24.7.15
Vive-se quando se vive a substância intacta
em estar a ser sua ardente harmonia
que se expande em clara atmosfera
leve e sem delírio ou talvez delirando
no vértice da frescura onde a imagem treme
um pouco na visão intensa e fluida
E tudo o que se vê é a ondeação
da transparência até aos confins do planeta
E há um momento em que o pensamento repousa
numa sílaba de ouro É a hora leve
do verão a sua correnteza
azul Há um paladar nas veias
e uma lisura de estar nas espáduas do dia
Que respiração tão alta da brisa fluvial!
Afluem energias de uma violência suave
Minúcias musicais sobre um fundo de brancura
A certeza de estar na fluidez animal
António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"
22.7.15
Patti marcou encontro para Setembro
Vamos nessa Carla da F.?
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l´art brutt,
Le monde est un théâtre,
some old crazy people
20.7.15
18.7.15
o melhor livro que li este ano em três frases
“Anything can happen to anyone, but it usually doesn't. Except when it does.”
“It's so heartbreaking, violence, when it's in a house-like seeing the clothes in a tree after an explosion. You may be prepared to see death but not the clothes in the tree.”
“There were two types of strong men: those like Uncle Monty and Abe Steinheim, remorseless about their making money, and those like my father, ruthlessly obedient to their idea of fair play.”
15.7.15
Set my Mood
Eu acho mesmo que é a música que nos vai salvar.
Se não a humanidade
pelo menos cada um dos dias que passam.
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set my mood
a geografia
Quem manda é a economia.
Não. É a política.
I M P L O S Ã O
Afinal, o fim de tudo, o que fica, é a
geografia.
E, assim, tudo começa de novo.
Em terra de cegos
Sobre as presidenciais: com estes candidatos estapafúrdio se D. Duarte fosse a jogo ainda ganhava.
Sr. Rei Presidente
Dom Presidente Real
Real Presidente da Republica Monárquica
Dom Rei Precidencial
(ficava aqui até amanhã mas tenho ali em espera um bacalhau à Zé do Pipo)
14.7.15
13.7.15
Pim, Pam, Pum
Pim!
"Make them laugh, make them cry, and hack to laughter. What do people go to the theatre for? An emotional exercise. I am a servant of the people. I have never forgotten that."
Pam!
Pum!
[O esquecimento. Mary a primeira grande estrela do firmamento cinematográfico ensina como se esquece a si mesmo para entreter os outros. O que era para ser comédia é no final um argumento dramático. A esquecida foi ela.]
sei que tinha aqui algo emocionante para postar
O Tio Neil
nunca falha.
Desde Abril
Já aqui não escrevo desde Abril
Deixa cá ver...
A Grécia continua na mesma.
Portugal idem aspas.
O Panteão está mais pobre. A cultura também se vem esvaziando. A educação, inexistente. O civismo, procura-se.
Morreu-me imensa gente. Outros nasceram a quem nunca imaginei filhos.
Vou ao casamento de um ex-namorado (o que vale mais de entre todos).
Ainda estou cá. Ainda existo.
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so this is evolution?,
what am i doing?
14.4.15
aos magos de palavras que não param de partir (ainda que um bom artífice deixe para sempre a sua obra)
"A inocência é um estado clandestino na ditadura do mundo; tem se dar astuta, tem de recorrer a todas as torpezas para lutar e escapar."
Jornal Público, 4 Dezembro 1990
Herberto Hélder
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Comer ou não comer eis a questão
Ter no menu um daqueles pratos que adoramos.
Saber que os 5kg de alho que leva me vão fazer parar a digestão
O que fazer?
Pois... comer!
(e ficar durante quatro horas com a sensação de que me vou finar)
E o prato é tibornada de bacalhau.
23.2.15
Leitora deslumbrada me confesso
José Eduardo Agualusa. Rui Zink. Lídia Jorge. João Tordo. Manuel Jorge Marmelo. Valter Hugo Mãe.
Todos no Contentor 13.
21.2.15
A fauna de Warhol
"Below, in this brief (mildly NSFW) clip from the Kino Library, we see a typical evening at Max’s Kansas City with the likes of Candy Darling, a topless, insane-looking lipstick-smeared Brigid Berlin, Paul Morrissey, Patti Smith and Robert Mapplethorpe, Taylor Mead, Ray Johnson, Marisol and others. That’s Warhol’s Factory assistant Gerard Malanga who we see smoking as the voiceover reader says the word “pretentious.”"
Candy Darling, uma das estrelas do cinema de Warhol, Transexual e símbolo LGBT morreu, em 1974, aos 29 anos de linfoma. Foi a inspiração para várias formas de arte.
Uma fotografia sua, no leito de morte,da autoria de Peter Hujar, foi usada como capa do álbum de Anthony and The Johnsons I´m a Bird Now, de 2005.
Esta imagem foi captada no mesmo momento em que diz a suas últimas palavras "You Know I Couldn't Last" eternizadas numa música de Morrisey (que também se encontra no video acima).
Em 1987 os The Smiths usaram também uma imagem sua, uma still do filme Women in Revolt, como capa do single Sheila Take a Bow.
Também os Rolling Stones lhe dedicaram uma música - Citadel. Estes convieram de perto com toda a azáfama criativa da Factory enquanto se encontravam nos EUA.
Mas a referência maior a Candy e à sua vivência enquanto ocupante da Fábrica Warholiana veio em forma dois hinos
.
Uma música que, como um espírito deixado neste mundo, nos leva a esse universo paralelo de arte, experiência, loucura e liberdade.
Trendsetter
A minha bolsa mensal teve que ser esticada para poder passar a ir ao ginásio sem maiores despesas (publicações semanais compradas: Visão, Sábado, Expresso) logo não fui a correr (oh a inspiração temática) comprar roupinhas todas XPTO.
Lá desencantei umas calças de Educação Física que nos últimos tempos eram usadas como pijama, uma t-shirt dos Sex Pistols que tinha a mesma função e mais uma ou outra camisola velha mas que tinha decote e não podia levar para o trabalho sob o risco de os senhores das obras me passarem as tardes a olhar para as meninas que dava para adaptar. Os ténis foram recuperados de umas aulas de Hip-Hop (lembram-se? era mais ou menos zumba mas com musicas da Britney Spears e da Aguilera... muito promissor portanto) a que a minha mana ia enquanto adolescente.
Quando cheguei à primeira aula as pessoas calçavam isto
O que é que eu calçava? Vintage caros leitores. Vintage! Já não há para o comum dos mortais. Como diz o título: Transetter.
19.2.15
Digam lá que o que isto não é tão lindo
Lúcia Miguel, colega da empresa Era, explica num pequeno vídeo documental a importância da descoberta dos Fornos de Cal da Magra (Baleizão, Beja), num projecto Era/Omniknos.
Os trabalhos de arqueologia implementados em empreitadas de grande dimensão espacial ou patrimonialmente relevantes são hoje uma grande fonte de trabalho para arqueólogos (e vários investigadores que actuam em torno da ciência arqueológica) e para além de revelarem importantes informações sobre o passado do território onde habitamos levantam em igual medida novas e misteriosas questões.
Este é um trabalho não só histórico mas cultural.
Quem não conhece as suas raízes desconhece-se a si mesmo.
Marcus Garvey
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A slim fat girl diary
Não me apeteceu ainda escrever directamente sobre este assunto por estar ainda a interiorizar a novidade mas algo se passou comigo que mudou completamente a minha percepção sobre como quero viver.
Devem ser os 30 anos a aproximarem-se (2,5 meses até lá) mas tenho um maior medo de me detiorar sem razão. Não é morrer. É viver pior. Já andava assim há uns meses. Por exemplo, a relação com o álcool acalmou muito. Um copinho de vinho e basta. Mas no início do ano recebi a visita das minhas análises anuais... e em vez de boas notícias recebi colesterol.
Sem drama. 228. O pior não foi a evidência ou o valor foi o que eles espelham. Ali, preto no branco, está escrito que eu sou inerte há 8!! anos e como tal qual uma criança deixada à solta num supermercado. Voltando à idade - quase 30!!! - e à tomada de consciência que se seguiu. Rapidamente comecei a procurar alternativas saudáveis às comidas que o Sô Dôtor me proibiu e inscrevi-me num ginásio.
Destas novidades lhes vou dar conta nestas páginas de uma Magra Gorda (48 quilos de gordura no sangue).
As primeiras impressões é que depois de uma aula de zumba (de que não fiquei fã) consegui perfeitamente vir para casa ler um livro de contos da Lídia Jorge. A intelectual em mim está a sofrer um upgrading. Qualquer dia consigo entender o mistério dos enterramentos em fossas da idade do Bronze enquanto dou três piruetas maluca ao som da Shakira.
Se virem com atenção a menina que está mais atrás encontra-se alegremente e aos pulinhos a determinar porque é que a massa prevista do vácuo quântico têm pouco efeito sobre a expansão do universo.
18.2.15
Cover me Up!
Tenho um enorme fraco por esta versão do Iggy.
Mas há uma para cada momento.
E claro... o seu a sua dona.
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o que me aquece o coração
Colesterol
Ou o facto que me veio salvar da inércia.
E agora também eu (sim aquele pessoas que se pudesse estacionava o carro no patamar do 3º andar onde mora) sou um pouco como as protagonistas deste video.
16.2.15
15.2.15
Tenho o privilégio de que o meu trabalho me leve para vários pontos do País. Sendo a maioria zonas rurais. Por isso as mudanças e a distância não me entristecem. Quem é que fica desanimada quando vê uma pequena coruja no seu castelo de pedra? Ou depois de avistar uma rara abetarda (tão rara que o corrector ortográfico acha que a palavra não existe)?
Para aqueles que não são tão privilegiados como eu - ou que ainda não aprenderam a olhar - aqui fica um bonito retrato da natureza portuguesa.
14.2.15
Quando te conheci ninguém me fazia falta. Estava completa sozinha.
Desde a adolescência há sempre alguém, claro. Há sempre quem nos ocupe o pensamento. Uma vestigial marca do passado, uma presença presente que apenas vale para nos fazer rejeitar ou ser rejeitados, ou uma lembrança de um hipotético futuro que nunca será. São os espectros que vamos coleccionando enquanto passagens vivas.
Dizia que me sentia completa. Vivia sem pensamentos esfuziantes mas habitava espaços e usufruía de pessoas. A ansiedade estava ausente, os caminhos planos, os passos seguros. Havia liberdade em ser só uma.
Depois vieste tu. Conheci-te por fotografia. Onde é que já se viu nos dias de hoje? Nesse dia olhei-te e senti-me no topo de uma montanha russa prestes a descer. As entranhas deram sinal. Na tua presença o meu corpo respondia de forma ainda mais visceral. Foi-se a serenidade matinal. Suores, pressas, coração descompassado, lábios secos, tiques nervosos de dedos que não largam os fios do cabelo. À tua frente, uma falsa serenidade. Por dentro, a ebulição.
Lá se foi o caminho em linha recta, o usufruto dos amigos, os lugares, as músicas, os filmes, os livros, as horas egoístas que só a mim diziam respeito. A caixa de mudanças não mexia, todos os dias passei a meter a quinta para tomar uma única direcção, tu.
Aos poucos a paixão complementa-se e ajusta-se. Há lugar para concessões, partilhas e novos hábitos. São dois que se emparelham. Há que manter uma distância constante. Respeitar a individualidade num caminho comum. Os passos são agora mais seguros. A paixão e o amor persistem. A amizade e a admiração crescem. Cinco minutos sem ti e já tenho saudades. Falta-me uma parte.
Quanto te conheci sabia estar completa. Hoje sei que assim foi porque só dois seres completos, serenos e conscientes de si se podem dar tão totalmente um ao outro.
13.2.15
Afonso Cruz: uma vez mais
Bianca Passarge by Carlo Polito
"Este lado do espelho
- Levo uma vida normal, Sr. Dr., ando nua pelas ruas, voo de prédio em prédio, as pessoas à minha frente mudam de cara constantemente, mas à noite, Sr. Dr. à noite sonho que me levanto às oito da manhã, saio de casa e vou trabalhar durante oito horas. Tenho uma hora de almoço, como à pressa (por vezes em pé), saio às seis e vou para casa de carro, sempre em filas, vejo televisão e, depois, acordo com suores frios. É horrível Sr. Dr. isto acontece-me todos os dias, há anos, dum modo absurdamente repetitivo, e isto não vai lá com comprimidos.
- Isso é uma situação normalíssima, minha cara senhora, normalíssima. Nem imagina a quantidade de pessoas que têm esse sonho. Aliás, poderemos mesmo afirmar que esse é o único sonho normal. A senhora vir aqui queixar-se de coisa tão banal só prova que está bem de saúde. No outro dia apareceu-me aqui um maluquinho, um caso perdido, que sonhava que trabalhava por conta própria, ficava em casa a maior parte dos dias e viajava muito com subsídios ou lá o que era aquilo. Quando ele disse isto, tranformei-me logo numa porta de mogno e mandei-o sair.
(Agnese Guzman, A Borboleta Taoísta)"
in Enciclopédia da Estória Universal, Afonso Cruz
10.1.15
7.1.15
6.1.15
O toque das coisas leves,
o anoitecer na tua pele...
És tu, sempre tu,...
que me revolves o corpo,
que me usas, delicadamente,
que me vestes o corpo com o teu suor.
Somos o toque das coisas leves,
a tua voz no meu ombro,
o meu riso na tua mão.
CRISTINA PÓLVORA (a publicar)
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palavras são como o éter
Mesmo antes de o ano virar
uma das descobertas musicais mais viciantes (e tocantes) de 2014.
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set my mood
A descoberta literária de 2014 | Afonso Cruz
“Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele. Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos. Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo. Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade.”
(foram cinco livros... ainda bem que o autor é um jovem e pode continuar a editar - para meu deleite - por muitos e muitos anos | o contrário designa-se por "síndrome Saramago")
6.11.14
19.10.14
A Leitora
A leitora abre o espaço num sopro subtil.
Lê na violência e no espanto da brancura.
Principia apaixonada, de surpresa em surpresa.
Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco.
Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra.
Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento.
Desce pelos bosques como uma menina descalça.
Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva
em chama de água. Na imaculada superfície
ou na espessura latejante, despe-se das formas,
branca no ar. É um torvelinho harmonioso,
um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira
na sede obscura de palavras verticais.
A água move-se até ao seu princípio puro.
O poema é um arbusto que não cessa de tremer.
António Ramos Rosa, in "Volante Verde"
18.10.14
Adeus Baleizão
Heraclitus
Terminou há uma semana o pior ano da minha vida.
Havia uma sombra que cobria os meus dias e retirava alegria ao que antes me fazia feliz.
Embora tenha lutado sempre para que não me domina-se dias havia em que era quase insuportável. Mudei em mim muita coisa para terminar este ano. Valorizei cada pequena alegria e relativizei tudo o que me tornaria negativa e zangada. Ainda assim comia pior, diminui a minha participação social (o blog foi uma das vítimas), e escudei-me em poucos amigos (que conheciam a situação) e na família.
A razão da minha infelicidade era o meu trabalho. Uma parvoíce para quem está bem e uma realidade próxima para quem sente o mesmo.
Este foi o ano sob o domínio da expressão "aguenta". E aguentei, não fiquei deprimida, tive ajuda de muita gente e tive muita força interior para duas coisas:
1. Não deixar de sorrir, sempre.
2. Não descarregar as frustracções em ninguém.
Fui forte e capaz de mudar.
A semana que passou foi a mais feliz de toda a minha vida. Tinha todas as razões menos uma. Agora já acabou.
Viva a mudança e a serenidade.
31.8.14
30.8.14
O Jardim
Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.
Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.
Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.
António Ramos Rosa, in "Volante Verde"
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