toma conta do teu cérebro




Estando eu no Príncipe Real com a L., noto num primeiro andar de um dos prédio que rodeiam o jardim um homem, sentado no seu sofá, perna levemente cruzada sobre o joelho, cigarro na boca, uma mão pousada no braço do sofá e outra, ligada a um braço com o cotovelo pousado sobre o joelho, segura, de forma muito recta, um livro, que o sujeito não deixa de olhar.  O ambiente iluminado à luz fraca de um candeeiro de pé. Tudo isto é visível a partir da porta entreaberta da sua varanda.

Diz a L.: - Adorava estar ali. Viver assim.

Lili: Também eu. A serenidade necessária para se deixar envolver assim num livro.

(alguns segundos em silêncio enquanto observamos o homem)

Lili: Deve ser uma instalação!

Mariana cheia de fé, que os nossos votos sejam renovados





Gosto muito que me apresentem a novos sítios sobretudo quando já não vivo de forma permanente em Lisboa há uns anos. Por isso fui lavar as vista ali para a rua das Portas de Santo Antão, ao bar Primeiro Andar, no Ateneu.
Mais que um bar é também uma sala de espectáculos (sábado estava por lá uma banda de punk/hardcore que não era bem a minha onda nesse dia mas depois foi substituída por um sonzinho jazz bem bom) e um restaurante com comidinhas muito boas (ela é paella, ela é sopinhas e tibornas). O espaço é como se fosse a nossa casa e as pessoas giras o que sabe sempre bem! Altamente recomendado para noites fresquinhas de Outono/Inverno.

P.s. E para finalizar quem vai à janela é brindada com uma vista para o cucuruto da Amália que mais ninguém tem (prometo uma foto em breve).

7.10.12

Com menos pelo a manutenção é mais barata (...toda a gente sabe isto)


Sometime ago in a Ritz not that near you...


Proust, ao centro, na sala do Hotel Ritz (Paris)


"Education is an admirable thing, but it is well to remember from time to time that nothing that is worth knowing can be taught."

Oscar Wilde 

 Na inauguração do Hotel Ritz de Paris, em 1898, estiveram sob o mesmo tecto Oscar Wilde e Marcel Proust. Só umas paredes como as do Hotel da Place Vendôme poderiam um dia albergar dois homens tão espessos.

"We don't receive wisdom; we must discover it for ourselves after a journey that no one can take for us or spare us."

Marcel Proust 
 

6.10.12

Encontros



Fernando Pessoa e os seus heterónimos encontram António Variações na Praça Camões.

Camões põe as mãos à cabeça e julga preferir outra rodada de All Together Now.

Defeito profissional?



Ontem estava a ver a série Pilares da Terra (o Expresso dá-me para uns 10 posts) e embora aquilo estivesse a ser giro, depois de dois episódios, só não consigo tirar da cabeça que uma  catedral, de pedra, não caí porque sofreu um incêndio.  Se até os Armazéns do Chiado ficaram com a fachada o que dizer de uma catedral? São estas coisas que me estragam os filmes e séries...

Lisboa Open House




Já perdi o dia de hoje mas amanhã também há. O Lisboa Open House propõe-se abrir edifícios arquitectonicamente interessantes ao grande público que por visitar sem guia ou outras com marcação poderá ficar a conhecer melhor a história e propriedades artísticas destas construções. 
Alguns já conheço como o Núcleo Arqueológico do Castelo de S. Jorge, o Jardim Botânico, o Museu Nacional de História Natural e Ciência, o Cinema S. Jorge,o Museu da Electricidade, o Mosteiro dos Jerónimos, Museu de Marinha, Reitoria da Universidade de Lisboa e Museu Bordalo Pinheiro. Mas estou com a curiosidade aguçada como uma espada samurai sobre a Biblioteca Nacional, o centro de Comando Operacional de Lisboa, o Observatório Astronómico, o antigo Hotel Vitória, o Paço da Rainha, o Palácio Menino de Ouro e os teatros D. Luís e D. Maria. Depois conto.



Ora aqui está uma curiosidade interessante. 
Descobri, por intermédio do Expresso, o Artur Araújo, que é um bloger com um excelente gosto fashionista. Gostei do que li! Embora ambos habitemos os (Artur in the) Woods não temos relação familiar! :)
 Mas gostei e recomendo!

Hoje é noite!




5.10.12

Triptico de uma pérola




"When I sing, I feel like when you're first in love. It's more than sex. It's that point two people can get to they call love, when you really touch someone for the first time, but it's gigantic, multiplied by the whole audience. I feel chills. "






4.10.12















 













Estava a mexer na minha pasta de imagens e vi uma de que gostei com a frase "You make me happy when the skies are grey". Depois, parei por um momento e fechei a imagem e a pasta. 
Expectations, reality! Às vezes a verdade é mesmo assim.



That time of year thou mayst in me behold
When yellow leaves, or none, or few, do hang
Upon those boughs which shake against the cold,
Bare ruined choirs, where late the sweet birds sang.
In me thou see’st the twilight of such day
As after sunset fadeth in the west;
Which by and by black night doth take away,
Death’s second self, that seals up all in rest.
In me thou see’st the glowing of such fire,
That on the ashes of his youth doth lie,
As the deathbed whereon it must expire,
Consumed with that which it was nourished by.
This thou perceiv’st, which makes thy love more strong,
To love that well which thou must leave ere long.


William Shakespeare (1609)

Para acompanhar até ao fim de semana





Os ingleses inauguraram a coisa com as Spice Girls e aquilo do girl power mas passados uns bons 15(?) anos as coisas foram depurando e tenho a certeza que o woman power atingiu a sua forma mais perfeita, não com as pernas à mostra, nem as maminhas a explodir no decote, mas com a postura, música, letras e tudo tudo tudo de Florence + The Machine. Aquela mulher é uma carta muito fora do baralho musical. Para bom!





Eu bem sei que é no Correio da Manhã mas há poucas coisas que me irritem mais do que uma crónica de tauromaquia na secção de cultura de um jornal!

2.10.12




E aquela sensação de adormecer com os pés enrolados um no outro? Hoje era assim que me apetecia. Quentinha e aconchegada adormecia num suspiro. Ainda bem que este ano ainda há feriado de 5 de Outubro para encurtar a semana.

Umas quantas postas de pescada




1. Sou uma romântica. Queria mesmo que existisse uma Diana e não um perfume com cheiro a chinês.

2. Calhou não ir à manif de 29 por razões várias. No entanto estava dividida em ir ou não. Talvez fosse, por uma questão de dever, mas há muito que deixei de me identificar com contestações sindicais. Sou a mulher trabalhadora, mas também a irmã, a estudante, a filha, a futura mãe, a amiga e a cidadã. Não me revejo em sindicatos.

3. Não existe no mundo ninguém a quem queira dizer umas quantas verdades na cara (pelo que parece ao contrário de 90% do meu facebook e semelhante percentagem da blogosfera), não porque seja uma Madre Teresa mas simplesmente porque quem me poderá aborrecer eu afasto da minha vida.

4. Não gosto de blogs que falam mal de outros blogs. Todos somos livres de ler o que queremos e acho de interior muito duvidosos pessoas que passam tempo a ler coisas de que não gostam.

5. Crónica da Casa dos Segredos: a suricata é a pessoa mais irritante que me é dado a observar na minha pequena televisão TDT. Mesmo assim deixo-me ficar a assistir porque acho o Nuno um fofinho.

6. Inaugurei o Outono. Comprei um verniz castanho.

7. Quero comer castanhas mas ainda não senti frio suficiente.

8. O que é que se passa com os Muse? Primeiro lançam músicas a uma tal velocidade que nem me apercebo se são de algum álbum velho ou se há álbum novo. E agora tem uma música em particular com um solo de guitarra decalcado do Brian May dos Queen. Gostava mais deles antes de serem mordidos pelos vampiros criatianizados.





Um blog que é uma delícia. Gostos das fotos, dos textos e das sugestões literárias.

Mea culpa





"Só temos uma única vida. E foi-nos dado um corpo sem respostas. E, para nos defendermos dessa indefinição, transformámos as certezas que construímos na nossa própria biologia. Fomos e somos capazes de acreditar que a nossa existência dependia delas e não seríamos capazes de continuar sem elas. Aquilo em que queremos acreditar corre no nosso sangue, é o nosso sangue. Mas, em consciência absoluta, não podemos ter a certeza de nada. Nem de nada de nada, nem de nada de nada de nada. Assim, repetido até nos sentirmos ridículos. E sentimo-nos ridículos muitas vezes e, em cada uma delas, a única razão desse ridículo é não conseguirmos expulsar da nossa biologia, do nosso sangue, dos nossos órgãos, essas certezas injustificadas, ou justificadas por palavras sempre incompletas."

José Luís Peixoto in Abraço

E se um dia lhe oferecerem uma bebida quente?




Aconteceu-me um desconhecido pagar-me um café. Assim de repente, sem mais nenhuma razão para além do modo como digo "Boa Tarde". É um gesto simples, bonito, fez-me bem ao ego e ganhei o dia.

Deep+Gainsbourg+Radiohead




Desconheço o filme mas adoro esta pequena cena! Tenho um gosto especial quando o cinema casa com a música.

1.10.12




Eu no chinês. Uma Lili a ser perseguida por uma chinesa adulta e duas criancinhas. A Lili tem 1,50m. Não dá para resistir em me esconder entre as roupas penduradas.

P.s. Como se deve constatar com facilidade eu tenho ar de gandula 

Conhecer! Colaborar! Ajudar!




Faz hoje 50 anos. 50 anos a lutar pelos direitos dos prisioneiros. Por uma justiça real. Estando pessoalmente envolvida com as actividades da Amnistia sou suspeita mas posso dizer que o pouco que faço me deixa orgulhosa.

Todos os que queiram colaborar (e há trabalhos e actividades à medida de todos) podem aceder ao site.

Nota nova no ouvido




O novo já é velho? Reinventa duas vezes







Gente crescida é gente que evolui. Não gente estagnada. A propósito de pessoas (muitas, muitas) que comprometem o hoje pelo ontem.



O privilégio que é acordar para a semana no centro de Lisboa. Ir à janela e ver a copa das árvores por toda a alameda. E o cheiro a plantas... Olhar para o horizonte e ser banhada pela luz única e cristalina da cidade. Até os autocarros da Carris (bonito anacronismo para uma rede de autocarros) se tornam parte da boa disposição matinal. Nas traseiras, os quintais longe das vistas, pululam de gente. Dar comida ao cão. Deixar as plantas regadas. Pendurar a roupa de grato aroma. 

Bem e depois... entro na 2ª circular.


O Belo e a Monstra






Faria hoje 105 anos (só mais 2 que o Oliveira)



''Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''

Conhece o teu lugar



Toca a acordar! It´s Monday!




Sou apenas eu que oiço aqui o Sr. Cash?