25.3.16




O desafio veio na revista Estante (edição da FNAC). Consta em ler (pelo menos) um livro em cada uma das seguintes categorias:

- Um livro de um autor português - Alentejo Prometido (Henrique Raposo)
- Um livro de uma autora portuguesa
- Um livro publicado há mais de 50 anos - A condição humana (Hannah Arendt)
- Um livro escolhido apenas pela capa (dificílimo)
- Um livro escrito sob pseudónimo (nada fácil)
- O primeiro livro de um autor
- Um livro de não ficção - Polio, an american story
- Uma biografia/ autobiografia
- Uma utopia/ distopia
- Uma novela gráfica
- Um livro infanto-juvenil
- Um livro de contos - Granta Portugal nº1 (EU)
- Um livro adaptado ao cinema
- Um livro adaptado à televisão
- Um livro escrito por um sul-americano - Crónica de uma morte anunciada (Garcia Marquez)
- Um livro escrito por um asiático
- Um livro escrito por um africano
- Mais um livro que em 2015 (ou seja...42 livros!)

Até hoje e consultando o meu Goodreads o panorama é o que se vê em cima. Há alguns livros que repetem categorias e outros que se podem inserir em várias mas assim não tem tanta piada. Vou tentar actualizar a lista de três em três meses.

24.3.16




Parece-me que vivi em segurança o melhor período de uma vida humana, a infância.
Nos idos de 80 e 90 a vida parecia promissora. Com um pouco de trabalho podíamos ter uma casa, família, um trabalho.
Por várias razões isso não se verifica. Nem trabalho, nem casa, nem filhos. Até os casais deixam de juntar os trapinhos porque os empregos precários não deixam. As paredes das casas dos pais, que tanto os abrigaram enquanto novos, são hoje as marcas de uma prisão.
A tudo isto junta-se esta névoa. 
A conquista do ar foi um dos pináculos tecnológicos da humanidade. A possibilidade de acordar hoje em Lisboa e adormecer logo à noite em Moscovo era do reino da fábula. Mas o homem conseguiu. Estas viagens - os aviões - marcavam, também, a abertura global do homem. A sensação de pertencer mesmo a um único mundo. Esta sensação estava muito viva em 2000. Depois veio o que se sabe. A seguir a esta semana já só se viaja por necessidade. Pode ter subjacente um prazer (turismo, visitar família distante) mas aquela entrada no aeroporto e aquela travessia de avião são apenas uma etapa ansiosa para alcançar um fim.
Parece derrotista. É apenas real. 

21.3.16

Isto é kitsh mas também é folklore português




Um viva à Leonor Teles (que aliás deu um belo nome à sua obra)

20.3.16




The impact of a single book

Set my mood



Set my mood



Coisas que gostaria de fazer se não... #1


Ainda não vos disse mas como decidi fazer um doutoramento estou pobre como nunca estive (mas rica em conhecimento e saber e blá blá blá). Adiante. Inauguro assim a secção "Coisas que gostaria de fazer se não...".

Aqui fica a primeira entrada.

Iggy no SBSR

Podia ser sincera e dizer que foi por me reverberar ainda na memória o Trainspotting (ainda este ano corri na mesma Princess Street) mas gostava de o ver também por isto




e por isto



Viva quem não se dá por vencido!





Ter trinta é um bocadinho assim:

ONTEM: "Sexta à noite. Tenho que ir para casa ler os 5000 artigos pendentes. Bolas como eu gostava de ficar numa esplanada a beber umas imperiais e comer tremoços com os amigos"
HOJE (artigos em cima da mesa do café quando começam a chegar remessas de miúdos - estudantes de biologia - que rumaram a Coimbra para um encontro universitário):" Que horror! Assim não dá. Falam aos gritos estéticos e nem sabem estar. Vou para casa que não tenho vida para aturar crianças. Preciso de paz e sossego."
Não sei bem se isto é uma crise da idade, de identidade ou de vontade.

"Podemos recordar 1913 de muitas maneiras. Nesse ano, Apollinaire escreveu um ensaio, “Os Pintores Cubistas, Meditações Estéticas”, que logo nos diz em que alvoroço artístico andava a Europa. Freud publicou “Totem e Tabu”. Era um mundo antigo à procura de sensações novas.
Mas havia uma parvónia cheia de sol. O lugar era Hollywood, mundo novíssimo à procura de sensações antigas. Agarraram num velhíssimo material chamado riso e dor, amor e ódio, medo e coragem, reduziram o material a luz e sombras, muito branco, muito negro. Fecharam esse composto em fitas de nitrato, que meteram em latas. Chamaram-lhe “pictures”, chamamos-lhe agora filmes."

Leiam tudo (que vale a pena) aqui!

19.3.16




De todas as vezes em que bati no fundo da existência, para além dos braços amigos que me ampararam as quedas com actos e palavras, sempre foram os livros que me salvaram. Não faço colecções mas recolho as minhas memórias de vida por entre as páginas dos livros que li. É um género de palimpsesto em que as ruas de Madame Bovary se mesclam com o cheiro característico a verão de um olival em Baleizão. As histórias de Philip Roth misturam a crise da poliomielite (Nemésis) e as areias salgadas da Páscoa algarvia. Ler na praia é ler na esplanada! Quando em casa (demasiado andarilha não me encontro lá sempre) passo os dedos pelas lombadas dobradas e remeto-me automaticamente para uma específica amendoeira em flor cita em Trás-os-Montes sob a qual conheci Jorge Luís Borges. Por vezes quero acreditar que há melhor que isto (um sorriso, um cheiro, um olhar) mas nada fica de modo tão permanente gravado em páginas de histórias do que os contos memorizados da nossa própria vida.

Amanhã há feira de antiguidades em Coimbra. Dia de abastecer pois então!



O que se passa no Brasil é de uma sem vergonha miserável. Isto de existirem pessoas sérias é mesmo uma questão de fé. Eu tenho fé que em dado momento do tempo, em certas circunstâncias benévolas, os indivíduos possam ser sérios. Depois passam 15 minutos e já está de volta à nossa própria distorcida natureza. Não perdi a fé nos Homens mas nas pessoas, individualmente, foi-se com o fim da inocência.

Boy meets girl






Despoletada pela música acima que me arrebatou num daqueles dias em que mais valia não sair da cama e seguindo o caminho que o meu estado amorfo me permitia lembrei-me, aleatoriamente, de duetos gaja-gajo que já me haviam salvo dias inteiros.





27.2.16



Acontece, por vezes, que as minhas decisões vitais são puramente decisões literárias. Porquê ignorar o manual quando tudo já foi descrito?

26.2.16

Set my mood!



Suicídio assistido



Estamos todos cheios de pinças mas o  cerne da questão é este... estivéssemos nós, em casa, a morrer e alguma coisa se arranjava para acabar com o sofrimento. Estando no hospital, como já é costume, perdemos o controlo da nossa situação corporal e nem um ultimo suspiro se pode dar quando se quer.


No meu corpo mando eu! Já tinha dito? 


Isto é só o começo



O que se lê por aí

"Conta-se que os cães que viajam no metro evitam as carruagens apinhadas e preferem as do fundo, habitualmente menos frequentadas. Procuram a companhia dos humanos e resguardam-se dela, como é de esperar dos bichos que conhecem o melhor e o pior desses humanos. Esses vinte cães que atravessam a cidade talvez o façam apenas para procurar comida ou também por diversão e vontade de ver o desconhecido. Exploram o que a cidade tem para oferecer-lhes, o que os humanos construíram, e sobrevivem num mundo que não foi feito para eles, mas que os tolera. Mas quando a vida na cidade se endurece, são eles que guardam as estações, são eles que acompanham e defendem os humanos que dormem nas ruas, são eles que retomam o lugar que nunca perderam por inteiro, o de companheiros e defensores de seres humanos solitários e amedrontados."

25.2.16

A sociedade que não sabe o preço de nada... o que inlui bens físicos, matérias-primas e horas de trabalho


Exemplo: Uma pessoa tem um item de marca à venda no OLX. Perde a cabeça (AKA acha que já não combina nada com a sua vida) e para se livrar dele coloca um preço simbólico de 5 euros. Por cautela avisa que os portes de envio são pagos pelo comprador. Recebe uma mensagem de um comprador interessado: Compro se o preço já incluir os portes!
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Há um limite para este tipo de coisa ou não? 

O certo é que quando nasci já Bowie tinha feito tudo o que foi preciso para ser recordado. Fez, no entanto, ainda algo novo, o veículo por que nós o conhecemos (nós os nascidos de 80), Labyrinth. O filme condensa todo o Bowie. O camaleão, obviamente, o criativo e o coração. Um monumento kitsh, eu sei, mas um monumento a Bowie. Ter a capacidade de se subtrair isto de um filme com marretas e duendes/ anões é a marca da virtude.

Depois de um interregno não podia deixar de aqui escrever sobre a notícia que ainda marca 2016. Penso que a melhor coisa que li por essa rede fora foi mesmo uma frase que dizia algo como isto"Não chores um mundo sem Bowie porque isso quer dizer que viveste num mundo com Bowie".

Pois... A realidade é que muita gente pensa no que é que Bowie tem. Tem todo o século XX (música, literatura, arte), o antes de Bowie - absorvido na sua obra -, o durante Bowie - a sua obra - e o pós-Bowie (e neste campo fico expectante embora reconheça, sem por ela ter dado conta até agora, a sua influência em mais gente do que inicialmente notei, como Perfume Genius).