Já o meu conhecimento sobre as regiões vitivinícolas é, quando penso sobre isso, bastante razoável. E melhor ainda, foi obtido na óptica do utilizador
Desde a cesta em que me colocaram, na sombra das videiras, quatro meses apenas, na minha primeira vindima beirã, até às experiências, já adulta, de coabitar com uvas e vinhas no Douro, no Alentejo e no Dão.
Com os sítios veem as pessoas e pelo caminho a experiência passou por partilhar noites de verão, copos na mão, com enólogos, donos de quinta, amigos que vão para as vindimas ganhar "dinheiro na mão" e com o cheiro aos lagares.
Ultimamente estou longe de vinhas. Mais no meio do betão. E eis que conheci A Essência. Pequeno programa da RTP que nos fala do vinho, mas também dos sítios e das pessoas. Vejo sempre uns três programas de cada vez e é como ver fatias de Portugal.
cheira-me que quem devia ter ganho era o Silence do Scorcese.
Mas isto de Óscares já se sabe... ainda alguém se lembra dos filmes no ano passado?
Vou casar.
No outro dia fui com o noivo e os futuros sogros entregar convites a três famílias diferentes.
Como é uma actividade tão bonita e com que sempre sonhei fui parcimoniosamente acompanhando com copos de vinho. Conforme os oferecidos ora branco ora tinto.
Outra casa um copo de ginginha e por aí adiante.
Noite. Terminei a jantar com os futuros sogros. Mais vinho.
No dia seguinte... ressaca.
É isto que é crescer e ter família. Deixamos de sair à noite, apanhar bubas com os amigos e ter ressacas no dia seguinte. Agora saímos de dia, com os futuros sogros, ficamos bêbados e na mesma temos ressacas. Só que estas são ainda mais tristes.
A parte boa é que conheci as Regalheiras de Lavos.
"O meu fim é uma coisa de que estou ciente, que quase posso tocar. Mas sem jamais acreditar que é o fim. A nossa capacidade de ilusão é uma coisa infinita." Eduardo Lourenço
"Mais de um ano depoisda sua morte, descubro-me de vez em quando a ouvirBlackstar e a imaginarBowie a escapar a um ecrã de televisão e a anunciar que quem morreu foiLazarus, não ele.
Noutros imagino Iman com um sorriso matreiro, num qualquer terraço ao sol, a sussurrar «Já era tempo de te livrares do Bowie, querido Mr. Jones»."
Segundo amiga emigrada no país do Brexit a razão de ela não querer ficar para sempre em terras de sua majestade está toda muito bem explicadinha na seguinte canção (já viram que agora ninguém diz canção?):
Humanos. Primatas. Animais sociais. É isso. Não se contam as vezes em que já fui salva de mim mesma por outros. Hoje foi um dia assim. Eu seria diferente se fosse de outro modo.
O caso Caixa Geral de Depósitos é de um fastio enorme.
NENHUM português se interessa pelo caso e se no mínimo levantar uma sobrancelha ao pensar no assunto é por existir alguém na coisa pública que não queria mostrar os rendimentos. Corrigido o problema, pelo Governo, seja cumprindo promessas ou não, até se ganhou um Paulo Macedo, bem mais popular que o Domingues.
PP, PSD e os mais que quiserem só perdem pontinhos na opinião pública ao continuar a massacrar os comuns com um assunto que estes querem MESMO ver esquecido (há contas para pagar, emprego para arranjar, etc, etc).
Continue-se em frente senhores.
Ou nunca mentiram? Senhor Relvas? Senhor Cavaco "a banda está sólida"? Senhora Maria Luís SWAP?
Se os eleitores estivessem apoquentados com todas as mentiras que lhes espetam vivíamos numa monarquia.
Outubro 2016
“He who contemplates the depths of Paris is seized with vertigo.
Nothing is more fantastic. Nothing is more tragic.
Nothing is more sublime.”
― Victor Hugo
Nunca alimentei sonhos. Sempre vi alguns caminhos que poderia escolher seguir e fui andando mais por intuição do que seguindo a razão. Ainda assim aqui estou nem perto de insatisfeita. Com o tempo notei que fiquei mais ambiciosa (coisa que não era mesmo nada sendo a ausência da ambição até um defeito) e embora tenha ganho com isso também me tem saído mais das tripas. O make it happen por vezes impõe-se quando apenas queremos esperar na fila. Enfim chegamos aos sonhos. Há dias estava com o R. e comecei a pensar se os teria. E tenho. Dois ou três. O que está acima na lista é tão simples e difícil que serve bem para farol dos outros.
Quero uma casa no campo. No meu campo onde tenho raízes. Para os lados de Almeida. Uma casa de fim-de-semana mas também de semana, quando estou em época de relatórios ou de escrita de artigos. Uma casa para receber amigos que se irão deslumbrar com a vista quase virgem da paisagem (a linha de comboio lá ao fundo é hoje mais um património abandonado que se funde com o natural). Uma casa onde vou ter pão, vinho, queijo e fumados sobre a mesa e será o suficiente para longas conversas. Uma casa onde vou ler na varanda ao por do sol. Uma casa com quintal onde o R. vai criar tomates, papoilas e uvas. Uma casa para ser feliz.
O preço suporta-se, as obras também, o que é mais difícil é o tempo. Comprar tempo é o sonho real de toda a minha geração. Faltam-nos horas. Alguns escolhem não ter filhos, outros escolhem como passatempo viajar (que na verdadeira acepção da palavra deveriam querer dizer "sair do tempo" até porque se cria um fluxo novo de dia a dia por uma semana). Já não se come em casa. Não há tempo para ir às compras e preparar refeições. Enfim. A mim o que falta é tempo para me por na A1, A23 e A25, com portagens para pagar, semanalmente, sem que isso me faça mossa na carteira.
Estamos a tratar disso.
Mas lá está. Por agora falamos de um sonho.
7.2.17
Há muitos que ainda não admitem como científica (ou até necessária) a área dos estudos do género. Que é um nicho académico doado às professoras universitárias para que não se intrometessem nas ciências puras ou mesmos nas humanidades masculinas como a história da política ou a filosofia clássica.
Mas, como o triste exemplo acima deixa a descoberto, muitos são os campos da vida real que podem beneficiar de um olhar sobre o género. Até porque os preconceitos (aqui entenda-se mesmo as ideias pré-concebidas) em medicina são reais e criam desigualdade e ignorância onde a ausência destas é mais vital.
Ando a viver dias de deriva. Uma pessoa pode andar sem norte por falta de possibilidades ou desnorteada por escolhas a mais.
No meu caso passa-se a segunda hipótese.
A isto junta-se o estado do mundo (apoteótico a meu ver) e tudo se verte nas minhas escolhas de espectadora de documentário.
Brigth Ligths
Motivada pela história triste em que Debbie Reynolds morre alguns dias após a sua filha Carrie Fisher descubro que o que mais temo é a morte dos que amo e que a Debbie era um unicórnio digno de admiração.
Demain
Quando me perguntam quando quero ter filhos.
Respostas sobre o que fazer se ainda há esperança no mundo.
Heart of Dog
Sou mãe do Óscar há move meses (o Óscar é o meu gato) e tenho-lhe amor infinito.
Há vários tipos de luto. Diversas expectativas perante a morte.
Mas aquele ser que sempre ali estava, de repente, desaparece. E nós ficamos mais sós...
Não é um filme, é uma experiência, é arte.
Life, Animated
O desconhecido é a mente de uma criança autista. Suponho que o tio Walt tenha ficadao muito feliz com o que aqui nos contam. No fim, chorei.
Está nomeado para Óscar.
George Harrison: living in the material world
Tantas vezes adiado finalmente me dediquei a este filme fundamental.
Fundamental por ser Scorcese (dos melhores a filmar música), fundamental por ser sobre o Harrison (o melhor dos Beatles), fundamental por ser sobre a vida que ele não quis viver.
The Beatles: eigth days a week
Ou de como só são grandes aqueles que levados aos píncaros da fama escolhem antes a arte.
Oasis: supersonic
Nunca gostei de Oasis.
Fiquei a gostar depois de ver este documentário.
Sobretudo do Noel e da sua versão do Wonderwall. Um autor vê-se na interpretação.
Lo and behold
Não há nada de Herzog de que não goste. Não é falta de critério é mesmo porque o senhor Werner transforma qualquer assunto em algo bonito.
Aqui, sobre o asfixiante mundo da internet e seus efeitos (e feitos) nos humanos.
13th
Europa. Exercício. Ver documentário mencionado em cima. Após visionamento pensar nos USA. Finalmente pensar em Trump.
Deveria ser exibido um pouco por todo o lado. Não será.
Nomeado para Óscar. Devia ganhar..
Into the Inferno
Vulcões e Homens.
Fluidamente unm pouco por todo o lado.
Um deslumbre entregue por Herzog.
Before the Flood
Quando me perguntam quando terei filhos.
Respostas para negação e sensibilização de convertidos.
A minha casa tem uma marquise, azulejos com flores cor-de-rosa na casa de banho e tacos envernizados no chão. Tem também o primeiro volume do Em Busca do Tempo Perdido e o Ulisses. Ambos à espera de serem lidos quando, me mudar para um apartamento nas Avenidas Novas ou um pequeno casebre de pedra numa aldeia abandonada. Escolha auto-exclui um dos volumes. E a autora do texto cuja curiosidade intelectual anda desencontrada das suas qualidades de gestora.
Marquesa de Rio Maior sobre a viagem inaugural do Comboio em Portugal (Lisboa-Carregado):
"A máquina, escusado será dizer das mais primitivas (mais parecia um garrafão), não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora-as largando pelo caminho. Algumas de convidados nos Olivais. O wagon do cardial patriarca e do cabido ficou em Sacavém; mais um, recheado de dignatários, ficou ao desamparo na Póvoa. (...) Esses desprotegidos da sorte semeados pela linha ao acaso das debilidades da tração acelerada, só chegaram alta noite a Lisboa (...)"
6.8.16
E ainda assim sobrevivemos e ainda por aqui andamos.
1.8.16
Hemingway em Valencia, Espanha 1937. Por Robert Capa
"Estávamos sentados nas profundas poltronas de couro, com o champanhe no balde e as nossas taças na mesa entre nós os dois.
- Se chegar à minha idade, acabará por achar muitas coisas estranhas.
- O senhor nunca dá a impressão de ser velho.
- É o corpo que é velho. Às vezes assalta-me o receio de partir um dedo como se ele fosse um pau de giz. Mas o espirito não envelheceu e não se tornou muito mais sensato.
- O senhor é um homem cheio de bom senso.
- Não, aí é que está o erro; a sabedoria dos velhos. Os velhos não s tornam sensatos, o que se tornam é prudentes.
É aquele em que o doutorando mais marrão e desinteressante de todos consegue descolar a caloira mais idiota e boazuda.
Mens are dicks.
"Não entendo... Agora parece que os tipos com problemas psicológicos podem logo agarrar numa arma e desatar a matar. Já se perdeu a fina arte de preparar um homicídio com pelo menos uma semana de antecedência. A psicopatia está em decadência... e nem quero falar do canibalismo. O Jeffrey deve estar às voltas no túmulo. "
Depois de um directo pela noite dentro consegue-se sentir o desapontamento nos estúdios dos nossos canais noticiosos por o ataque em Munique ser provocado "apenas" por um jovem com problemas psiquiátricos e não extremista islâmico ou nazi...
Talvez seja apenas defeito meu mas esta notória espera que o PSD está a realizar para que tudo corra mal ao País e a geringonça se desfaça é talvez a coisa mais vergonhosamente anti-patriótica de que tive notícia nos últimos tempos.
Ninguém se sente ofendido por isto?
Ler jornais é hoje um exercício bem mais estimulante. Para além de sermos informados das notícias, ainda temos que preparar o crivo ideológico e lembrar quem são os donos dos pasquins. Um verdadeiro ginásio para o cérebro.
A coisa torna-se quase idêntica a ler aquelas revistinhas vendidas em bombas de gasolina o "Só Rir".
a ideia de a arte originar mais arte... da tragédia como motor criativo e tal é banal mas verdadeira
há algo do ser humano que vive de se apropriar do alheio. se não forem as coisas, ou as frases, pode ser a vida toda. até lhe inventámos um nome: inspiração.
“Maybe it's just hiding somewhere. Or gone on a trip to come home. But falling in love is always a pretty crazy thing. It might appear out of the blue and just grab you. Who knows — maybe even tomorrow.”
Durante 4 anos fiz 10 vezes por semana o eixo Odivelas - Cidade Universitária. Primeiro de autocarro e depois de metro.
Durante 4 anos fui acompanhada por muitos livros e revistas mas a minha constante semanal era sempre a DNA. Foi lá que fiquei a conhecer Llhasa de Sela e os primores da imprensa regional, por exemplo.
Disso mo lembraram recentemente, aqui e aqui, dois dos seus conspirativos autores.
Deixou um espaço, ainda, vazio.
10.4.16
O Soares Filho decidiu que não estava para ser ministro. Ou então achava que podia mais do que realmente podia. Entre o suicídio voluntário e o involuntário vai ficar sempre um ponto de interrogação mas o que me anda a incomodar mesmo é saber quem poderá ser um bom ministro da cultura. Não os houve, independentemente da cor partidária, desde que me lembro. De há 13 anos para cá, por a minha profissão prestar contas ao ministério da cultura, estou mais atenta e continuo sem discernir um único que se aproveitasse. E já se tentou de tudo: agentes culturais, humanistas (Carrilho? sic), músicos, escritores, antigos presidentes da câmara, produtores... Acho que se tem assistido a uma visão muito compartimentada da cultura de que é culpada, em parte, a divisão exagerada em institutos e centros dentro do ministério. Para fazer orçamentos é uma dor de cabeça porque é mais simples se estes forem estanques mas sendo estanques não há articulação. O que falta é uma visão de conjunto.
A cultura é antes de mais um conceito e um meio. O conceito é essencialmente pessoal (o que eu assumo como cultura) mas também quantitativo (a quantidade de cultura de uma pessoa, comunidade e, neste caso, País). Ora neste ultimo ponto estamos - felizmente - bem colocados. Portugal tem vasta história cultural que cobre todas as artes e patrimónios e praticamente todo o globo. Ao nível individual, e basta falar com alguém de classe baixa em Londres e alguém de classe baixa em Lisboa, há uma falha de enorme envergadura. É aqui que este ministério tem que actuar. Na articulação com a educação. Tem que se explicar qual a vantagem de conceder subsídio ao filme X, porque é que a peça Y é pertinente ou a exposição X, financiada com os nossos impostos, deve ser visitada por todos. Num Estado democrático a cultura não pode ser da elite tem que ser de todos. Trabalho frequentemente com pessoas sem a 4ª classe que (e viva a democratização dos meios de informação) devoram documentários sobre animais e história. Ainda assim, a título de exemplo, acham que os Jogos Olímpicos foram inventados por Hitler (a sério aconteceu). Na cultura, tal como mais especificamente no património, acarinha-se e preserva-se o que se entende e para entender é preciso conhecer. Não é só distribuir apoios aqui e ali de uma maneira autofágica.
Do outro lado da moeda está a cultura como meio. Meio de atracção para gerar receitas ,isso mesmo! Porque se estamos de acordo que esta é uma economia capitalista estamos de acordo que é preciso gerar dinheiro. E as coisas não se podem manter apenas com os nossos impostos. Esta linha de pensamento foi seguida de dois modos muito diferentes em países como França e Inglaterra. No primeiro caso iniciou-se há muitos anos o licenciamento das obras nos museus para fins comerciais (qualquer obra que apareça num filme, por exemplo, foi licenciada). Em Inglaterra, com a política de acesso gratuito às exposições permanentes dos museus nacionais criou-se um mercado: as pessoas voltam regularmente para as exposições temporárias, sempre muito bem montadas e de grande interesse e acabam por investir muito nos souveniers. Em Portugal caiu o Carmo e Trindade com a gratuitidade dos domingos. Que os museus não iam ter lucro, que se ia ter que cortar no pessoal, etc... Ora os museus não devem ter lucro com os seus acervos permanentes, que estão em exposições montadas há mais de 20 anos e que pertencem a todos nós, os cidadãos. Devem isso sim investir na formação e rotatividade de exposições (temporárias e pagas) e na divulgação da sua imagem e espólio (souveniers). Estes últimos para além de dois catálogos sempre disponíveis (da exposição permanente e da temporária, uma utopia... não existem em lado nenhum) deveria incorporar vários suportes das peças expostas que se enquadrassem numa política de preços (dos muito baratos aos muito caros) e de tipo de público (desde as crianças até aos idosos passando por várias profissões).
Este texto não tem grande unidade mas saiu a quente por isso aqui fica para memória futura. A cultura é dos ministérios com mais potencialidades, deve ser gerido por alguém que não é uma estrela rock mas sim pessoa de reflexão. A cultura, antes de mais, deve ser pensada.
A minha viagem ao Norte foi muito mais que formativa. Sozinha e com uma rota a seguir foram poucas as fotografias tiradas. Ando a aborrecer-me com todas as imagens. Prefiro usufruir. Isso é uma coisa que tem chegando de pantufas com os anos.
A chegada à capital do país escocês é das bonitas que tive o prazer de experimentar. Mais de 15 minutos sobre o rio, as pontes e as ilhas. Tempo suficiente para reviver os livros e os filmes chave. Já estava rendida e ainda não tinha colocado os pés em terra.
Edimburgo é uma cidade lindíssima. Começo a ter inveja das pessoas que vivem nestes locais com muito terreno plano e boas ruas para andar de bicicleta. O céu não costuma estar azul (segundo relato de amigos residentes) e o frio é mais que muito. Gosto muitíssimo. Visitei a Biblioteca Nacional da Escócia que não envergonha o país. E... corri em Princess Street.
Saí da Escócia num comboio inglês no meio de uma tempestade de neve (ah as almas românticas encontraram aqui abrigo seguro). O campo e costa que visitei com o olhar (Northumbria) durante a viagem até Durham eram deslumbrantes. Voltarei, um dia. Equipada com vontade, dinheiro e um amigo que queira conduzir do lado errado da estrada.
Durham é uma cidade de conto de fadas. Reparei que o meu deslumbramento imediato à vista de cada nova localidade é inversamente proporcional às gruas que se elevam nos céus. Aqui não há gruas. A cidade é mágica. As pessoas são simpáticas. Aceitam dinheiro escoçês sem fazer má cara e levam-nos a provas de vinhos. Voltarei.
O prazer de viajar sozinha está a crescer. Talvez com um irmão seja igualmente recompensador, não há grandes fretes que se faça com irmãos. Com um amante é capaz de tornar a coisa mais como uma paisagem do que uma vivência. Amigos só muito selecionados... aqueles que amamos como a irmãos.
Seminário de doutorandos. Patologia oral de Palencia e procedimentos cirúrgicos nos hospitais. Tudo em gente que - pelo menos - morreu há 100 anos. Biblioteca Geral da Universidade: o buraco negro onde se escondem as almas estudiosas mais atormentadas (um dia farei aqui o devido post sobre este local tão místico). Casa. Começar a ver o ultimo filme do Gaspar Noé. Um segundo e uma pila depois decido que não é o melhor dia. Biblioteca Geral. Gente do secundário que veio visitar a instituição entra na sala de leitura aos berros. Oiço um toque do Bieber. Morro um pouco por dentro e julgo que a chinesa ao meu lado deixou cair uma lágrima. Encarregam-me de zelar por uma sala que não frequento (se não a começar a frequentar ela desaparece, deixa de ser sala). Casa. Noe? Better call Saul para acalmar. Trabalho no Porto. 6 da manhã estou de pé entusiasmada. "Que bom é este trabalho que me permite ir ao Porto a meio da semana!". 9 horas, no Porto. O local de trabalho é dos mais bonitos que tive. Afinal em Gaia, junto ao antigo Hard Club. Prazeres meus. Vista deslumbrada e descoberta de todo o monte Porto. Passadas duas horas o trabalho está terminado. Vou passear até à hora do expresso. O Porto está giro! Dá vontade de viver ali. Muita gente, turistas pouco usuais, pessoas que param na rua a olhar. Muito bonito. Também lá há mendigos e sem-abrigo. Toda a fruta fica podre. Voltar. Casa. Better call Saul. Dia na Biblioteca Geral. Os tipos de direito são os piores. Estudam (ou decoram falas como um actor) batendo com as mãos na cabeça. Eu cá que sou de humanidades e ciências menos exactas assusto-me. Estou habituada a compreender e não a calcar informação. Missão Biblioteca Geral cumprida. Vou a um bar e a única coisa que ingiro são batatas fritas. Sinal claro de que estou a levar a sério o doutoramento (ou que já tenho pouco dinheiro/ neurónios para gastar). Casa. Better call Saul. Aulas. Almoço com amigos na esplanada. Meia hora a ver uma criatura estacionar o carro meio em cima do passeio meio na estrada. Limpar o mail (não concluído). Pesquisar sobre congressos. Lavar a roupa na lavandaria da universidade. Texas. Cada um armado com o seu saco do Continente cheio de roupa suja a querer ficar em primeiro na fila para as máquinas de lavar. Casa. Filme do Gaspar Noé. Pausa para vir aqui escrever esta parvoíce em que omito metade das minhas alegrias semanais e a totalidade das minhas tristezas. Soares Filho e Vasconcelas mostraram a cara. Woodkid mostra o génio. Não há como boas notícias que nos prepararmos para o fim de semana.
É por Ti que Vivo Amo o teu túmido candor de astro a tua pura integridade delicada a tua permanente adolescência de segredo a tua fragilidade acesa sempre altiva
Por ti eu sou a leve segurança de um peito que pulsa e canta a sua chama que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro ou à chuva das tuas pétalas de prata
Se guardo algum tesouro não o prendo porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto que dure e flua nas tuas veias lentas e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar
Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva para que sintas a verde frescura de um pomar de brancas cortesias porque é por ti que vivo é por ti que nasço porque amo o ouro vivo do teu rosto
Os meus pais gostam muito de juntar a família em torno dos feriados. Tanto vale para a Páscoa como para o 25 e Abril. Desta vez o ajuntamento levou-nos ali para o lado de Mafra e o meu pai, meio investido pela nostalgia meio pela falta de noção de que a filha mais nova (que não sou eu) já tem 22 anos quis ir buscar farturas ao Sobreiro. Para quem não sabe o Sobreiro é uma pequena aldeia à beira da estrada conhecido por ter um parque de diversões rural. Tem direito a todas as profissões de artesãos em cada casinha e ainda a alguns extras como a escola primária dos tempos do estado novo, uma nora (que muitas crianças não conhecem se não dali), um moinho, etc. Foi tudo ideia de um senhor (O Sr. Franco), autodidacta, muito empenhado.
Comentário de visitante nº1 enquanto as crianças felizes corriam por todo o lado: - Isto é muito engraçado realmente mas o homem não devia ter mais nada para fazer.
Comentário de visitante nº2 para a cria de uns 7 anos - Põe aí junto à "azenhe". Isso servia para os burros fazerem exercício...
Comentário de visitante nº3, Pessoa com 35 anos, com ar de morar numa boa vivenda da Linha, na fila para comprar pão com chouriço - Vês o que eu te digo Miguel... na altura davam pão com chouriço às crianças pobres da escola....
Pois é Sr. Franco not enough, not enough.
A vossa escriba, na dita aldeia, em torno do ano 2000, quando era uma jove, tinha pele lisa e suave e acreditava ser boa ideia ir namorar para os locais onde tinha sido feliz na infância. Obviamente esse namoro não pegou.