26.2.16
25.2.16
A sociedade que não sabe o preço de nada... o que inlui bens físicos, matérias-primas e horas de trabalho
Exemplo: Uma pessoa tem um item de marca à venda no OLX. Perde a cabeça (AKA acha que já não combina nada com a sua vida) e para se livrar dele coloca um preço simbólico de 5 euros. Por cautela avisa que os portes de envio são pagos pelo comprador. Recebe uma mensagem de um comprador interessado: Compro se o preço já incluir os portes!
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Há um limite para este tipo de coisa ou não?
O certo é que quando nasci já Bowie tinha feito tudo o que foi preciso para ser recordado. Fez, no entanto, ainda algo novo, o veículo por que nós o conhecemos (nós os nascidos de 80), Labyrinth. O filme condensa todo o Bowie. O camaleão, obviamente, o criativo e o coração. Um monumento kitsh, eu sei, mas um monumento a Bowie. Ter a capacidade de se subtrair isto de um filme com marretas e duendes/ anões é a marca da virtude.
Depois de um interregno não podia deixar de aqui escrever sobre a notícia que ainda marca 2016. Penso que a melhor coisa que li por essa rede fora foi mesmo uma frase que dizia algo como isto"Não chores um mundo sem Bowie porque isso quer dizer que viveste num mundo com Bowie".
Pois... A realidade é que muita gente pensa no que é que Bowie tem. Tem todo o século XX (música, literatura, arte), o antes de Bowie - absorvido na sua obra -, o durante Bowie - a sua obra - e o pós-Bowie (e neste campo fico expectante embora reconheça, sem por ela ter dado conta até agora, a sua influência em mais gente do que inicialmente notei, como Perfume Genius).
4.1.16
Marcas indeléveis
"Era manifestamente a cidade que atrai a ira, a cidade em perigo constante que, perante as tentações de todo o tipo de grandezas, nunca soube dizer um redondo não que a defendesse do seu próprio destino. As suas cúpulas e as suas torres dão a impressão, de uma maneira indefinível, de fazerem frente a quem quer que seja e, mesmo no modo como estão dispostas nesta planície encapelada, há qualquer coisa de obstinado, de orgulhoso e insubmisso. A cidade, efectivamente, sorri apenas aqueles que se aproximam dela e deambulam pelas suas ruas; a esses, ela fala numa linguagem tranquilizadora e familiar, mas a alma de paris só se revela de longe e do alto."
Julien Green in Paris
28.12.15
Chocalhos, património mundial, esquecidos de Portugal
Há uns anos a classificação do Fado, e mais tarde do Cante, como património da humanidade foi um dos acontecimentos do ano. Hoje, ao chegar ao fim de 2015, pouco se nota na imprensa escrita ou digital, sobre a importância para o património português da distinção da Arte Chocalheira. Salve-se o Jornal Público e a reportagem sobre o autor da candidatura (aliás presente também nos dossiers do Fado e do Cante).
Este é um silêncio triste mas esperado. O Alentejo não está acostumado a grandes cerimónias ou condecorações. Há alguns eventos, um fim de semana no máximo (Ovibeja, Flores de Campo Maior, Festival Islâmico de Mértola) que vão colocando alguns pontos no mapa mas a cultura, o saber alentejano, que é até fácil de ver, basta andar - passeando pelas suas estradas e aldeias - é um quase desconhecido dos portugueses (até a tão afamada gastronomia é assassinada com artes maléficas em restaurantes citadinos quando os conhecedores sabem que é na tasca da aldeia que melhor se come). Escolhão uma localidade, agarrem numa bicicleta ou apenas caminhem. Vão! Pode ser que oiçam os chocalhos ao lá fundo.
"Esta paisagem foi sacrificada “à agro-indústria e às lógicas que prevalecem sob o argumento da produção alimentar”, critica Paulo Lima, visando a extensão do olival e vinha no Alentejo. “Deixámos de dar atenção a esta coisa tão simples que é cuidar e manter raças autóctones”, prossegue o antropólogo frisando que uma das vertentes que os move nesta candidatura “é o património cultural-genético”. E lembra como a opinião pública se tornou mais sensível à salvaguarda de espécies selvagens, como o lince, o abutre negro, a águia-real, entre outras, mas desconhece que existem raças de ovinos e bovinos quase extintas com apenas poucas centenas de exemplares, como é o caso das ovelhas churra e campaniça ou a raça garvonesa de bovinos.
“Não podemos deixar acabar o património genético, a paisagem sonora baseada na pastorícia”, o universo pecuário que sustentava o fabrico de chocalho que tinha uma função idêntica à que representa nos dias de hoje o GPS, reafirma Paulo Lima, frisando que esta preocupação “calou muito fundo na UNESCO.”"
Mais, aqui.
26.12.15
Um País que Pensa
Recentemente foi organizado mais um encontro Tedx Lisboa e eu, que desde início me assumi comi fã deste conceito, fiquei surpreendida com a qualidade das talks. Há um País que pensa e uma parte dele está aqui.
Deixo a minha favorita por ser uma realidade que não me é distante.
Quem são estas pessoas invisíveis?
26.8.15
24.8.15
Set my Mood
...porque nem tudo pode ser amorfo nesta vida...
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so this is evolution?
"A man who spends half a century dedicated to the study of his beautiful city’s rich history, excavating its ancient glories and sharing them with the world in museums and books; a man who, when the storm of violence approaches, works assiduously to hide those priceless artifacts from the monsters who would destroy them or disperse them into the hands of greedy, amoral collectors around the world; a man who then refuses to leave the city even though he knows he will almost certainly be a target of said monsters; a man who, at 82 years of age, sustains a month of God knows what kind of interrogation methods without breaking; a man who gives his life for love of history. That man is the hero."
Um alvo pára na cabeça dos historiadores. Por vezes é um alvo de palavras na forma de injurias. Noutras, como visto recentemente, é um alvo sobre a própria vida. Que fazem estes cientistas que apenas usam a força do raciocínio e da pena?
Eles (a sua maioria) sabem o valor do passado. Conhecem os contextos das revoluções, as razões (que tantas vezes não são as postuladas). São por isso dotados de cinismo porque já viram antes o que se passa hoje.
Há um medo em todos os ditadores, em todos os extremistas, que a verdade se saiba para lá do banho dourado que estes lhe dão. Aqui aplica-se a frase conhecida de Heinrich Heine: "Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas.", porque o conhecimento da história é uma ameaça, assim como a cultura e o ensino. Pessoas ignorantes é o que se quer para difundir ideias sem pés nem cabeça.
Todo o mundo devia chorar a morte de um homem que apenas procurou conhecer e estudar melhor a Humanidade. Só que esta é mais chica esperta do que justa.
23.8.15
Foi há 8 anos mas na realidade numa outra vida.
As datas são difusas mas deve ter durado mais ou menos um mês e meio.
Foi quando vivi no paraíso. Para além das paisagens puras e do ar cristalino que nos entrava pelos pulmões havia toda uma disponibilidade para apreciar sem pressas.
Trabalhava-se durante umas 10 horas. De manhã acordava-nos com a neblina - o lugar é quase cercado por água - e à tarde, sem qualquer peso no corpo, íamos mergulhar na água calma do Azibo.
Durante semanas percorríamos as aldeias mais interiores de um dos mais esquecidos concelhos de Portugal. Para conhecer mais sobre o patrimonio local tínhamos que falar com aqueles velhos e velhas, redutos do século XIX, quase, que nos colocavam na mesa vinho, pão e enchidos. Íamos sempre de barriga vazia para não fazer desfeita.
Nos dias quentes, depois de almoço, cada um seguia com a sua cerveja (menos o condutor claro), vento quente a entrar pela janela, rodas a percorrer estradas desertas.
Como estarão agora esses caminhos e essas gentes? Aquele era o tempo das vacas gordas (ou assim parecia).
Viviamos nestas casas bonitas e confortáveis com direito a refeições. Hoje o projecto mudou de direcção. As casas estão lá, tal como o Azibo, as estradas e, espero eu, as gentes. A gastronomia é do melhor e ali ao lado, depois da fronteira, estão os Picos da Europa. A paisagem mais linda que me foi possibilitado ver.
Agora as casas podem ser vossas pelo tempo que desejarem. Este é um segredo nosso. Vejam aqui e sejam felizes.
(Não existem fotos. Tirámos muitas e todas se perderam. Há coisas que são mais bonitas lembradas apenas pela memória.)
(Não existem fotos. Tirámos muitas e todas se perderam. Há coisas que são mais bonitas lembradas apenas pela memória.)
Afinal para que serve a história?
(Imagem retirada do artigo do Público e parte integrante do Arquivo Leisner; ler o ponto quatro)
Por achar que se desvaloriza em profundidade o estudo do passado e as ciências que o encabeçam vou procurar trazer de tempos a tempos um digest - com fundamento científico - sobre o que veio a lume por esta internet fora sobre algo que deveria interessar a cada um de nós - O Nosso Passado - já que ao estado nem vala a pena falar.
Esta semana:
- Portugueses de hoje seguiram os passos dos de ontem. Depois de uma profunda crise - a crise do século XIV - dominada por fome, guerras e doenças iniciou-se um tipo de migração (aqui leia-se busca de sustento noutras latitudes), a fuga em frente que sempre caracterizou os portugueses. Com um pouco de engenho, sorte e planeamento (as três coisas são possíveis) chegou-se, há 600 anos, a Ceuta. Para ler aqui.
- Colegas (e amigos) quase a fazer omeletes sem ovos ou de como uma única falange da mão pode ser fundamental para entendermos quem nos precedeu. Como sempre, no que à evolução humana diz respeito, são boas notícias da mãe África. Aqui.
- Há um cuidado especial em deixar enterrados certos temas que nos envergonho enquanto povo. A inquisição em Portugal é um deles. Um colega (e mais uma vez, um amigo) agarrou o touro de frente e estudou vários esqueletos de indivíduos vítimas da Inquisição oriundos de Évora. A investigação foi publicada em jornais da especialidade, na Forbes e imagine-se no nosso A Bola que muito me alegrou ver a divulgar a investigação feita em Portugal por jovens cientistas.
- E agora de fora para dentro. Uma reportagem sobre a disponibilização do arquivo dos Leisner. Para muitos um nome desconhecido mas para todos os arqueólogos portugueses uma referência. O casal que se mudou para Portugal e inicou o estudo científico dos monumentos megalíticos funerários portugueses, de uma importância fulcral devido à sua unicidade, pode ser conhecido aqui.
- Finalmente um artigo de opinião, um pouco mais dentro das questões cientificas, mas que vale a pena ler nem que seja para perceber que em ciência tudo se discute constantemente e são as incertezas e mutações que são saudáveis. Arqueologia e antropologia devem andar ligadas? Aqui.
19.8.15
17.8.15
13.8.15
Bat for Lashes
12.8.15
11.8.15
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