(e dias são ganhos quando se descobrem coisas assim)
5.8.15
4.8.15
3.8.15
Interrupção Voluntária de Gravidez pós-referendo em Portugal not a wonderland
A experiência é pessoal.
Há vários anos acompanhei uma amiga que necessitou de fazer uma interrupção voluntária da gravidez. Estávamos em Trás-os-Montes, a trabalhar, e todo o processo se desenrolou à minha vista.
Assim que soube que estava grávida e sem possibilidades (razões pessoais muito fortes que apenas a ela pertenciam) para prosseguir tentou primeiro encontrar um nº de ajuda na internet. Assim que falou com os profissionais desse nº foi direccionada para uma consulta de obstetrícia num hospital da Beira Interior. Como não possuía carro e o hospital estava a cerca de 1.30 horas de onde morava fui eu a sua condutora.
Chegada à obstetrícia do Hospital a minha colega aguardou como qualquer outra paciente regular pela consulta onde lhe foi explicado o tempo de gravidez e os métodos de interrupção que podiam ser aplicados. A seguir foi para casa, alguns dias, para ter tempo de reflexão.
Passados dois ou três dias voltou ao mesmo local para tomar a primeira medicação. Foram-lhe também pedidos (ou prescritos) alguns fármacos e produtos para infecções e lavagem uterina.
Uma terceira consulta foi necessária - distando da segunda cerca de 3 dias úteis - para a toma final do medicamento abortivo. Esta toma só aconteceu depois de cerca de uma semana e meia desde a primeira consulta e após 3 viagens e medicação comprada. Devo dizer que desta vez esperámos num corredor ao mesmo tempo que se ouviam os gritos do parto de uma mulher prestes a dar à luz. Das outras vezes foram várias as crianças recém nascidas e grávidas que passaram por nós. Eu, que apenas acompanhava, fiquei terrivelmente afectada por este episódio tendo, por exemplo, tomado a decisão consciente de nunca fazer uma IVG.
Passada uma semana de tratamentos diários, em casa, que implicavam a lavagem do útero pelo menos duas vezes por dia, coisa que não se consegue fazer no local de trabalho, a minha amiga foi ainda a uma consulta final verificar se tudo se tinha processado como devia e se não tinha sequelas.
Este texto serve para demonstrar que nada neste processo é fácil ou oferecido. Há sequelas mentais porque ninguém passa por isto sem pensar duas vezes na sua escolha. E há já um preço monetário muito alto a pagar: medicamento, viagens (foram precisas 8 viagens de 100 km) e dias de trabalho.
Tenham vergonha por abusarem ainda mais destas mulheres. A hipocrisia é demasiada, por exemplo, quando se fala tão tristemente de mulheres vítimas de violência doméstica que se escolherem proceder a uma IVG terão de esconder todos estes procedimentos dos companheiros e agora ainda arranjar mais dinheiro para as taxas moderadoras e desculpas para consultas com psicólogos e assistente social.
1.8.15
Um Sábado de Agosto em casa.
O calor expande-se lá fora.
Aqui ouve-se música que me ajuda a atingir o que mais preciso por estes dias... serenidade.
Etiquetas:
happiness,
joie de vivre,
Le monde est un théâtre
Chaves dicotómicas
Os senhores da segurança social/ centro de emprego sabem tanto da sua arte que mais vale arranjarem um sistema de chaves dicotómicas para se guiarem.Assim pode ser que, por uma vez, duas pessoas prestem a mesma informação e não tenhamos que pedir uma segunda opinião como quem vai fazer um tratamento médico.
Etiquetas:
cheira aqui a ovo podre,
pérolas de saberoria,
postas de pescada
29.7.15
Hoje
"When did you last feel loved? Had your forehead kissed, your eyes met… had someone listen to the story of your day – had someone invite you into their brain, their routine, their hometown? When was the last time you felt love move back and forth freely between yourself and someone else without having to qualify it or justify it?
It’s a good thing."
28.7.15
27.7.15
Em Beja
Posso estar longe de uma cama que reconheço e de um espelho que me conhece.
Posso não ter espaço para animais de estimação.Posso ter que escolher apenas plantas de folha carnuda ou cactos.
Posso lutar por manter rotinas.
Mas tenho sobreiros e abetardas.
Tenho todos os livros de bibliotecas.
Tenho a novidade.
E os lugares... não há substituto para os lugares que nunca se chega a conhecer.
25.7.15
Uma semana numa aldeia à beira mar.
Sobrevivi a alpercatas com purpurinas "família real espanhola style", um bombardeamento, vindo de todas as direcções, de gin, a gente que vai para a praia com cadeiras viradas de costas para o mar "só para apanhar um bronze", meninas que só sabem apanhar o cabelo no cucuruto e ao hype dos percebes.
Comi choco frito, calcei chinelos do Kiabi, bebi leite ucal, apanhei o cabelo (imagine-se) num rabo de cavalo, li até me doerem os olhos e deitei-me na toalha de praia a saborear a brisa marinha.
Como todos os arqueólogos, sou old fashioned.
Férias já se foram e começa agora uma nova etapa.
Um mês e meio mais em Beja. Terminar o trabalho iniciado e rumar ao Centro do país lá para meados de Setembro.
Depois é voltar onde já fui - por quatro vezes - feliz. E iniciar a investigação que sempre quis fazer.
Quando é por gosto não cansa não é mesmo?
Entretanto arranjar mais 20 000 projectos para ter income (na carteira e na vida).
E descansar?
Mudar para mim já é descansar.
A vida não têm modo de pausa.
Etiquetas:
a história da gente,
andarilha,
joie de vivre,
paper work
24.7.15
Vive-se quando se vive a substância intacta
em estar a ser sua ardente harmonia
que se expande em clara atmosfera
leve e sem delírio ou talvez delirando
no vértice da frescura onde a imagem treme
um pouco na visão intensa e fluida
E tudo o que se vê é a ondeação
da transparência até aos confins do planeta
E há um momento em que o pensamento repousa
numa sílaba de ouro É a hora leve
do verão a sua correnteza
azul Há um paladar nas veias
e uma lisura de estar nas espáduas do dia
Que respiração tão alta da brisa fluvial!
Afluem energias de uma violência suave
Minúcias musicais sobre um fundo de brancura
A certeza de estar na fluidez animal
António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"
22.7.15
Patti marcou encontro para Setembro
Vamos nessa Carla da F.?
Etiquetas:
l´art brutt,
Le monde est un théâtre,
some old crazy people
20.7.15
18.7.15
o melhor livro que li este ano em três frases
“Anything can happen to anyone, but it usually doesn't. Except when it does.”
“It's so heartbreaking, violence, when it's in a house-like seeing the clothes in a tree after an explosion. You may be prepared to see death but not the clothes in the tree.”
“There were two types of strong men: those like Uncle Monty and Abe Steinheim, remorseless about their making money, and those like my father, ruthlessly obedient to their idea of fair play.”
15.7.15
Set my Mood
Eu acho mesmo que é a música que nos vai salvar.
Se não a humanidade
pelo menos cada um dos dias que passam.
Etiquetas:
joie de vivre,
Le monde est un théâtre,
set my mood
Subscrever:
Mensagens (Atom)












