20.3.16
Coisas que gostaria de fazer se não... #1
Ainda não vos disse mas como decidi fazer um doutoramento estou pobre como nunca estive (mas rica em conhecimento e saber e blá blá blá). Adiante. Inauguro assim a secção "Coisas que gostaria de fazer se não...".
Aqui fica a primeira entrada.
Iggy no SBSR
Podia ser sincera e dizer que foi por me reverberar ainda na memória o Trainspotting (ainda este ano corri na mesma Princess Street) mas gostava de o ver também por isto
e por isto
Viva quem não se dá por vencido!
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Ter trinta é um bocadinho assim:
ONTEM: "Sexta à noite. Tenho que ir para casa ler os 5000 artigos pendentes. Bolas como eu gostava de ficar numa esplanada a beber umas imperiais e comer tremoços com os amigos"
HOJE (artigos em cima da mesa do café quando começam a chegar remessas de miúdos - estudantes de biologia - que rumaram a Coimbra para um encontro universitário):" Que horror! Assim não dá. Falam aos gritos estéticos e nem sabem estar. Vou para casa que não tenho vida para aturar crianças. Preciso de paz e sossego."
Não sei bem se isto é uma crise da idade, de identidade ou de vontade.
"Podemos recordar 1913 de muitas maneiras. Nesse ano, Apollinaire escreveu um ensaio, “Os Pintores Cubistas, Meditações Estéticas”, que logo nos diz em que alvoroço artístico andava a Europa. Freud publicou “Totem e Tabu”. Era um mundo antigo à procura de sensações novas.
Mas havia uma parvónia cheia de sol. O lugar era Hollywood, mundo novíssimo à procura de sensações antigas. Agarraram num velhíssimo material chamado riso e dor, amor e ódio, medo e coragem, reduziram o material a luz e sombras, muito branco, muito negro. Fecharam esse composto em fitas de nitrato, que meteram em latas. Chamaram-lhe “pictures”, chamamos-lhe agora filmes."
Leiam tudo (que vale a pena) aqui!
19.3.16
De todas as vezes em que bati no fundo da existência, para além dos braços amigos que me ampararam as quedas com actos e palavras, sempre foram os livros que me salvaram. Não faço colecções mas recolho as minhas memórias de vida por entre as páginas dos livros que li. É um género de palimpsesto em que as ruas de Madame Bovary se mesclam com o cheiro característico a verão de um olival em Baleizão. As histórias de Philip Roth misturam a crise da poliomielite (Nemésis) e as areias salgadas da Páscoa algarvia. Ler na praia é ler na esplanada! Quando em casa (demasiado andarilha não me encontro lá sempre) passo os dedos pelas lombadas dobradas e remeto-me automaticamente para uma específica amendoeira em flor cita em Trás-os-Montes sob a qual conheci Jorge Luís Borges. Por vezes quero acreditar que há melhor que isto (um sorriso, um cheiro, um olhar) mas nada fica de modo tão permanente gravado em páginas de histórias do que os contos memorizados da nossa própria vida.
Amanhã há feira de antiguidades em Coimbra. Dia de abastecer pois então!
O que se passa no Brasil é de uma sem vergonha miserável. Isto de existirem pessoas sérias é mesmo uma questão de fé. Eu tenho fé que em dado momento do tempo, em certas circunstâncias benévolas, os indivíduos possam ser sérios. Depois passam 15 minutos e já está de volta à nossa própria distorcida natureza. Não perdi a fé nos Homens mas nas pessoas, individualmente, foi-se com o fim da inocência.
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Boy meets girl
Despoletada pela música acima que me arrebatou num daqueles dias em que mais valia não sair da cama e seguindo o caminho que o meu estado amorfo me permitia lembrei-me, aleatoriamente, de duetos gaja-gajo que já me haviam salvo dias inteiros.
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2.3.16
27.2.16
Acontece, por vezes, que as minhas decisões vitais são puramente decisões literárias. Porquê ignorar o manual quando tudo já foi descrito?
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26.2.16
Suicídio assistido
Estamos todos cheios de pinças mas o cerne da questão é este... estivéssemos nós, em casa, a morrer e alguma coisa se arranjava para acabar com o sofrimento. Estando no hospital, como já é costume, perdemos o controlo da nossa situação corporal e nem um ultimo suspiro se pode dar quando se quer.
No meu corpo mando eu! Já tinha dito?
25.2.16
A sociedade que não sabe o preço de nada... o que inlui bens físicos, matérias-primas e horas de trabalho
Exemplo: Uma pessoa tem um item de marca à venda no OLX. Perde a cabeça (AKA acha que já não combina nada com a sua vida) e para se livrar dele coloca um preço simbólico de 5 euros. Por cautela avisa que os portes de envio são pagos pelo comprador. Recebe uma mensagem de um comprador interessado: Compro se o preço já incluir os portes!
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Há um limite para este tipo de coisa ou não?
O certo é que quando nasci já Bowie tinha feito tudo o que foi preciso para ser recordado. Fez, no entanto, ainda algo novo, o veículo por que nós o conhecemos (nós os nascidos de 80), Labyrinth. O filme condensa todo o Bowie. O camaleão, obviamente, o criativo e o coração. Um monumento kitsh, eu sei, mas um monumento a Bowie. Ter a capacidade de se subtrair isto de um filme com marretas e duendes/ anões é a marca da virtude.
Depois de um interregno não podia deixar de aqui escrever sobre a notícia que ainda marca 2016. Penso que a melhor coisa que li por essa rede fora foi mesmo uma frase que dizia algo como isto"Não chores um mundo sem Bowie porque isso quer dizer que viveste num mundo com Bowie".
Pois... A realidade é que muita gente pensa no que é que Bowie tem. Tem todo o século XX (música, literatura, arte), o antes de Bowie - absorvido na sua obra -, o durante Bowie - a sua obra - e o pós-Bowie (e neste campo fico expectante embora reconheça, sem por ela ter dado conta até agora, a sua influência em mais gente do que inicialmente notei, como Perfume Genius).
4.1.16
Marcas indeléveis
"Era manifestamente a cidade que atrai a ira, a cidade em perigo constante que, perante as tentações de todo o tipo de grandezas, nunca soube dizer um redondo não que a defendesse do seu próprio destino. As suas cúpulas e as suas torres dão a impressão, de uma maneira indefinível, de fazerem frente a quem quer que seja e, mesmo no modo como estão dispostas nesta planície encapelada, há qualquer coisa de obstinado, de orgulhoso e insubmisso. A cidade, efectivamente, sorri apenas aqueles que se aproximam dela e deambulam pelas suas ruas; a esses, ela fala numa linguagem tranquilizadora e familiar, mas a alma de paris só se revela de longe e do alto."
Julien Green in Paris
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