Não me apeteceu ainda escrever directamente sobre este assunto por estar ainda a interiorizar a novidade mas algo se passou comigo que mudou completamente a minha percepção sobre como quero viver.
Devem ser os 30 anos a aproximarem-se (2,5 meses até lá) mas tenho um maior medo de me detiorar sem razão. Não é morrer. É viver pior. Já andava assim há uns meses. Por exemplo, a relação com o álcool acalmou muito. Um copinho de vinho e basta. Mas no início do ano recebi a visita das minhas análises anuais... e em vez de boas notícias recebi colesterol.
Sem drama. 228. O pior não foi a evidência ou o valor foi o que eles espelham. Ali, preto no branco, está escrito que eu sou inerte há 8!! anos e como tal qual uma criança deixada à solta num supermercado. Voltando à idade - quase 30!!! - e à tomada de consciência que se seguiu. Rapidamente comecei a procurar alternativas saudáveis às comidas que o Sô Dôtor me proibiu e inscrevi-me num ginásio.
Destas novidades lhes vou dar conta nestas páginas de uma Magra Gorda (48 quilos de gordura no sangue).
As primeiras impressões é que depois de uma aula de zumba (de que não fiquei fã) consegui perfeitamente vir para casa ler um livro de contos da Lídia Jorge. A intelectual em mim está a sofrer um upgrading. Qualquer dia consigo entender o mistério dos enterramentos em fossas da idade do Bronze enquanto dou três piruetas maluca ao som da Shakira.
Se virem com atenção a menina que está mais atrás encontra-se alegremente e aos pulinhos a determinar porque é que a massa prevista do vácuo quântico têm pouco efeito sobre a expansão do universo.
"Como é que, na admirável engenharia do mundo, de tão económica racionalidade, se explica a sumptuária dissipação do orgasmo feminino? O prosaico orgasmo masculino é auto explicativo: seminal e basta. Mas o esplendor, exuberante ou gutural, do êxtase feminino é um luxo obsceno, espécie de Prada ou Gucci de fusão de corpos."
Manuel S. Fonseca in Expresso
7.9.12
Eu gosto de mudar mas detesto embalar coisas e desfazer malas. Complica-me com os nérves. Por isso, hoje à noite, devo entregar as minhas mágoas a uma garrafa um copinho de álcool. Tipo detox (muito popular na blogosfera ao que parece) mas para pessoas sem filhos pequenos.
Anda por aí um zumzum causado por um livro que parece ter resmas de sexo e descrições sensuais que anda a ser consumido em grande escala pelas mulheres (no metro/autocarro olhe à sua volta e identifique os livros com a encadernação da Nora Roberts, atente nos que parecem ter sido forrados). Ainda não percebi muito bem o porquê da indignação, é por o livro estar mal escrito, é por ter muito sexo ou é por ser um best seller do mulherio?
Por pior que o livro seja, em termos de literatura, qualquer ser que dedique horas do seu dia à leitura já ganha alguma coisa.
Se o livro tem muito sexo ora temos pena de quem não gosta. A literatura erótica existe (desde os romanos senhores!) e vende (estranho o sexo vender não é?) e há belas obras de referência dos mais seríssimos autores (Henry Miller, Anais Nin, Nabokov).
As mulheres não só devem ler este livro (e comentar entre si) como deviam ler mais literatura erótica. Além de estimular a mente estimula os sentidos e muitos homens vão sentir os efeitos destas leituras de metro. As mulheres são as primeiras a se imporem um tabu sobre o sexo. É censurado que uma mulher veja um filme pornográfico (se pelos homens ainda mais entre pares) e por isso este mercado é quase sempre voltado para espectadores masculinos. Fica mal uma mulher entrar sozinha numa sex-shop e até comprar preservativos sozinha num hipermercado (i´ve been there). Há uma tal prisão mental socialmente mas também auto imposta que livros deste género chegarem ao topo de vendas não é motivo de críticas mas de atirar foguetes. Algumas águas turvas se movimentam.
Se sempre quiserem ler coisas de jeito não há como enganar, é passar os olhos por A Casa dos Budas Ditosos.